16 de novembro de 2011

Feriado - ocasião para unschooling

Feriados são pausas necessárias na rotina, e isso vale tanto para crianças como para adultos. Quem utiliza o método Doman sabe que ele recomenda que sejam dadas pausas em finais de semana, férias, feriados e qualquer outra ocasião que exija mudança na rotina. Seu argumento é que pais e filhos devem estar bem, confortáveis e concentrados no momento de utilizar o método, e sem essas pausas, corre-se o risco de tornar a atividade algo cansativo.

No entanto o aprendizado geral não requer pausas. Porque o aprendizado não precisa ser algo formal. Infelizmente a maioria de nós carrega o ranço da escola quando lembra da palavra "aprender". Parece que isso sempre está associado a carteiras, uniforme, tarefas copiadas, tédio. A verdade é que crianças aprendem o tempo todo, enquanto brincam, enquanto comem, enquanto conversam, enquanto observam. Um adulto com sensibilidade irá perceber os momentos em que ela está querendo aprender e irá se colocar à sua disposição para auxiliar no que ela desejar. Esse é princípio filosófico do Unschooling, conceito criado pelo educador John Holt, que prega a autonomia da criança na escolha dos conteúdos e métodos de aprendizado, que se dá da forma mais natural possível. Não existe escola, mas um adulto que incetiva a exploração do cotidiano da criança como fonte de todo tipo de conhecimento. O currículo é substituído por um ambiente estimulante.

É bem possível que você já tenha praticado unschooling com seu filho sem nem perceber! Deixe eu partilhar alguns momentos de nosso feriado em que fizemos isso.

(Pergunta implícita: quais os sons que a água faz e como meu corpo interage com ela?)

(Pergunta implícita: como é a perspectiva quando se anda assim num banco de praça? Como tenho que me movimentar para conseguir isso?)

"Ah, então esse aí é o boi-da-cara-preta?"

(Primeira vez que Rafael falou "Arco-íris")


(Pequena amostra de perguntas sucessivas de Vinícius na estrada: mãe, como é sol em inglês? E pôr-do-sol? Como é árvore em inglês? Como é madeira em inglês? Como é nuvem em inglês? E como se escreve lago? E como escreve lagoa?)


(Uma de suas brincadeiras favoritas: fazer bolo. Dessa vez ele quis colocar a inicial de cada componente da família em cima do bolo para cantar parabéns para cada um. Descobriu que bastava mudar a posição dos pedacinhos de bolo para conseguir letras diferentes)


(Rafael aprendendo sobre a cor verde. Vinícius percebendo que havia mais tipos de verde que os da sua caixa de lápis de cor)

Pela primeira vez presenciamos Rafael criando uma brincadeira e chamando Vinícius para brincar com ele. Ele descobriu que era divertido andar com uma bóia de praia circular no pé, chutando-a para frente e para trás. Foi pegar outra e deu a Vinícius, mostrando-o como fazer. E ficaram os dois um bom tempo brincando assim. Fizemos um filminho para registrar.

Um fato bem legal que aconteceu e eu também não tirei foto foi quando fomos à pizzaria no sábado à noite. De repente, do nada, Rafael começa a dizer "Cocô". A princípio demos aquela risadinha e checamos a fralda. Nada, tudo limpinho. Mas ele continuou: "cocô, cocô, cocô", sem pudor nenhum dos nossos vizinhos de mesa. Foi só quando ele começou a se empolgar: "Ccccccocôôô!", que eu percebi: ele não estava querendo comunicar nada. Apenas tinha acabado de descobrir como se fala a letra C (Até então ele só conseguia dizer "Totô"). Então começamos a brincar com outras palavras com C: casa, carro, comida, e ele sempre carregando no C, com o maior orgulho do mundo.

Pois é. Feriados são ocasiões excelentes para aprender. E para fazer nada também!

Um comentário:

  1. Menina, tu acreditas que só agora vi esse post?

    E aposto que tu ainda aproveitaste o arco-íris para relembrar a aliança de Deus com Seu povo.

    Eita, família bonita!

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