21 de setembro de 2018

O homeschooling nos tempos do Fundamental II

Nossa, faz tempo que não venho aqui! Desde já, perdão aos leitores que têm aparecido e que às vezes ficam sem uma resposta específica nos comentários: realmente não tem como eu administrar o blog nesse momento da minha vida. Mas hoje estava pensando sobre o novo momento que estou vivendo no homeschooling e me deu vontade de vir compartilhar aqui. Porque sei que outras mães podem ter a mesma dúvida que eu tinha quando meus filhos eram menores e eu dominava todos os assuntos (ou quase!) sobre os quais a gente se debruçava no ensino domiciliar. Eu pensava: e quando eles crescerem? Quando entrarem na idade do Fundamental II, com todas aquelas fórmulas matemáticas que eu não lembro mais? Será que vou dar conta? Será que a escola não vai começar a fazer falta de fato? (ao me referir à adolescência usarei o sujeito "ele" porque estou escrevendo pensando em meu filho, mas tudo vale para as meninas também).


Meu filho mais velho está com 11 anos. A cabeça já é a de um adolescente (porque hoje eles adolescem mais cedo mesmo). Em casa sou a professora de piano, orientadora religiosa e a tutora em inglês. Faço consultoria em Conhecimento de Mundo e Vida Prática (ou seja, boto eles para fazerem sua parte nas tarefas domésticas, hehehe). Raramente meu filho mais velho precisa do meu apoio pedagógico em trabalhos de história, matemática, português ou qualquer outra disciplina (exceto Arte, em que eu me entrometo porque sou chata mesmo). Ele não precisa mais de mim porque aprendeu a aprender e a gostar de aprender. Sabe pesquisar, sabe organizar esse trabalho de pesquisa, sabe se expressar e desenvolveu seus próprios métodos e formas para fazer isso. Estuda com autonomia, e essa é a palavra chave que eu tanto persegui, e que agora está dando os melhores resultados. 

Gosto muito de como Maria Montessori elaborou os planos de desenvolvimento da aprendizagem. E essa fase, que está mais ou menos entre os 12 e os 18 anos, é mencionada por ela como um tipo de novo nascimento. Nada poderia ser mais descritivo. Aquele filho que simplesmente fazia tudo o que você queria, do jeito que você ensinava, pelo prazer de lhe satisfazer não existe mais. Agora ele não é mais apenas seu filho (que certamente ainda sentirá prazer em lhe fazer feliz se vocês viverem uma relação saudável), mas uma pessoa que não necessariamente é aquela pessoa que você achava que conhecia, Isso às vezes pode ser assustador para os pais porque vai exigir humildade para aprender a lidar cada vez mais com um indivíduo, ao invés de apenas um membro da família. De um dia para o outro eles querem ser independentes e se esforçam muito nesse sentido. Esse indivíduo começará a sentir necessidade de uma vida social que nem sempre estará em interseção com a vida social familiar. Começam a surgir interesses que não têm nada a ver com o que interessa aos pais ou com o que eles ensinaram, mesmo que seja só por curiosidade. Começam a se consolidar opiniões, modos próprios de entender e interagir com o mundo. Começam a chover argumentos e questionamentos. E isso é muito bom. Depois que passa o primeiro choque de que aquela criaturinha não é exatamente sua cópia fiel nem precisa mais de seu auxílio constante, você começa a enxergar que ela pode ser muito melhor que você.

Nascimentos podem ser dolorosos, e quase sempre o são. Para quem está nascendo e para quem está parindo. No caso do adolescente, ele é os dois! De dentro de um ser moldado conforme a imagem e semelhança de seus cuidadores nasce alguém com uma enorme ânsia de conhecer a si mesmo e o seu lugar no mundo. Mas a ânsia pela independência não mitiga o desejo de colo e acolhimento. Assim como o bebê de dois anos teve que aprender a falar, o adolescente vai ter que encontrar uma nova maneira de comunicar sentimentos, ideias e pensamentos que o invadem poderosamente. Talvez ele não saiba, mas ainda precisa de você para isso. Nas entrelinhas de seu discurso há um pedido: "Ajuda-me a pensar contigo!". Ele quer entender o outro, ainda que só demonstre isso desafiando-o. Ele não quer mais saber como fazer, ele quer saber o porquê fazer. Tenha paciência e honestidade ao explicar. Você pode ajudá-lo a redescobrir a ternura, o equilíbrio e a razão no ato de comunicar-se quando os ruídos do desenvolvimento estiverem fortes demais. Há momentos em que a impressão é que tudo dentro dele é violento. Como verter brisa sendo furacão?

A liberdade ainda é uma tônica, mas agora já não basta o ambiente preparado e controlado pelo adulto.  Agora o mundo é seu laboratório e ele vai querer explorar até aquilo que lhe causa medo ou que pode ser um perigo. Tudo que desafia convida a provar a si mesmo, ajuda a construir uma identidade. Ser mãe nesse momento é uma prova muitas vezes difícil demais porque, ao contrário de quanto ele tinha oito anos, talvez agora não queira mais você como companheira (e mentora) de aventuras. Mas ainda quer aventurar-se e agora seu papel de protegê-lo vai ficando cada vez mais platônico. Seu coração diz que ele ainda não sabe se virar, não sabe tudo de ruim que lhe pode acontecer, não sabe da maldade do mundo nem tem como lidar com ela sem se machucar. Mas sua razão insiste: esteja ao alcance dos olhos e braços dele, mas deixe que aprenda longe de você também. Ser mãe de adolescente é curar-se um pouco de si mesma.

E como isso reflete do Ensino Domiciliar?

Feita essa introdução emotiva (chuinf, chuinf), que aspectos do ensino domiciliar mudaram para mim nessa nova fase?

- Primeiro, pode ser difícil para pais e mães que estavam acostumados a ditar um certo ritmo de estudos que era, até então, muito bem aceito, de repente terem que "colocar o pé no freio" porque o estudante se queixa muito de cansaço e falta de vontade de estudar. A primeira impressão é que é má vontade, preguiça, falta de interesse. De repente você lembra daquela criança "birrenta" dos dois anos, que explodia a qualquer sinal de frustração ou contrariedade. Mas não se apresse em julgar. Procure ler um pouco sobre desenvolvimento físico e psíquico nessa idade e entenderá que ele não está mentindo: na fase de 6 aos 12 anos o interesse no trabalho mental é muito maior que na fase que se segue, pois nesta última o desenvolvimento do corpo exige muito mais energia. Se você já esqueceu como foi com você, essa fase pode mesmo ser estranha. Num dia você acorda se sentindo cheio de energia e motivado para ser o melhor de todos os seres, no outro dia nem tem vontade de levantar da cama. Talvez o cansaço desse adolescente não seja menor que o seu afinal. Descobrir-se um sujeito em mutação num mundo extremamente incoerente e injusto pode ser avassalador (eu ainda lembro bem dessa sensação). Talvez você tenha que se demorar mais nas lembranças de quando ele tinha apenas dois anos e você inventava mil maneiras lúdicas de ensinar, e se esforçava para que o aprendizado o encantasse. Lembrar-se de como aprendeu a lhe dar liberdade para explorar o ambiente, seus assuntos preferidos. A diferença é que agora ele precisa de liberdade para explorar a si mesmo, usar a própria ludicidade, mergulhar no próprio encantamento, redescobrir o prazer de aprender por si mesmo. Precisa de liberdade para pensar, para descansar, para se fortalecer e fortalecer a própria inteligência que há de ser refinada em breve. Nunca, desde o ventre, ele precisou de tanta energia para o corpo em formação. Às vezes pode ser que ele precise que seu abraço seja um ventre de novo. Pode ser que precise disso muitas e muitas vezes, muito mais do que consiga lhe dizer. E quando ele disser isso de maneira não muito gentil, escute o coração dele por trás de suas palavras. Os mesmos ouvidos que se deleitaram em ouvir "Mamã" pela primeira vez vão ter que aprender a ouvir mais e mais com o coração. 

- Um risco constante para os pais educadores nesse período é não levarem seu filho ou filha a sério. Embora seja comum começar a cobrar mais responsabilidade, no momento em que o adolescente se posiciona com uma ideia, opinião ou vontade diferente tende a ser tratado como uma criança incapaz. Então riem dele, desconsideram suas angústias como se fosse uma "birra" (de novo essa falácia!), suas vontades como se fossem "caprichos". Ignoram sua ousadia e abafam sua criatividade. Se você se sentir movido a agir assim, pare um pouco e olhe para seu filho ou filha como um ser humano. Faça o exercício de tratá-lo como trataria um amigo ou familiar a que você respeita muito, alguém que você atribui especial importância e valor. Faça isso muitas vezes até conseguir enxergar assim sem fazer esforço.
O fato de ensinar adolescentes há cinco anos me ajudou muito a entender que, nessa fase, ser olhado com desprezo ou como se fosse uma criança incapaz pode ser mortificante (e já é mortificante para a criança ser olhada como incapaz). Há alguns que se revoltam, e atraem repressão ainda mais forte sobre si. Mas o mais triste é quando eles se calam e se apagam, e você não vê mais a vida em seus olhos. Eu já tive turmas muito desafiadoras, que me obrigavam a defender todos os meus pontos de vista e argumentar detalhadamente a favor de minhas propostas. Isso às vezes me aborrecia muito porque parecia um tipo de "teste de paciência" que eles faziam comigo. Mas quando enfim eu conquistava sua confiança tinha aliados fieis, que se esforçavam ao máximo e me surpreendiam com resultados comoventes. Se o ser humano tivesse asas, a adolescência seria a hora de aprender a voar (o que só aconteceria se os pais acreditassem nas asas de seus filhos).

- Com relação à prática do estudo, tudo fica bem fácil. Sim! Sabe aquele medo de não dar conta de cuidar de todos os conteúdos a serem estudados? Descobri que existem estratégias bem simples para lidar com isso. A primeira é o próprio adolescente, que se foi devidamente instruído, já tem autonomia para fazer esse controle de conteúdos, administração de tempo e recursos sem que você tenha que monitorar de forma tão direta. Ele também pode perfeitamente autoavaliar-se, se tiver um controle de erro eficiente.
A segunda estratégia é pedir ajuda a tutores. Podem ser amigos e familiares especializados, mas hoje também existem vários serviços de tutoria de profissionais que pode ser pagos por hora aula, então o estudante pode tranquilamente fazer sua pesquisa e listar apenas as dúvidas para levar ao especialista em aulas específicas para isso. Acredite, dá super certo! E eles gostam muito de gerir seu próprio tempo e responsabilidades. Não imponha horários ou conteúdos rigorosos. Permita sempre um "plano B" para os dias em que for necessário uma pausa com a programação. E discuta com ele a necessidade de estudar certos conteúdos que você acham (ou não) importantes, ou usar certas metodologias, sempre com argumentos sólidos. Façam o planejamento juntos, a princípio, e vá treinando-o para que ele consiga fazer seu próprio planejamento sozinho.

- Não deixe que se perca a melhor vantagem de fazer homeschooling: a liberdade! Se você tem filho nessa idade na escola, certamente vai ouvir em algum momento: "Eu não sei porque tenho que assistir aula! Tudo que aprendo é lendo sozinho!". Isso depende muito da forma como a pessoa aprende. Eu, por exemplo, também pensei assim toda a minha vida escolar. Aprendi muito pouco com as aulas expositivas dos meus professores, por mais que eles se esforçassem. Há pessoas que têm uma forma mais auditiva de aprender, e podem se beneficiar mais desse tipo de aula. Mas a verdade é que a maioria das escolas hoje não está preparada para lidar com a autonomia e individualidade dos alunos. Não está aberta a sofrer críticas e sugestões de seus estudantes (quando muito, dos pais), e alguns professores ainda consideram ser questionado um insulto. A tensão que costuma haver entre alunos e professores nas salas do Fundamental II é algo opressor. E há pouco ou nenhum afeto nas relações, já que agora não é mais uma única pedagoga que passa todo o tempo com a mesma turma. Vários professores se revezam rápido o suficiente para que não haja condições de firmar nenhum vínculo emocional positivo mais forte. Com exceção de modelos ainda bem pouco acessíveis financeiramente, como os das escolas montessorianas, a Escola da Ponte e outras que têm se inspirado nesses modelos, a escola está muito equivocada em relação ao desenvolvimento na adolescência.
Embora o adolescente sofra grandes mudanças em sua forma de perceber o mundo, a escola não faz nenhum tipo de mudança estrutural ou pedagógica específica para esse período. A partição do conhecimento em várias disciplinas só torna o aprendizado mais maçante, porque a dinâmica deste (se é que se pode falar em algo que sugira movimento) é a mesma do primeiro ano do ensino fundamental. Nenhuma autonomia, nenhuma liberdade de escolha, nenhum respeito aos ritmos e inteligências específicas, nenhum ambiente pensado especialmente para suas necessidades. 
Portanto, acredite, se você tem filho com essa idade na escola, não haverá momento algum em que ele esteja tão disposto ao ensino domiciliar como agora! Você terá nele seu mais forte aliado!

 - Outro impacto é que você terá que lidar muito mais com o pensamento crítico. Será desafiador fazer isso sem cercear esse pensamento. É muito fácil - e a escola faz isso o tempo todo - transformar adolescentes críticos em pessoas incapazes de pensar por si mesmas. Depois de fazer milhares de vezes exercícios pedindo para escrever a resposta certa, e buscar essa resposta numa memória sem qualquer significado prático, o estudante pode se convencer de que o que ele sente, pensa ou precisa a respeito das coisas não é importante. Pelo menos não ali, na escola, onde o importante é tirar a nota máxima para ser aprovado. A pior coisa que pais educadores podem fazer é transferir essa forma de agir para dentro de suas casas. Incentive e eduque o pensamento crítico. Há muitas maneiras de fazer isso, tanto no ensino Clássico como nas pedagogias mais modernas. Escolha o que melhor se adequa à filosofia familiar. Pode ser que você mesmo tenha que estudar sobre isso e descubra novas possibilidades de compreender e interagir com o mundo. Assim como teu bebê de dois anos te ensinou a olhar de novo para as pequenas coisas da vida, teu filho de doze anos pode fazer o mesmo num nível ainda mais profundo. 

- Desde quando meus filhos nasceram até dez anos depois, eu comprei mais livros do que em toda a minha vida anterior. Em certo momento eles começaram a usar a internet como fonte de conhecimento também (mas não abrirei mão dos livros físicos jamais, hehehe). E tomando as devidas medidas de segurança, essa pode ser mais uma boa fonte de ajuda no ensino domiciliar. Procurar por bons cursos online pode ser prático e econômico. Aqui tivemos que tirá-los do curso de inglês numa escola tradicional porque a empresa se mudou de perto da minha casa para um local muito distante. Eu procurei por um curso online só para que eles não perdesse o resto do ano sem contato com a língua. E me surpreendi com a qualidade que encontrei, que atendia justamente ao que eles mais precisam no momento (desenvolver o speaking e o writting). Eu apenas acompanho o andamento dos exercícios, analiso as gravações dele falando de vez em quando, me certifico que está progredindo e tirando as dúvidas com o professor, e complemento comprando livros paradidáticos (com áudio e exercícios de interpretação de texto) específicos para a idade deles. Olha, nunca estive tão feliz com o estudo de inglês (e eles entraram no curso de inglês no Tots).  Melhor que isso só um professor particular nativo. Há outros tipos de cursos cuja versão online também pode ser bastante satisfatória (e prática para a logística familiar).

- Dê especial apoio aos hobbies e assuntos preferidos do adolescente. Não trate o conteúdo acadêmico como a coisa mais importante do universo. O adolescente precisa sentir estima por si mesmo, e encontrará isso descobrindo as coisas que faz bem. Além disso, dedicar-se a um assunto em especial pode ser uma ótima oportunidade de socialização - o que é um grande entrave dessa fase. Conhecer e conversar pessoas que partilham dos mesmos interesses comuns é uma fonte de prazer e uma grande escola de interação social para pessoas nessa idade. Sobre esportes: não se trata mais apenas de incentivar o desenvolvimento físico, mas mental tb. A energia mental desse período pode se tornar destrutiva se não for canalizada para algo produtivo e satisfatório. Exercício físico sempre foi importante, agora é vital!

- Até pouco tempo ele mostrava prazer em obedecer. Agora seu prazer está em seguir. Não basta mais haver regras, é preciso haver modelos. E esse plural não abarca só o pai e a mãe. O adolescente vai procurar modelos entre os pares de sua idade, e em alguns momentos estes vão ser uma influência mais forte que a família. Não se trata apenas de seguir o conselho da vovó que dizia: "Cuidado com as companhias!". A escolha desses modelos vai, em alguns momentos, ser feita à revelia de sua vontade. Se você acha que tem algo errado, não tente simplesmente impedir: converse, e se for o caso, argumente sobre que tipo de problemas você vê com o modelo que ele escolheu. Esteja preparado para ser questionado também, mas dê um tempo para que seus argumentos sejam processados. Mais do que nunca, seja coerente com suas palavras e ações. Mais do que nunca, mostre como é viver com ética. Por mais que seus filhos encontrem vários modelos no mundo, você será sempre uma referência primária para a qual ele poderá voltar e atracar se sentir que você é um porto seguro.

- Mesmo que você comece a delegar aspectos da educação do seu filho, não deixe de continuar estudando métodos e técnicas pois você poderá sempre reforçar alguns conteúdos por outros caminhos. Agora mesmo está uma polêmica danada em torno da BNCC (Base Nacional Comum Curricular). Tem professores reclamando, tem pais reclamando, teu eu reclamando, que também tenho várias críticas ao documento e as fiz por escrito e enviei ao órgão responsável pela consulta pública. Mas mesmo defeituosa, enquanto eu a lia, aprendi muitas coisas interessantes. Se você deixar o preconceito de lado, só um pouquinho, pode descobrir coisas boas em lugares impensáveis. Por exemplo, me surpreendi aprendendo novas estratégias com as "Habilidades" mencionadas em algumas disciplinas, e refletindo sobre a amplitude de alguns conteúdos, chamados no documento de "objetos de conhecimento". Se você ler tudo e não achar nada que te acrescente, não foi tempo perdido: agora você está habilitado para fazer uma crítica bem fundamentada à BNCC. Tenho visto algumas famílias fazendo escolhas pedagógicas levando em conta apenas questões religiosas, filosóficas ou políticas. Mas acho que é saudável seguirmos o conselho do apóstolo: "Examinai tudo. Retende o que for bom" (I Tessalonicenses 5:21). Aliás, pais que demonstram isso aos seus filhos adolescentes, escolhem uma forma maravilhosa de ensiná-los a usar essa prática como maneira de consolidar a  fé e o conhecimento. Saber fazer as melhores escolhas envolve  aprender a conhecer (e conviver com ) as diferenças.

- Recomendo fortemente que você assista aos VÍDEOS que o Gabriel Salomão, do Lar Montessori, publicou em sua página no Facebook dia 29 e 30 de agosto de 2018. Foi seu curso de introdução ao método Montessori com enfoque na educação escolar do adolescente. Extremamente inspirador.Cheio de estratégias práticas para lidar com as necessidades específicas dessa fase.

Se você também quiser compartilhar comigo suas experiências e aprendizados com o ensino domiciliar de filhos nessa faixa etária, por favor, escreva nos comentários. Sou apenas uma principiante. Um grande abraço e que Deus nos abençoe :-)

18 de junho de 2014

Árvores da Adição e da Subtração

Este post é um complemento do anterior (ESTE AQUI). Fiquei devendo esta atividade que inventei para fazer com meu pequeno Rafa. Existem muitas maneiras de utilizar, tanto para adição quanto para subtração, fiz um vídeo para mostrar algumas.


Clique na figura para salvar. Eu imprimi em papel 180g e cobri com papel contact. As maçazinhas eu comprei numa loja de artigos para bijouteria, mas você pode usar qualquer círculo vermelho, por exemplo, de plástico, EVA ou papel.


Segue abaixo o vídeo explicativo com algumas sugestões de como usar este material para ensinar adição e subtração. Pode ser utilizado com crianças a partir de 3 anos.



Nota sobre o blog

Os que acompanham podem estar estranhando o longo tempo entre um post e outro. Peço perdão se deixei de responder algum comentário, tem a ver com meu pouco tempo e rotina puxada também. "A Lu deve estar numa crise criativa", devem estar pensando kkkk e de fato, estou! Mas a verdade é que estou num hiper-mega-BOOM criativo, tirando do rascunho para o concreto vários projetos ao mesmo tempo (e quando digo vários são muitos mesmo), na minha vida pessoal, profissional e claro, na área de ensino domiciliar também. Muito em breve muitas novidades chegarão até vocês. Meu maior objetivo é levar conhecimento de qualidade e acessível para quem, como eu, ama e sabe o valor de ensinar crianças. Obrigada pela paciência e pelo carinho!

14 de maio de 2014

Dicas para começar a ensinar adição e tutorial de tabuada.

Quando e como começar a ensinar adição a seu filho? Seguem algumas dicas que tenho aplicado aqui com meu caçulinha. Os passos consistem em levar a criança a adicionar partindo do concreto para o abstrato.

1 - Seu filho estará pronto para começar a adicionar quando conseguir associar quantidades a numerais e contá-los. A partir daí você poderá usar materiais manipulativos para fazê-lo entender as somas. Nas fotos abaixo eu usei material dourado para ilustrar, mas você pode usar carrinhos, pedrinhas, legos, qualquer conjunto de coisas pequenininhas semelhantes entre si. Assim que souber fazer a correspondência entre esses objetos e os numerais, você pode pode mostrar que ADICIONAR É COLOCAR JUNTO.
Peça que, depois de preencher as parcelas, junte todos os objetos no cantinho da soma e então conte.Foi essa ideia que trabalhamos em nossa Máquina da Adição.

  
Os círculos são tampas de potes de leite e afins. Eles ajudam a delimitar fisicamente as parcelas e o total.


Veja abaixo dois vídeos mostrando a forma montessoriana de fazer essa introdução (inclusive dos sinais)



A segunda parte do vídeo está AQUI (não foi possível incorporar ao post, mas não deixe de assistir)

Um livro com atividades indicadas para essa fase é este abaixo, do Kumon, que trabalha a ordem numérica e o reconhecimento dos numerais de uma forma mais lúdica (liga pontos e colorir): a criança deve falar em voz alta os números enquanto faz a sequência. Clique na imagem abaixo para ter acesso ao livro completo.

https://picasaweb.google.com/105584006831946690642/MyBookOfNumberGames170345Years

2 - O próximo passo vai exigir que seu filho tenha aprendido bem a ordem numérica. Isso pode ser feito com o crivo ou tábua da centena (veja o post sobre ele AQUI), com exercícios para completar o número (ou os números) que está faltando numa certa sequência ( 2 - 3- 4 - ? - 6 - 7 - qual o número que está faltando?), e com exercícios para escrever quem é o antecessor e o sucessor de certo número. Trabalhe com um  conjunto definido: 0 - 10, depois 0 - 20, depois  0 - 30, e assim por diante. Para ensinar subtração, que também pode ser iniciada nessa etapa, ensine seu filho a contar de trás para frente. Eles gostam muito de fazer isso se você convidá-los a lançar algum foguete. Arrume um, faça de caixa de papelão ou improvise lançando-o na cama ou sofá como se ele fosse o próprio foguete (janela não vale, kkkk sempre bom alertar)  ;-)
Perceba que nesse estágio ele já abstraiu a soma contando apenas as parcelas.

 No livro abaixo, o kumon revisa a ordem numérica, propõe vários exercícios de completar essa ordem e pratica a adição +1 e +2. Clique na imagem para ver o livro completo.

https://picasaweb.google.com/105584006831946690642/MyBookOfSimpleAddition456Years#

3 - Em seguida você vai fazer seu filho dar um passo a mais na abstração: ele não precisará contar a primeira parcela, mas vai partir do numeral indicado nela. Para ajudá-lo você pode providenciar uma barra com os numerais em sequência, abrangendo todas as respostas propostas. Pode seguir a tabuada de adição, seguindo  a sequência: 1 + 1 , 2 + 1,  3 +1,  4 + 1, 5 + 1, etc. Pergunte: "De onde vamos partir?" (resposta: da primeira parcela). "Agora vamos contar mais um". Aqui em casa eu usei o termo "dar pulinhos", sendo que a quantidade de pulinhos é definido pela segunda parcela. Por exemplo: 5 + 1 é um pulinho na régua da sequência numérica, 5 + 2 são dois pulinhos. Depois que a criança tiver respondido, deixe que ela mesma se corrija vendo as respostas na tabuada, que é o controle de erro.


O livro a seguir é para exercitar essa técnica com toda a tabuada de adição até o número 30. Um dos princípios do método kumon é que a repetição favorece o aprendizado, por isso há muitas atividades bem parecidas. Aqui em casa eu optei por não fazer tudo, só até perceber que ele percebeu "como funciona", e variar o exercício usando outras atividades. Clique na imagem abaixo para ver o livro completo:

https://picasaweb.google.com/105584006831946690642/MyBookOfAddition567Years#



4 - Quando a criança tiver trabalhado toda a tabuada de adição com o método anterior ela certamente estará pronta para o próximo passo, que é fazer a soma MENTALMENTE. Estimule isso. Quando for fazer adições maiores, com dezenas e centenas, a capacidade de fazer pequenas adições mentalmente e ter memorizado respostas vai tornar a resolução dos exercícios mais rápido e prazeroso pra ela. Você pode usar joguinhos como ESSE para animá-la a somar com parcelas cada vez maiores (neste caso, o carrinho avança mais se o total da soma for grande).


Seguem algumas outras formas de trabalhar a adição nessa fase, a partir de materiais montessorianos que fazem a transição do concreto para o abstrato e também promovem a memorização:

 - Adição com barras vermelhas e azuis;
- Adição com bolinhas;
- Adição com barrinhas;
- Primeira tabela de adição;
- Segunda tabela de adição;
- Terceira tabela de adição;
- Tabuada de adição em branco;
- Jogo da serpente.

 Abaixo, fotos de alguns contadores que usamos, não só para adição, mas para vários tipos de atividades. Carrinhos, blocos, objetos da natureza também são usados de vez em quando.

Acima, "pedras preciosas" de plástico. São vendidas em lojas de artigos para arranjos florais. Moedinhas falsas e botões também são muito úteis.

 
Outras pecinhas com formatos fofos podem ser encontradas em lojas que vendem artigos para bijouteria. Estou terminando um quadro para usar com essas maçãs, em breve posto aqui ;-)
 
 Esse é o material dourado "verdadeiro" (golden beads), também conhecido como material semi-simbólico em contas ou ainda pérolas ou bolinhas Montessori. Esse eu mesma fiz :-) Cada cor representa uma quantidade (as bolinhas estão unidas em pequenas barras). Esse vai precisar de vários posts só sobre ele. As possibilidades de usá-lo são muitas também.


TUTORIAL DE TABUADA DE MULTIPLICAÇÃO


Aproveitando o post sobre matemática, segue um tutorial feito por Vinícius com dicas para memorizar as tabuadas. Quem acompanha o blog sabe que já postei sobre isso, mas convido-o a revisitar o POST SOBRE MULTIPLICAÇÃO, pois já o atualizei com várias outras informações, coisas legais que vou encontrando pela net, então edito o post. Aliás, esse é um hábito que tenho com todos os outros posts, sempre que encontro algo novo edito e atualizo. Lá há várias outras dicas, essas do vídeo abaixo foram as que Vinícius mais achou interessantes para memorizar, acredito que cada criança deve ver várias e ter a chance de escolher qual a que melhor se encaixa ao seu modo de aprender (alguns são mais visuais, outros mais lógicos, outros verbais, etc).  A ideia de pedir para Vinícius fazer o tutorial foi arrumar uma forma divertida de fazer a revisão. Brincamos que estávamos num programa de TV, e ele gostou muito da ideia. Bem, eu não tinha que publicar aqui, mas ficou tão bonitinho que não resisti  :-)¨




30 de abril de 2014

Quais os melhores livros para crianças de 6 a 10 anos?

Nos grupos sobre educação dos quais participo aprendo muito e conheço gente que me ensina demais. Uma dessas é a querida Lorena Arbex, que embora não tenha blog, faz a diferença na vida de muitas pessoas com suas dicas e experiência como mãe educadora e, sobretudo, pesquisadora. Foi num papo com ela que me dei conta que ainda não tinha uma ideia muito boa de que livros oferecer ao meus filho de 6 anos para garantir uma leitura rica em qualidade.  

No meu post anterior dei várias dicas de livros para crianças até 6 anos ou que estão em fase de alfabetização, e afora todos os ótimos livros literários que existem pra essa faixa etária e devem ser lidos pelos pais, a lista que fiz privilegia o desenvolvimento da leitura autônoma da criança. Mas no caso de crianças já alfabetizadas há outros fatores importantes a considerar além das questões linguísticas, especialmente o ganho cultural. Afinal, essa é uma das funções mais nobres da leitura: educar culturalmente.

Existem muitas opções para essa faixa etária que visam entreter. Não sou radical nesse sentido: acho que uma leitura leve e divertida é bem-vinda, desde que não se torne o principal tipo de leitura da criança. Ou seja, eventualmente compramos gibis para Vinícius ler, mas me sinto responsável por incentivar que ele leia livros que ofereçam mais conteúdo cultural e exijam mais de sua habilidade como leitor. Perceba que temos hoje uma geração de jovens e adultos que se declaram "fãs de livros", mas cuja leitura se resume a livros superficiais e a lista de mais vendidos. Mais uma vez afirmo que, mesmo compreendendo que há lugar para esse tipo de leitura, a leitura se presta a ir muito mais além da mera leitura. Ler e achar um livro bom é uma sensação ótima, mas volátil. Há, no entanto, um tipo de leitura que exige reflexão, exige um esforço de mente e espírito por parte do leitor, e é esse tipo de leitura que marca a psiquê, que transforma a vida e a forma de ver o mundo. Quem nunca se sentiu verdadeiramente tocado por um livro a ponto de passar dias, semanas ou até anos sob a influência daquela leitura, não pode afirmar que é um verdadeiro "fã de livros".

Lembro perfeitamente que isso aconteceu comigo quando li "Memórias Póstumas de Brás Cubas", de Machado de Assis, aos 12 anos. Não entendi nem metade de toda a riqueza literária que estava ali diante de mim, mas terminei o livro com a sensação de que algo dentro de mim mudara. Todas as lacunas do entendimento, que ficaram por causa da minha pouca experiência de vida, foram sendo preenchidas mais tarde, quando voltei ao livro por outras vezes, sempre redescobrindo novas nuances. Mas foi muito importante para mim ter acesso a esse livro naquele momento em minha vida, porque o contato com aquela narrativa nova e intrigante determinou todo o meu gosto literário daí por diante. E assim passei a outros livros igualmente marcantes ao longo de minha adolescência: Érico Veríssimo, Drummond, Quintana, Linspector, Lygia Fagundes Telles, Garcia Marquez, Victor Hugo, Oscar Wilde, Dostoiévsky,  Proust, tantos outros, cada um me assombrando e deixando em mim sua marca indelével. Posso contar a história da minha adolescência só lembrando dos livros que li. Até os 25 anos minha avidez por conhecer e desafiar a mim mesma a ler grandes autores era tanta que se alguém for atrás do meu  histórico de livros nas bibliotecas das faculdades que cursei, vai ver que 96% dos meus empréstimos eram livros de literatura (o resto era pra estudar pra prova kkkk). Ainda bem que aproveitei muito bem esse tempo, já que agora minha leitura é prioritariamente técnica (livros de Educação ou sobre o assunto), sinto saudades do turbilhão de emoções que vivi junto a esses livros! Posso afirmar com segurança que eles contribuíram muito para definir quem sou hoje. E como eu queria partilhar com meus filhos essa dádiva!

Tudo que li seguiu unicamente minha intuição. Adoro cheiro de livros, e eu os escolhia pelo faro mesmo. Mas hoje, como mãe, me sinto na obrigação de dar uma orientação que eu não tive, e que teria facilitado muito minha vida e me poupado de certos "desgostos literários".  Assim, com muito cuidado e sempre disposta a repensar meu posicionamento, elaborei, a partir de minhas próprias análises e de conversas com gente mais culta e experiente que eu (como a Lorena), essa lista sugestiva de tipos de livros que podem ser oferecidos à criança a partir dos seis anos, quando ela já lê com fluência e está preparada para novos desafios. Se você tem outras sugestões, por favor, deixe-as nos comentários abaixo que eu atualizarei o post sempre que achar necessário. Há muitas controvérsias sobre a ordem em que esses livros seriam apresentados, eu segui minha própria lógica (este post é uma sugestão de mãe, não a última palavra de uma especialista), pensei numa leitura de compreensão mais fácil para mais difícil, ou simplesmente uma divisão em categorias, que podem até mesmo ser apresentadas simultaneamente, mas acho que cabe a cada pai ou mãe certificar-se de sua própria lógica e fazer sua própria lista. Quem quiser ler mais sobre o assunto pode buscar esse livro aqui:



1 - Ana Maria Machado
Como visto do post anterior, é com ela que a criança pode começar a aventura no mundo literário. Seus livros com palavras simples conduzem ao gosto pelo ler, e além do caráter didático, há histórias que cativam os pequenos por falar de temas que têm a ver com sua realidade. Uma de minhas grande emoções foi compartilhar com meu filho os livros "bisa Bia, Bisa Bel" e "Menina bonita de laço de fita", que tanto me marcaram.
2 - Poesias
Tão cedo quanto possível, a criança deve ser incentivada a apreciar esse gênero. Vinícius de Moraes, Cecília Meirelles e José Paulo Paes costumam ser as iniciações clássicas. Mas há muito para se pinçar em Quintana, Leminski, Pedro Bandeira e tantos outros autores de poesia infantil e coletâneas específicas para esse público. 

3 - Contos
A partir de seis anos a criança já começa diferenciar bem fantasia da realidade. Mesmo que já conheça algumas histórias, ela terá mais ferramentas cognitivas e emocionais para aprofundar seu contato com os contos clássicos (Charles Perrault, Irmãos Grimm e Andersen) e fábulas (Esopo, La Fontaine). 
A editora Todolivro tem uma linha dedicada só aos clássicos, alguns com preços bem acessíveis, VEJA AQUI.
 
 

4 - Lendas
Em certo momento a criança começa se interessar mais enfaticamente por histórias que remetam a elementos espirituais ou metafísicos. É a vez das lendas brasileiras (Câmara Cascudo e coletâneas dirigidas especialmente a crianças), lendas indígenas, lendas de outros países, mitologia grega e nórdica. Ilíada e Odisséia foram reescritos com uma linguagem apropriada para crianças por Ruth Rocha. Monteiro Lobato escreveu "Os doze trabalhos de Hércules" e o "Minotauro". Existem outros títulos dirigidos ao público infantil como ESTE e ESTE. Tem também a Bíblia: mesmo quem não a vê como livro sagrado, tem a responsabilidade de apresentá-la como livro histórico ou pelo menos cultural, uma vez que a criança vai se deparar sempre com elementos da cultura cristã na nossa sociedade. Mas se sua família for cristã, aconselho a apresentar as  histórias bíblicas desde bebê, e não apenas junto com as lendas, para que a criança perceba que as histórias ali contidas são verdadeiras, não apenas mais um conto. Para diversos formatos de Bíblias para crianças com preços justos, aconselho uma visita às livrarias Luz e Vida (estão na maioria das grandes cidades do Brasil), e ao site da Sociedade Bíblica do Brasil.


5 - Monteiro Lobato
Sem entrar em questões ideológicas, Monteiro Lobato foi um marco da literatura infantil brasileira. E algumas de suas histórias, ricas da cultura brasileira, podem ser experiências incríveis para os pequenos leitores. Clarice Linspector que o diga.
 
6 - Biografias
O contato com os livros de fantasia não podem tirar da criança a capacidade de se envolver e comover com a vida real. As biografias de grandes personalidades podem ter o efeito de inspirar uma vida inteira. Crianças gostam de ter modelos para admirar e imitar, é bom que tenha acesso aos melhores.
A série "Crianças famosas" é um ótimo exemplo de biografias para crianças.
Uma amiga querida, a Débora, também me fez descobrir a série "Brasileirinhos", da Editora Paulus.
Uma coletânea muito boa que adquiri foi essa da CASA publicadora: Amigos célebres - volume 1 - volume 2 . A mesma editora tem vários livrinhos para o público infantojuvenil com histórias reais de crianças e adultos que passaram por experiências edificantes. Veja AQUI.


Abaixo segue um vídeo muito interessante da homeschooler Margarita Noyes sobre a importância das biografias:

 

7 - Clássicos infantis e adaptações de grandes títulos da Literatura.
A literatura infantil é mais ou menos recente se considerarmos sua trajetória em relação à Literatura geral. Mas existem histórias que o tempo já provou serem clássicos, e que vêm cativando gerações. Mesmo com a diversidade cada vez mais apelativa do mercado editorial infantil, não podemos deixar de apresentar esses clássicos: Tom Sawyer (também existe uma versão escrita por Ruth Rocha), O Menino do Dedo Verde, Poliana, Viagens de Gulliver, Beleza Negra. Entre os brasileiros, os livros de Ruth Rocha, Lygia Bojunga, Ziraldo, Maria Clara Machado, são apenas um pequeno exemplo dos muitos autores infantis de qualidade.
Para escolher com a opinião de especialistas, veja AQUI uma lista bem interessante com outros títulos e autores, e outra lista dividida por faixa etária (02 a 18 anos) com ótimas sugestões AQUI).
Há também adaptações de clássicos da literatura para crianças: Os três Mosqueteiros, Ivanhoé, Rei Arthur, 20.000 léguas submarinas, e diversos outros títulos.  Há quem não goste de adaptações, alegando que elas suprimem grande parte do que faz o livro ser uma obra de arte. Mas o fato é que se as crianças conhecerem - e entenderem - essas histórias, ficarão curiosas e motivadas para mergulhar nos originais mais tarde. Todos nós gostamos mais de que conhecemos. Em todo caso é bom lembrar que essas adaptações NUNCA devem substituir a leitura posterior do livro original, é só uma forma de incentivar que isso aconteça. Já na adolescência deve-se dar preferência à leitura dos clássicos no original.
A Companhia das Letras tem uma coleção de clássicos infantis e adaptações para o público infantil muito interessante, veja AQUI.
A Rideel tem a coleção "Aventuras Grandiosas", com adaptações de grandes clássicos da literatura universal  para texto mais curtos (cerca de 30 páginas), você pode avaliar baixando esses arquivos AQUI (baixe pelo link do Easyshare)
A Saraiva tem algumas matérias com sugestões de títulos, veja AQUI.e AQUI.
O R7 também fez uma matéria com sugestões, veja AQUI.
Uma matéria da Livraria da Folha, AQUI.
Clássicos em inglês, para crianças, AQUI. e AQUI.


8 - Livros e séries infanto-juvenis
 Na minha época eu acompanhei a saga dos Karas, nos livros de Pedro Bandeira. Pré-adolescentes gostam de ver os próprios conflitos e preocupações retratados nos livros que leem. Ainda estou conhecendo o cenário atual sobre livros e séries, então não posso falar muito. Mas acredito que a propaganda fala por si. Séries como "Diário de um banana", "Harry Potter", "Crônicas de Nárnia", etc, recebem um tratamento comercial que dispensa aos pais uma preocupação em apresentá-las: as próprias crianças acabam, mais cedo ou mais tarde, tendo contato com elas. Na escola eles também terão, necessariamente, contato com a literatura brasileira clássica.
Lorena me recomendou uma série que Vinícius já está lendo e gostando: as aventuras de Gerônimo Stilton. Acho que vale sempre a pena dar uma checada para avaliar se os livros que as crianças estão lendo e escolhendo estão sendo realmente bons para elas. Existe um conceito bem antigo chamado "higiene mental" que me orientou bastante em minhas escolhas: jogar lixo dentro da mente não serve para nada além de produzir mais lixo, então é melhor ocupá-la com o que houver de melhor. Nesse sentido os pais sempre poderão opinar e aconselhar. Se a criança foi educada com uma boa base, ela logo perceberá a diferença entre o que tem boa e má qualidade.


 Daí por diante é possível que eles façam questão de escolher sozinhos todos os seus livros, mas já terei a consciência do dever cumprido. Como ainda estou iniciando nessa jornada, não estou bem certa de que a ordem cronológica deve ser essa, mas com certeza quero poder apresentar esse conteúdo aos meus pequenos. 

Sobre gibis e revistas infantis
Aqui em casa temos três momentos de leitura diária: pela manhã, ao acordar, eles fazem a leitura devocional (bíblica). Depois que chegam da escola, tomam banho e almoçam é hora de relaxar, então eles podem escolher o livro que quiserem. Antes de dormir eu escolho os livros para eles lerem ou para lermos juntos. Nessa leitura livre à tarde, deixo gibis e revistas (Recreio) disponíveis. Acredito que são um bom estímulo à leitura também, desde que não sejam a única fonte de leitura da criança. Meus pequenos gostam mas não dão preferência: escolhem outros livros também, espontaneamente. É apenas mais um gênero com que têm contato. Mas não podemos ignorar que mesmo esse tipo de leitura leve tem sua influência na mente das crianças. A revista Recreio tem artigos legais, educativos, mas também traz muita coisa comercial e propagandas. Os gibis, por vezes, usam de palavras e ações que podem não condizer com os valores que a família vive. Vale a pena ficar sempre de olho e usar de bom senso.

29 de abril de 2014

Livros para quem está começando a ler e para quem já lê com segurança

Alerta inicial.: este post está cheio de vídeos compridos e chatos que só uma mãe babona consegue assistir por inteiro, mas assistir um pedacinho pode ser bastante ilustrativo :-)

A leitura é uma das grandes expectativas de toda criança que está sendo alfabetizada e dos pais dela também. Isso porque a leitura é um marco na vida do indivíduo, é ela quem introduz a criança no vasto mundo do conhecimento escrito, que pode ser adquirido de forma autônoma, sem intermediários, sem limitações: uma criança que lê tem diante de si o infinito. Para os pais, especialmente aqueles que ensinam seus filhos, é também uma espécie de "prova do dever cumprido": ainda há muito para aprender, mas a leitura facilita a aquisição de novos conhecimentos e inaugura uma nova etapa, focada em habilidades linguísticas mais profundas.

Uma das dúvidas comuns entre os pais que têm filhos recém-alfabetizados ou em processo de alfabetização é que tipo de livros utilizar para incentivar esse processo. A primeira resposta é: os livros que a criança gosta. Nosso mercado de livros infantis está muito rico e diversificado: ir à livrarias e bibliotecas, dar a chance da criança escolher os próprios livros e ler bastante para eles é o primeiro passo para formar leitores vorazes e interessados. Mas também há livros infantis que podem ser utilizados de forma didática. Eles possuem um texto simples, de acordo com um nível crescente de  dificuldade de leitura, frases curtas, palavras que se repetem, e dão à criança a sensação gostosa de conseguir ler um livro sozinha, sem a intervenção do adulto, algo de que elas costumam se orgulhar bastante quando isso ocorre livre de pressões, por iniciativa delas. Nosso papel é colocar à disposição livros que possam lhe proporcionar isso, enquanto, paralelamente, trabalhamos a alfabetização com outros recursos.

Meu filho Vinícius leu com 4 anos e 3 meses. Por "ler", entenda-se a capacidade de decodificar palavras à primeira vista, em material impresso com o qual ele não teve contato prévio, e entender essas palavras e seu contexto, utilizando-se apenas da consciência linguística adquirida. Ou seja, ele era capaz de ver uma palavra ou frase em qualquer lugar e decodificá-la, entendendo também seu significado. Com 4 anos e 4 meses eu filmei ele lendo o primeiro livro impresso especialmente adquirido com esse fim:



O livro acima, "Cabe na Mala", faz parte da coleção Mico Maneco. Falei dela e de outras coleções para leitores iniciantes NESTE POST, citei:

- Coleção Mico Maneco
- Coleção Gato e Rato
- Coleção Estrelinha
- Coleção 1,2,3 Vamos ler outra vez
- Coleção de livros para alfabetização fônica do Instituto Alfa e Beto
- Coleção Crianças Criativas
- Livros de Poemas de Vinícius de Moraes, Cecília Meireles e José Paulo Paes.

Se você já conhece o post, pode voltar porque atualizei com links para alguns livros dessas coleções que se encontram na internet para avaliação, antes de você decidir pela compra (isso é legal porque você pode ver o tipo de letra e ter certeza de que seu filho vai conseguir ler o livro).

Agora foi a hora de Rafael ler seu primeiro livro impresso. Ele começou a ler há cerca de um mês, pouco antes de completar 4 anos. E desta vez não demorei muito a pegar a filmadora: em relação ao vídeo anterior, de Vinícius, dá pra perceber que a leitura de Rafael ainda está lenta, silabada, mas ele já consegue construir o sentido do texto.


Uma característica desse tipo inicial de leitura é que a criança decora as palavras, seja através da escuta da história, seja através da leitura repetida do texto. Isso não é ruim. Livros como esse, inclusive, exploram essa característica e repetem palavras e expressões várias vezes para que a criança as memorize e faça uma leitura mais "rápida", meramente visual da palavra. Depois que sente que consegue ler um livro conhecido sozinha, ela terá o estímulo e segurança interior necessários para se aventurar em leituras inéditas.

Outros livros recomendados para essa fase:
- Coleção Rubi - Mary e Eliardo França - São sete livrinhos fáceis de ler e ilustrados com os mesmos personagens fofos.(CLIQUE AQUI para ver alguns)
- Livros da Ninoca - frases curtas e interativos, com abas e movimento (CLIQUE AQUI para ver alguns)
- Coleção Os Pingos - Mary e Eliardo França (CLIQUE AQUI para ver alguns)

O vídeo abaixo é de um livro cuja história Rafael já conhecia, pois eu já o havia lido para ele meses antes, mas ele nunca tinha lido sozinho o texto. Um dica muito importante: SEMPRE trabalhe a interpretação dos textos, desde as primeiras leituras da criança. Faça isso através de perguntas simples a respeito do que ela leu: pergunte por personagens, características, fatos, e das impressões dela, para se certificar de que ela foi capaz de realmente entender o que leu. No final do vídeo eu fiz um pequeno "quiz" de perguntas sobre a história que ele acabara de ler. Costumo fazer isso com todos os livros que lemos juntos ou que eles lêem sozinhos. Com Rafael faço apenas oralmente ou com questões de múltipla escolha para ler e marcar, com Vinícius, faço por escrito, um tipo simplificado de "fichamento", com título, autor, editora, resumo e as impressões dele do livro.


A ideia não foi minha: na escola ele preenche uma ficha como esta para cada livro que pega na biblioteca. Apesar de simples, ela desenvolve uma atitude reflexiva frente à leitura realizada.


O vídeo abaixo é de Rafael lendo seu primeiro livro realmente inédito: ele nunca tinha tido contato nem com o livro nem com a história. Perceba o esforço mental e até mesmo físico que uma criança nessa fase precisa fazer para ler. Ele teve contato com vários métodos de alfabetização e se identificou melhor com o silábico. Então primeiro ele lê as sílabas para depois processar a palavra. E isso que nós fazemos tão natural e rapidamente, para ele demanda um grande esforço. Repare que para ler um livrinho simples como esse gastamos cerca de 20 minutos, e eu me prontifiquei a ajudá-lo, revezando a leitura de frases quando ele se mostrou cansado. Isso vai ocorrer independente da idade com que a criança ler: no começo os textos têm que ser curtos para que o cansaço não seja maior que o prazer da leitura. Se a criança quiser parar, deve ser respeitada (fiz muitíssimas tentativas até conseguir gravar um vídeo com ele lendo um livro inteiro), depois retoma-se a leitura de onde parou. O bom é que quando chega nesse estágio, a leitura evolui rapidamente: em cerca de semanas a velocidade de leitura melhora bastante, desde que, diariamente, ela leia um pouco. Quando essa velocidade estiver mais próxima de uma fluência confortável deve-se introduzir leituras com texto mais complexo (dígrafos, encontros consonantais mais frequentes, dificuldades ortográficas, texto maior).



Quando a criança já estiver lendo com segurança textos maiores e mais complexos, passando aos livrinhos com menos ilustrações e com "capítulos", é hora de trabalhar algo muito importante: a fluência. ESTE DOCUMENTO é um ótimo texto para se informar sobre o que é fluência na leitura e como usar algumas técnicas para desenvolvê-la. A tabela que segue, retirada desse texto, é bastante elucidativa:


Níveis de fluência adaptado de  National Assessment of Educational Progress – NAEP, 2002 (EUA)
Nível  8 – fluente: lê textos desconhecidos
Nível  7 – fluente: lê grandes blocos de palavras, sem desvios de leitura
Nível 6 – fluente: lê principalmente em grandes blocos de palavras com significado. Embora possam ocorrer alguns desvios, regressões e repetições, eles não alteram a estrutura geral do texto. Há preservação da sintaxe do texto e a leitura é feita com uma interpretação expressiva.
Nível 5 – fluente: lê principalmente em grupos de frases de três a quatro palavras. Alguns pequenos agrupamentos podem estar presentes e a maioria das frases parecem apropriadas e preservam a sintaxe do texto. Há pouca ou nenhuma interpretação expressiva.
Nível 4 – não fluente: lê principalmente em blocos de duas palavras e, algumas vezes, em grupos de três ou quatro palavras. O agrupamento de palavras lido pode parecer fora de um contexto maior (da sentença ou do trecho lido).
Nível 3 – não fluente: lê principalmente palavra por palavra. Frases de duas ou três palavras podem ocorrem, porém não são comuns e/ou não preservam a sintaxe da língua.
Nível 2 – não fluente: lê principalmente sílaba por sílaba
Nível 1 – não fluente: lê letra por letra para formar sílabas

 
Minha amiga Lorena Arbex me fez conhecer esse material do Instituto Alfa e Beto, que eu já adquiri mas ainda não recebi, mas tive a chance de olhar por dentro e avaliar, vi que é mesmo uma material único em português, pois trabalha especificamente a habilidade de uma leitura clara e fluente, habilidade que é muito mais trabalhada no ensino dos EUA. Esta coleção do Alfa e Beto vem inclusive com um material para avaliar a leitura da criança, levando em consideração parâmetros como o tempo de leitura, a quantidade de palavras lidas e os erros de leitura.

http://www.alfaebeto.org.br/produtopagina/?slug=amostra-materiais-7&slug_pai=programa-iab-de-fluencia-de-leitura-a

Clique na imagem acima para ver detalhes do material por dentro. Você compra o material por telefone ou AQUI.

Abaixo um vídeo de Vinícius, com 6 anos e meio, lendo um livro ("Como contar crocodilos", livro bem bacana com várias histórias de animais). Ele está numa fase em que se empolga tanto com a história que quer ler rápido para saber logo o que vai acontecer, daí alguns tropeços na pontuação e dicção :-) Agora pretendo focar também nesse trabalho de fluência com ele, uma vez que nosso tempo em homeschooling dedicado à Língua Portuguesa tem sido essencialmente para interpretação e produção de textos, com gramática introduzida através de análise morfológica dos textos com material Montessori.


18 de março de 2014

A máquina de adição

Faz algum tempo eu vi a ideia abaixo no grupo de homeschooling do qual participo.

Retirado do blog The Imagination Tree

Achei a ideia simples e inteligente, uma maneira ótima para iniciar crianças na adição,  e resolvi tentar fazer minha própria "máquina de contar e adicionar". Peguei alguns canos de PVC, uns conectores de PVC que eu tinha tb, peguei cola, uma boa caixa de papelão e... tchanam!!! Ficou horrendo!!! Ainda tentei ajeitar de cá e de lá mas não tinha jeito daquilo parecer ao menos apresentável (na verdade nem em pé ela ficou ahahah). Acabei desistindo, porque esqueci de passar na fila das habilidades manuais antes de nascer :-P Foi então que lembrei deste brinquedo que eu havia comprado faz algum tempo.



Resolvi adaptar para construir algo parecido com a ideia original, e eis que deu nisso aqui:

 Os pratos coloridos são tampinhas de potes com produtos alimentícios (leite e afins), os sinais vieram com um conjunto de números de plástico, mas você pode fazer com EVA. O caderno quadriculado é útil para ajudar crianças que estão aprendendo a escrever e "armar continhas".


 O jogo começa com a criança "pescando" uma conta de adição num potinho. Você pode começar com contas cujo total seja no máximo 10, depois ampliar para 20, 30, etc.


Ela escreve a continha no caderno quadriculado e coloca a quantidade de bolinhas de acordo com os numerais da conta.

 Depois coloca as bolinhas na "máquina" com atenção: perceba que o princípio básico da máquina de adição é que ela tem dois lados pelos quais a bolinha pode entrar. A primeira entrada é para as bolinhas da primeira parcela (primeiro pratinho) e a segunda entrada para as bolinhas da segunda parcela (segundo pratinho).

 Outro princípio básico da "máquina" é que as bolinhas devem sair todas no mesmo local, independente de por onde entram. Neste caso, elas se acumulam no prato azul no fundo da "máquina".

 Agora é só contar e escrever o resultado no caderno.

 Com crianças que ainda não escrevem a "máquina" também pode ser usada para demonstrar noções de quantidade e adição.

Espero que sirva de inspiração para outras mamães. Com um pouquinho de criatividade você constrói sua versão da máquina de adição com materiais que tem em sua casa mesmo. 

Outra forma de utilizá-la é com tarefinhas impressas. Por exemplo, essa abaixo, que eu adquiri no site da IDEIA CRIATIVA. Ela faz parte da apostila "Alegria de Aprender Matemática" (CLIQUE AQUI para ver), que traz atividades bonitas, interessantes e inteligentes, aprovadas pelo controle de qualidade do meu pequeno Rafa :-)


Atualização em Abril/2014
Hoje encontrei uma versão bem mais simples da máquina da adição e não poderia deixar de compartilhar. A ideia veio DAQUI.

E tem ainda esta versão com garrafas PET feita pela professora Analuci, do blog Vida de professora

6 de março de 2014

Usando o pensamento binário das crianças para ajudá-las a aprender.

Esta dica é especialmente eficaz com crianças no estágio que Wallon chamou de "personalismo" e que está próximo dos 3 aos 6 anos, e na fase "pré-categorial", dos 6 aos 9 anos. Durante parte dessas fases, de maneira cada vez mais nítida, o pensamento da criança que conhece o mundo vai separando os conhecimento em "caixinhas" divididas por categorias genéricas em sua mente: cores, animais, formas, pessoas, lugares... perceba que a maioria dos métodos infantis destinados a essa idade funcionam assim, mostrando o conteúdo dividido em categorias bem distintas e abrangentes. Numa fase posterior essas categorias vão ficar mais refinadas e detalhadas, mas durante muito tempo a criança apreende melhor através dessas "caixinhas mentais".

Outra característica predominante nessas idades é que a dinâmica do pensamento é binária: ela estabelece um dualismo para com os objetos mentais, separando-os em pares.  Traça relações de contraste, de parentesco, de identificação, diferenciação e de oposição, por exemplo: grande-pequeno, branco-preto, rápido-lento, dentro-fora, em cima-em baixo, direita-esquerda, à frente-atrás, cheio-vazio, aberto-fechado, bom-mau, bonito-feio, etc. Enquanto no pensamento adulto o pensamento segue um encadeamento lógico, no pensamento binário infantil é mais fácil contrapor atributos para identificar algo ou construir uma noção. Assim, a criança busca um termo complementar para achar o nexo entre os pares, nexo que nem sempre é lógico, ao contrário do que acontece com o encadeamento do pensamento adulto, cujo nexo pode ter como elo infinitas características lógicas que se relacionam não necessariamente aos pares, mas como uma rede ampla interligada entre si. Há uma clara definição do todo e de suas partes. Já a percepção da criança é global, e às vezes o real e o sentimento se confundem. A abstração é uma tarefa muito difícil e às vezes impossível de realizar.
 
Em termos práticos, como podemos utilizar essa estrutura de pensamento em favor do aprendizado da criança? Muitas vezes, durante o processo de alfabetização, que ocorre justamente nessa faixa etária, a criança se depara com dificuldades para assimilar alguns conceitos, e nem mesmo ela sabe porquê. Cabe ao educador - professor ou pais:
1 - Perceber a dificuldade e isolá-la;
2 - Contrapor essa dificuldade em par com algo que se relacione com ela;
3 - Apresentar o desafio à criança na forma de uma escolha binária: ou esta opção ou aquela.

Seguem algumas fotos para ilustrar um pouco dessa experiência aqui em casa:

Números ou letras? No estágio inicial da alfabetização essa diferenciação simbólica é fundamental. Dê dois potes para a criança e peça que ela coloque números em um e letras em outro.

Sessenta ou setenta? Na hora de nomear as dezenas, é comum as crianças "empancarem" nesses dois, confundindo-os por causa da semelhança fonética. Aqui eu pedia para Rafael me dar o 60 ou 70, e cada vez que ele acertava ganhava um lápis colorido, representando um ponto. Depois de jogar assim umas três ou quatro vezes ele não confundiu mais os números.


 Começando a conhecer as letras minúsculas, eis que aparece esse problema de lateralidade: b ou d? Cada vez que ele apontava corretamente para a letra que eu falava, podia encher seu baú com o "tesouro" (pedrinhas plásticas imitando pedras preciosas). O mais interessante é perceber que enquanto você gasta dias e dias (quiçá meses!) tentando explicar a diferença entre as letras para a criança, diante de um desafio assim ela CRIA as próprias estratégias para diferenciá-las, com o mínimo de intervenção da sua parte.O mesmo pode ser feito com outras letras como p e q, os números 2 e 6 (o dois cursivo parece com o 6), etc.

 GA, GO, GU x GE, GI. Expliquei que quando o G vem junto com as vogais A, O e U, ele fica "forte" (fiz o som do G gutural) e quando vem junto com as vogais E e I, ele fica "fraco" (fiz o som do G palatal). Pedi que ele "capturasse" sílabas fortes ou fracas com seu "super laser" (um brinquedo que emite uma luz vermelha e som de raio), conforme eu ia falando as sílabas aleatoriamente. Quando errava a sílaba "fugia", quando acertava ele levava a sílaba para o lado dele. No final, coloquei novamente as sílabas "que fugiram" para ele tentar capturá-las: nesse tipo de jogo a criança deve sempre ganhar, de um jeito ou de outro. O mesmo exercício vale para a "família silábica" do C.

Esses são apenas alguns exemplos: as possibilidades são inúmeras, basta colocar as dificuldades em termos que a criança possa lidar de maneira simples, de acordo com sua forma de pensar. 

Fonte para saber mais:
Desenvolvimento Psicomotor e Aprendizagem - Vitor da Fonseca - Editora Artmed
Dê uma olhada no sumário do livro e perceba a importância da leitura dele para compreender a mente, o desenvolvimento e o comportamento dos nossos filhos.
Há uma boa parte do capítulo sobre Wallon (de quem sou grande fã) disponível AQUI  e AQUI

28 de fevereiro de 2014

Estimulando a amarrar os sapatos

Quando conheci o método Montessori percebi que o aprendizado das coisas do dia a dia pode ser tão ou mais útil para o desenvolvimento da criança que os conhecimentos enciclopédicos. Mas percebi isso muito depois de perceber também que Vinícius já sabia ler mas não sabia amarrar os sapatos. Sim, há crianças que vão aprender isso mais cedo ou mais tarde, mas é preciso reservar um tempo e muita paciência para ensinar esse grande desafio de coordenação motora fina. No método Montessori, as crianças desde os dois anos fazem exercícios (um exemplo AQUI) que as levam naturalmente a aprender a fazer o laço sem maiores dificuldades. Mas quando a criança não praticou isso no tempo certo, pode precisar de uma ajudinha. E aí entra o motivo deste post.

A Tatiana Wambier, autora do blog Estimulação Infantil, postou esta ideia ótima num dos grupos do Facebook dos quais participo. Ela mandou o link para ESTA MATÉRIA, que explica como uma professora criou o artifício para ajudar seus alunos a aprenderem a amarrar os cadarços. A ideia fez tanto sucesso que ela agora está faturando em cima, mas resolvemos testar para ver se dava para confeccionar em casa mesmo, e deu certo! Segue abaixo o passo a passo.

Este é o modelo original do cartão, que você pode ver NESTE SITE.


 Você vai precisar de um cartão de plástico flexível, régua, marcador permanente (canetinha de CD), um alicate furador (ou um ferro quente, tipo chave estrela), tesourinha de unha. O estilete é opcional, achei melhor usar só a tesoura mesmo (na verdade fui usar o estilete e acabei cortando o dedo kkkk)

Marque quatro bolinhas no centro do cartão formando um quadrado com cerca de 3 cm de lado.  

Fure as bolinhas com um alicate furador ou com um ferro quente.

 Com a régua, marque uma linha entre as bolinhas, fazendo um X (use o estilete ou a canetinha para marcar)

 Com a tesourinha, recorte o X

 Ainda com a tesourinha, recorte um pouco mais as linhas que unem as bolinhas, isso é importante para o cartõa funcionar bem: não deixe largo nem estreito demais (aqui deu cerca de 1milímetro de espessura). Depois, corte um pequeno quadrado no meio. No modelo original, essa parte do meio fica arredondada, mas isso não é imprescindível para o cartão funcionar (especialmente se você, como eu, não é muito prendada): é mais fácil cortar as pontinhas dos triângulos e fazer um quadrado mesmo.

Comece dando o nó no cadarço.

 Enfie o cadarço na bolinha que está mais próxima de você, depois da outra, logo À frente. Faça o mesmo com o cadarço do outro lado.

 Vai ficar assim.

 A parte mais desafiadora é dar um nó "nas orelhinhas", mas o cartão ajuda porque "segura as orelhas" no lugar certo. Peça par a criança puxar com muita força as orelhas, e depois é só puxar o cartão.

Fiz o teste com quatro tipos de cartão. O PIOR foi o de orelhão: aquilo parece feito de aço! Nem o ferro quente conseguiu furar. Teste tb com cartões tipo "cartão de crédito", uma mais fino e outro mais grosso, mas o MELHOR foi o mais simples: um cartão de papel simples plastificado. Isso é ótimo porque você pode criar o cartão do jeito que você quiser, com o nome do seu filho, com os personagens que ele mais gosta, depois imprimir em papel normal e mandar plastificar (cerca de R$ 1,50). Ele é fácil de furar e recortar, e é o que sai mais fácil na hora de puxar pra fora do cadarço.

OBSERVAÇÃO IMPORTANTE: NÃO TORCEMOS PARA O CORINTHIANS. EU NÃO TORÇO PARA TIME NENHUM, E ESSE CARTÃO FOI UMA PIADA QUE UM AMIGO NOSSO FEZ COM MEU MARIDO, QUE TORCE PARA UM TIME LOCAL: ELE GANHOU DE PRESENTE DE ANIVERSÁRIO :-P

Se preferir usar o cartão masi grosso, você vai ter que usar um ferro quente,como uma chave de fenda quebrada ou uma chave estrela, que você pode aquecer na boca do fogão. Mas não gostei porque na hora de puxar do cadarço, ela fica "enganchando" e dá mais trabalho pra sair.

Agora um vídeo do próprio Vinícius explicando como usar o cartão ;-)