7 de novembro de 2011

Doman e o ensino voltado para a escrita

É bem importante conhecermos esses dois conceitos: alfabetização é ler e escrever, letramento considera o contexto sócio-cultural em que a alfebetização ocorre. O letramento ocorre desde antes da criança nascer, pois ainda no ventre da mãe ela tem contato auditivo com as palavras, sons e ritmo da língua materna, tanto que cientificamente é comprovado que bebês recém-nascidos são capazes de reconhecer o idioma falado por sua mãe, reagindo de modo especial a ele em relação a outros. O método Doman é maravilhoso nesse processo de letramento pois insere na rotina da criança o contato com muitas palavras e conceitos novos. Em certa idade, que pode variar muito de uma criança para a outra, mas que começa por volta dos 3 anos, o processo de alfabetização se consolida, com o interesse da criança em ler e escrever concomitantemente. Isso pode ser um processo mais ou menos longo, de acordo com os estímulos a que a criança está exposta, e com a atenção que recebe para sua curiosidade natural.

Quando a criança começa a escrever, quem utiliza o método Doman pode se ver diante de algumas dúvidas. Eu vou partilhar aqui algumas que eu mesma tive e que vi outras mães terem igualmente. E vou falar da alternativa que desenvolvi com base nas experiências dessas mães e na minha própria.

Uma das características que mais gosto no método Doman é a sua adaptabilidade. Nem o próprio Doman utilizou o mesmo método que criou desde o início. Ele mesmo fez adaptações e inovações, basta comparar as edições mais antigas dos livros com as mais novas. Isso, de forma alguma, é algo negativo, pelo contrário! É prova que ele é um homem aberto a reconhecer as melhores estratégias, e que está sempre disposto a aprender. Com crianças PRECISAMOS ter essa postura. Pois elas não são iguais, não existe um padrão de mente infantil, mas cada criança é um universo a ser explorado. Por isso você tem toda a liberdade para adaptar este método e qualquer outro à realidade do seu filho, e não sou eu quem afirmo isso, mas o próprio Glenn Doman abre essa possibilidade.

Com respeito especificamente à ESCRITA eu adotei um programa de Bits que segue a sequência abaixo:

1 - Letras maiúsculas, ou bastão.

Porque é o tipo de letra em que é mais fácil começar a escrever. A prova é que nas escolas você perceberá que todo material inicial começa apresentando letras maiúsculas (de forma, ou bastão). O traçado de retas é bem mais simples que o de curvas. Segui a recomendação de Doman em aprensentar as palavras em letra minúscula, mas para esta etapa em especial optei por começar com letras maiúsculas, para que meu filho pudesse se acostumar a elas e reproduzí-las: essa é uma etapa bem inicial da escrita, a reprodução. Você pode utilizar lápis (grandes, se possível triangulares que facilitam a pega), cartões com as letras e papel, letras magnéticas (meu filho escreveu seu nome pela primeira vez aos 3 anos reproduzindo as letras magnéticas), e também trabalhar com outros materiais, como massinha de modelar, pintura a dedo, colagem no formato da letra, escrita em materiais sensoriais, como areia, pintura com giz de cera em cima da letra-lixa (você corta uma letra em papel de lixa de parede e o cola num cartão, depois é só colocar uma folha de ofício em cima e dar o giz do cera para que a criança "descubra" a letra), etc.

Nesta fase você também pode, simultaneamente, ensinar os sons de cada letra. Um site que pode ajudar bastante nisso é o BEBELÊ. O método fônico evita um efeito colateral bem chato do método Doman: a criança tentar "adivinhar" as palavras que não sabe.

2 - Monossílabos

Li sobre essa possibilidade pela primeira vez AQUI, e outras mães posteriormente me disseram ter usado a mesma estratégia. Os monossílabos ajudam a criar um repertório fônico que será utilizado nas sílabas de palavras maiores, depois. Parece com a idéia da alfabetização silábica, a diferença está que os monossílabos são palavras, possuem um sentido em si mesmos, e por isso são muito mais interessantes para a criança que simplesmente decorar as "famílias silábicas" (embora seja inevitável lidar com elas também).

3 - Dissílabos com sílabas repetidas (Ex.: vovó, babá)

A amiga Lorena fez assim e deu muito certo com seu filhinho. A criança compreende, a partir de uma mesma unidade silábica, a possibilidade de criar duas unidades pela repetição.

4 - Encontros vocálicos simples (Ex.: pia)

Ir aumentando o grau de dificuldade: primeiro os dissílabos, depois os trissílabos.

5 - Sílabas simples (Ex.: toca, mala)

Uma maneira muito boa de trabalhar paralelamente essa categoria é utilizando um silabário. Você pode encontrar para imprimir em papel, na internet, comprar uns de madeira, ou em formato de ímã.

6 - Pares mínimos - Palavras que se diferenciam apenas por um único fonema (som). Ex. GATO e PATO

Também li pela primeira vez no site da Ana Júlia. Os americanos, que usam a alfabetização fônica, utilizam muito essa estratégia, de fazer a criança perceber palavras com mesma terminação, por exemplo. Um joguinho simples que vi outro dia num site americano era assim: vários potes, cada um com uma etiqueta escrita um final de palavra (ex.: ato, para "pato, mato, fato"). Vários palitos de picolé, cada um com uma bandeirinha com uma palavra escrita. A criança deveria colocar os palitos no pote com a terminação correspondente. Para ficar mais lúdico, os potes podem ser "navios pirata", por exemplo, e as bandeirinhas, colocadas sobre uma placa de isopor em forma de ilha, os tesouros que pertencem a cada navio. Doman NÃO recomenda essa atividade, especialmente com bebês que estão começando o método, mas como eu já disse, estamos falando aqui de atividades que foram testadas e funcionaram para mães com crianças que estavam em fase de alfabetização.

7 - Dificuldades ortográficas

Nesta categoria estão incluídos os encontros vocálicos especiais (ditongos, tritongos, hiatos) encontros consonantais, dígrafos, diferentes sons da letra C, G, L, Z, M, S, etc. À medida que são apresentadas as palavras, pode-se fazer jogos e atividades para fixá-las. O silabário pode ser incrementado também.

IMPORTANTE:

Essa sequência é apresentada em forma de Bits, seguindo o 1° passo do programa de leitura: palavras soltas. Para enriquecer o vocabulário, você pode usar figuras depois de cada palavra, exemplificando de forma concreta a palavra, e depois de apresentar a sequência explicar o que significa aquelas que a criança ainda não conhece bem, se for possível, com uma brincadeira ou jogo bem concreto também. Procure focar na apresentação das PALAVRAS, que as crianças perceberão as regras. Utilize as regras ortográficas apenas para complementar, a título de informação.

Como a idéia é trabalhar a escrita, faça, para cada grupo de palavras apresentado, atividades de escrita relacionados. Ainda esta semana vou postar aqui um material que fiz e que pode ajudar bastante nessa sequência: o jogo da palavra deslizante.

E a maior dica é: NÃO TENHA PRESSA. Respeite o ritmo de sua criança e considere que ler e escrever deve ser, acima de tudo, um processo de ENCANTAMENTO.

3 comentários:

  1. Muito oportuno este post, pois introduzir a escrita tem sido uma dúvida recorrente entre pais que aplicam método Doman.

    Besitos

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  2. Tá vendo como tudo é intuitivo, eu tb tenho meu próprio jeito de ensinar escrita p minha filha. Do Doman tive q pegar só a "doutrina" pq minha filha enjoou muito rápido dos seu métodos, embora eu ache q tenha ajudado e muito a expandir sua mente e seu racicínio.
    Ela adora tarefinhas e cubrir as letras. Descobriu escrever seu nome sozinha em letra bastão, sem eu a escola ter ensinado. Ensino a cursiva. Então a gente vai indo assim, como a bastão é mais fácil, deixo ela aprender sozinha a letra bastão com livros, joguinhos e ensino a cursiva que é mais díficil e ela vai demorar mais a pegar o controle total da letra.

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  3. Legal, Nanda! A idéia é essa mesma, observar, "sentir" a criança e ir fazendo as coisas de acordo com seu universo. Meu post é só uma sugestão, mas cada mãe tem que adequar os métodos e práticas à realidade particular do seu filho.
    Beijos!

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