13 de outubro de 2011

Doman - Programa de Ortografia

A maioria das pessoas conhece o método Doman por causa do programa de leitura, divulgado no livro "Como ensinar seu bebê a ler". Mas algumas pessoas não sabem que Doman organizou vários programas de inteligência além da leitura, que abarcam diversos aspectos da inteligência da criança, como o programa físico, de idiomas, de matemática, de conhecimento enciclopédico (esses você pode conhecer no livro "Como multiplicar a inteligência do seu bebê"), e, outros menos conhecidos ainda, como os de escrita, música, leitura independente e ortografia (faz parte do programa de Bits de Inteligência).

Na realidade, como a maioria dos pais começam a aplicar o método Doman de leitura em bebês, estão mais interessados que seus filhos leiam. Mas quando estes chegam por volta dos 3 anos, alguns pais despertam para o fato de que a escrita é extremamente necessária para que a criança continue a progredir com a compreensão e expressão da Linguagem. Estou passando justamente por essa fase com meu filho mais velho. Quando ele fez dois anos percebi que deveria trabalhar, juntamente com o método de leitura, exercícios de coordenação motora fina para prepará-lo para a escrita. Com três anos ele escreveu o próprio nome, e a partir daí comecei a utilizar também o método fônico em complemento para ensinar-lhe a ler.

De minha experiência com os dois métodos (Doman e fônico) posso dizer: às vezes dá um nó mesmo! E é normal que seja assim! A criança aos poucos perceberá que ela pode dispor de estratégias diferentes para decifrar palavras. Meu filho, por exemplo, prefere ler usando Doman: é mais rápido! Então às vezes cai no erro de tentar "adivinhar" as palavras. Aí que entra o método fônico, mais trabalhoso porém bem eficaz também. E assim, um ajudando o outro, ele vai conseguindo avançar no letramento.

Um aspecto importante do método fônico é que com ele é possível trabalhar ao mesmo tempo a leitura e a escrita. Temos feito isso aqui de forma divertida. Utilizo um material muito bom, sobre o qual já postei aqui, o "Disney na sala de aula", e também utilizo tarefinhas do método fônico. Para que as tarefas não sejam maçantes, eu crio milhares de historinhas, que ele adora. Assim, na "família do b", por exemplo, eu vou criando uma história utilizando palavras que comecem com a letra b, com a sílaba, ba, depois be, depois bi... p.ex.: "O b encontrou uma banana e deu um beliscão..." e assim por diante, não precisa fazer muito sentido, só estar dentro do contexto semântico da criança (palavras que ela entenda). Procuro criar histórias engraçadas, que rendam risadas e criem expectativa de chegar no final. Enquanto isso ele vai escrevendo as respectivas palavrinhas. No final, dou um adesivo do Mickey e sua turma para ele colar e pergunto: "Vai colar em que palavrinha?", então ele pensa e escolhe: "Vou colar o Mickey na banana". E mais risadas. Temos avançado muito assim. Já tentei até variar achando que ele gostaria mas ele sempre pede: conta história, mãe! Então tá!

À medida que avançamos na escrita, nos deparamos com os problemas ortográficos. E esse é o motivo deste post aqui. Porque o próprio Doman admite a dificuldade com palavras parecidas, de sonoridade semelhante, e o método fônico também não resolve esse problema sozinho. Então existe um programa só para a ortografia. Pretendo começá-lo aqui em breve, sempre utilizando como apoio a palavra "física" também, ou seja, algo que a criança possa tocar, manipular. Dentistas que me condenem, mas utilizo por exemplo, balas de gelatina junto com o alfabeto móvel: cada palavrinha formada, uma balinha. Os pais mais odontologicamente corretos podem usar moedas de brinquedos, fichas valendo um prêmio no final, adesivos, ou até mesmo brinquedinhos como carrinhos, bonequinhas, etc. O importante é motivar.

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(Traduzido e adaptado de "LOS MÉTODOS PARA EL DESARROLLO DE LA INTELIGENCIA DE LOS INSTITUTOS PARA EL DESARROLLO DEL POTENCIAL HUMANO DEL DR. GLENN DOMAN APLICADOS A LA ESCUELA")

O MÉTODO DOS BITS DE ORTOGRAFIA

Para conseguir escrever corretamente é necessária uma longa formação em que se empregam diversos procedimentos:

- Diretos: O estudo das regras gerais ortográficas é indispensável, pois estas contém uma informação valiosa e constituem um guia inquestionável; dão parâmetros seguros e tiram muitas dúvidas. No entanto, não é possível aplicá-las todas de forma consciente enquanto se escreve e, menos ainda, recordar suas numerosas exceções. Por isso é fundamental usar também os procedimentos indiretos.

- Indiretos:

- Leitura - Os bosn leitores dominam os sinais convencionais da escrita e não comentem falhas de ortografia.

- Estudo de gramática e sintaxe.

- Cultura - O armazenamento de informação enciclopédica (Bits de Inteligiência) contribui para a compreensão de textos, evitando, em muitos casos, erros ortográficos.

- Conhecer a origem etimológica das palavras e ter noções das línguas latina e grega, e também estrangeiras como inglês e francês (fazer bits destas matérias).

- Bits de ortografia - É um programa de estimulação rico e de qualidade. Quando maior o número de estímulos, tanto mais se chegará ao domínio da ortografia.

Portanto, o método dos bits de ortografia não trata de substituir as outras técnicas de aprendizagem, mas é usado como complemento para favorecer a assimilação desse conteúdo.

Como fazer e ensinar os Bits de Ortografia

Da mesma forma que no primeiro passo dos Bits de Leitura, mas agrupando as palavras em categorias segundo critérios morfológicos em lugar de semânticos.

Seria desejável unir ambos critérios nos Bits de Ortografia, mas isso é muitas vezes impossível.

- Cada categoria deve ilustrar uma dificuldade ortográfica, por exemplo; palavras com as sílabas GE e GI/ GUE e GUI/ GA GO GU; verbos com uma mesma flexão, como "fiz", "quis"; palavras com uma mesma regra ortográfica (p.ex.: dígrafos).

- A cada semana pode-se mostrar de 1 a 5 grupos de 5 palavras, pegando cada grupo de uma categoria diferente. Uma sugestão: Infantil I - uma categoria, Infantil II - duas categorias, Infantil III - três ou quatro categorias, 1° ano - cinco categorias.

- Em qualquer caso, lembre que o número de grupos deve adaptar-se a suas possibilidade se a respostas das crianças, de forma que sempre tenhamdesejo de ver mais.

- As regras são as mesmas que o resto dos programas Doman. Lembre que as crianças devem estar em silêncio, se possível, não permita que repitam a palavra enquanto você está falando.

- Ponha sempre em prática a filosofia do método materno.

FUNDAMENTOS DO MÉTODO

Os mesmos que o do Programa de Leitura.

- neurológicos, capacidade, curiosidade (psicologia infantil);

- natureza dos estímulos e factores que condicionam sua eficácia,

- a filosofia do método materno.

O método dos Bits de ortografia se baseia especialmente na capacidade excepcional da criança processar dados concretos e a partir deles generalizar.

Assim, ao invés de anunciar a regra e pedir que os alunos a apliquem a casos particulares, ofereça-lhes a informação concreta de que necessitam para descobrir a regra por si mesmos, ao menos, para assimilá-la facilmente com o sólido fundamento dos exemplos que já conhecem.

Como em todo o método Doman, o ideal é começar o programa na tenra idade (entre 2 e 3 anos) pois a maior plasticidade do cérebro facilita a crianção da estrutura neural necessária. É certo que, então, os resultados serão imperceptíveis durante muito tempo, mas graças a esta generosa oferta de estímulos, quando a criança começar a escrever reconheceremos o resultado do esforço empregado.

Se se começa o programa de leitura aos 3 anos, o de Bits de Ortografia poderia ser introduzido aos 4 e continuar em todos os anso escolares até os 7 anos. Se realizado de forma constante e intensiva durante a Educação Infantil, 1° e 2° ano, este sistema pode ser tão eficaz que permite adquirir uma base de dados de grande confiabilidade de modo que resulte quase impossível escrever mal uma palavra ou ler um vocábulo mal escrito sem percebê-lo, ainda que não se recorde a regra ou exceção gramatical.
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EXTRA: Material sobre dificuldades ortográficas para ajudar a fazer os Bits.
AQUI, AQUI, AQUI, AQUI, AQUI, e, ufa!, AQUI
Pra tudo na vida há muitas dificuldades, né? ;-)

Um comentário:

  1. Adorei seu post, vou ver se troco dicas com vc. Fiquei muito tempo ensinando o método Doman com minha filha, mas com o tempo ela foi ficando entediada e parti pro método silábico, pq é o q eu fui ensinada, entao é o q eu conheço melhor, tentei o fônico, mas ela n gostou muito e eu tb n sei aplicá-lo muito bem, por n conhecê-lo bem. As vezes ensino as palavras inteiras como no Doman, faço uma miscelânia, mas ela tá aprendendo. Uso cartazes coloridos, quadro de canetinha, magnético... Gostei da sua idéia das frases engraçadas, já faço algumas, mas algumas são monótonas.
    Eu não sou professora, então tudo que faço é por instinto mesmo e pelo q vou catando na internet e vejo tb como a professora dela tá ensinando.
    Há alguns meses atrás ela tb aprendeu escrever seu nome em letra bastão sozinha, pq eu n ensino letra bastão, nem a professora, depois aprendeu a escrever vovó.
    Ensino exercícios de controle motor e matemática, tanto que esses dias ela aprendeu a somar, fiquei tão orgulhosa dela.

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