11 de janeiro de 2011

Reflexões pedagógicas sobre o método Doman

Este post vai como resposta ao contato da Tayane, que disse estar, como eu, pensando num projeto para incluir a metodologia Doman no sistema de ensino regular. É um trabalho hercúleo fazer as próprias pessoas da área da Educação compreenderem que não se trata de colcoar as crianças numa caixa de Skinner. Mas enquanto estudamos encontramos muito material que pode ser usado como material teórico para apoiar o método.

As reflexões que seguem abaixo eu anotei enquanto estudava par aum concurso de professor de Artes aqui em Recife. Sempre que me aparecer algo que remeta ao método, eu vou "recortar" e colocar aqui, para que possa ser usado como fundamentação teórica em projetos. Não se trata (ainda) de escrever artigos e ensaios sobre o assunto, mas de recolher matéria-prima que possa ser trabalhada. As partes em itálico são comentários meus.

1 - FUNÇAO SOCIAL DA ESCOLA

As citações que se seguem devem ser consideradas no contexto de um país onde, com base em dados de 2007,1,3 milhão das crianças de 8 a 14 anos de idade não sabem ler e escrever, apesar de 1,1 milhão freqüentar estabelecimento de ensino.Entre os alunos de 14 anos, que deveriam estar em vias de concluir o Ensino Fundamental, 46,8% não sabem ler e escrever apesar de freqüentarem a escola. Um país onde a taxa de abandono escola é de 3,2% no ensino fundamental e salta para 10% no ensino médio.

Com uma realidade como esta nenhum método de ensino que se proponham a ensinar a ler precocemente e mais que isso - que se proponha estimular o gosto pelo aprendizado - deveria ser descartado antes de ser bem estudado, antes de se analizar os resultados práticos já existentes. Até porque esses dados estatíticos recaem sobre a parcela mais pobre da nossa população, a parte do povo que está subjugada pela ignorância, e impedida pela falta de uma Educação de qualidade, de mudar os rumos de sua situação social. Estamos falando de crianças que se tornarão futuros operários reprodutores de um sistema econômico injusto, crianças marcadas para continuarem a perpetura a miséria, e que poderiam, através do Conhecimento, quebrar essa cadeia de opressão.


“Ao possibilitar aos alunos o domínio dos conhecimentos culturais e científicos, a educação escolar socializa o saber sistematizado e desenvolve capacidades cognitivas e operativas para a atuação no trabalho e nas lutas sociais pela conquista dos direitos de cidadania. Dessa forma, efetiva a sua contribuição par aa democratização social e política da sociedade.

Há pois um trabalho pedagógico-didático a se efetivar dentro da escola que se expressa no planejamento do ensino, na formulação dos objetivos, na seleção de conteúdos, no aprimoramento de métodos de ensino, na organização escolar, na avaliação. Ligar a escolarização às lutas pela democratização da sociedade implica pois que a escola cumpra a tarefa que lhe é própria: prover o ensino. Democratização do ensino significa, basicamente, possibilitar aos alunos o melhor domínio possível das matérias, dos métodos de estudo, e , através disso, o desenvolvimento de suas capacidades e habilidades intelectuais, com especial destaque à aprendizagem da leitura e da escrita. (...) Os conhecimentos científicos e técnicos progridem num ritmo acelerado, pondo exigências à escola no sentido de reduzir a distância entre o conhecimento comum, popular, e a cultura científica. Daí a importância de elevar o ensino ao mais alto nível contribuindo para colocar de maneira científica os problemas humanos.

Isto implica que a escoloa deve interagir continuamente com as condições de vida da população para adaptar-se às suas estatégias de sobrevivência, visando impedir a exclusão e o fracasso escolar."

LIBÂNEO, José Carlos. Didática. São Paulo: Cortez, (Coleção magistério Série Formação do professor). 20008. p. 34 – 42

2 - TEORIA DA APRENDIZAGEM

É incrível como é difícil, na Educação Infantil, fazer os profissionasi se abrirem para novos métodos. Prevalece a lei do mais fácil. Do mais cômodo. Do "aprendi-assim-e-já-faço-assim-há-muitos-anos". E porque essas crianças ainda não tem capacidade de criticar (pelo menos não em bom "pedagogiquês", elas só bocejam, gritam, choram ou silenciam catatonicamente), muito lhes é empurrado goela abaixo de forma irresponsável, sem levar em conta a repercussão de metodologias equivocadas a longo prazo. Pena que muito sobre Teorias Cognitivas da Aprendizagem não passem do meio acadêmico e seu fechado círculso de intelectuais, para a prática cotidiana - e carente - da vida escolar.

“Nas teorias cognitivas de aprendizagem, categorizar ou organizar o mundo em conceitos é requisito para o desenvolvimento de raciocínios e abstrações mais complexas sobre objetos, situações e fenômenos. É também condição para transferências bem sucedidas de aprendizagem e de construção significativa da realidade social.

Entendemos que desde a Educação Infantil deve ser promovido desenvolvimento de recursos cognitivos associados com apropriação da cultura e da expressão da criança sobre seu mundo, constituindo bases intelectuais e de expressividade para um ensino fundamental e médio mais reflexivo e crítico. (...) Recursos cognitivos como memorizar, comparar, associar, classificar, interpretar, hipotetizar, julgar, etc, combinados com os níveis cognitivos compreensão e reflexão (e suas derivações), permitem visualizar estratégias de aprendizagem que possibilitem essa educação ativa e crítica. A dimensão afetiva também deve ser considerada com impulsionadora de uma vontade de conhecer e compreender melhor o mundo vivenciado."

(por Ruben de Oliveira Nascimento, no ensaio "Processos cognitivos como elementos fundamentais para uma educação crítica")

3 - VYGOTSKY

Vygotsky, assim como Doman, acredita muito na influência do meio social sobre o aprendizado da criança. E muitos dos conceitos desenvolvidos pelo primeiro quanto a Linguagem e Aprendizagem, vem dar fundamento a metodologia do segundo. É fácil adotar Doman numa escola sócio-construtivista - as professoras lá já ensinam as crianças a ler olhando os rótulos dos alimentos e produtos de higiene. As semelhanças e diferenças entre esses dois teóricos dão uma boa dissertação de metrado, não?

“As atividades centradas no referencial vygotskiano consistiram em levar em conta não só aprendizagem apoiada na maturação do aluno, mas naquilo que ainda não está maduro nele e oferecer-lhe possibilidades (mediação) para ultrapassar barreiras decorrentes dessa imaturidade.

Para toda a psicologia da aprendizagem é a possibilidade intelectual a possibilidade de passar daquilo que a criança consegue fazer para aquilo que ela não consegue fazer, e isto que se constitui o conteúdo do conceito de Zona de desenvolvimento proximal."

MANECHINE SANTIAGO, S. (1); CALDEIRA ANDRADE, A. (2) y ROCHA BRANDO, F., no artigo "A interação sócio/afetivo/cultural num contexto de ensino e aprendizagem: uma abordagem vigotskiana"

Um comentário:

  1. Menina, o CD demorou demais a chegar! Sinto muito.
    Olha, tenho aprendido muito por aqui.

    Um abraço.

    Fique com Deus.

    A Julia

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