8 de dezembro de 2011

Doman - Reconhecimento visual da palavra

Mais uma contribuição da amiga Lorena. O artigo abaixo acrescenta muito à teoria defendida por Glenn Doman, de que a leitura é, antes de tudo, uma função cerebral que existe desde que o bebê nasce. Baseado nisso ele desenvolveu seu método conhecido através do livro "Como ensinar seu bebê a ler". Este método consiste, basicamente, em estimular visualmente a criança desde o nascimento, utilizando para isso a palavra escrita e falada através de cartões, seguindo um determinado padrão de intensidade, duração e frequência. Um dos grandes questionamentos que é feito ao método, é que as crianças não estariam "lendo" de fato as palavras, mas apenas decorando-as, porque não teriam a capacidade de desmembrá-las foneticamente e assim compreender o processo de formação das palavras. Já Doman diz que as crianças fazem isso naturalmente, pois depois de compreederem a palavra como um todo, a evolução natural é perceber que elas podem ser desmembradas em sílabas e letras, mas elas poderiam inferir isso sozinhas. O que o artigo abaixo corrobora, é que utilizamos a capacidade de reconhecimento visual como ponto chave para a leitura, a não apenas nosso repertório de fonemas e regras gramaticais. Também coloca a leitura como uma função cerebral, e não apenas uma questão cultural. Essa forma de processamento cerebral da leitura vem a corroborar os argumentos de Doman.

Aprender a ler e escrever muda funcionamento do cérebro

Estudo mostra que, no cérebro, área inicialmente dedicada ao reconhecimento facial se torna “especialista” no reconhecimento de palavras

São Paulo - As mudanças provocadas pelo aprendizado da leitura não se limitam à melhora na qualidade de vida. Estudo conduzido pelo Centro Internacional de Neurociências da Rede Sarah, com a colaboração de cientistas de Portugal, França e Bélgica, demonstra que aprender a ler e escrever altera a forma de funcionamento do cérebro.

“Há uma mudança nas redes neuronais da visão e da linguagem”, afirma Lúcia Braga, presidente da Rede Sarah e coordenadora do trabalho. Os resultados indicam que o cérebro faz um rearranjo de suas funções ao iniciar o aprendizado da leitura.

Uma área inicialmente dedicada ao reconhecimento facial se torna “especialista” no reconhecimento de palavras. Isso, no entanto, não significa que alfabetizados percam a capacidade de identificar rostos. Muito embora, nos testes, os analfabetos apresentaram um desempenho superior aos alfabetizados no reconhecimento de faces. “Outras pesquisas precisam ser realizadas. Mas a nossa suspeita é de que, em pessoas alfabetizadas, o reconhecimento de rostos em parte seja transferido para outra região cerebral”, disse Lúcia.

A pesquisa analisou exames de ressonância magnética feitos em 63 voluntários. O grupo, formado por brasileiros e portugueses, teve a atividade cerebral mapeada enquanto era submetido a estímulos, como ouvir frases, ver palavras, rostos e outras imagens.

Dos voluntários, 10 eram analfabetos, 22 haviam sido alfabetizados na idade adulta e outros 31 aprenderam a ler e escrever ainda na infância. Os exames mostraram que o grupo de pessoas alfabetizadas apresentou uma atividade mais acentuada nas áreas do córtex associadas à visão. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

(Disponível em: http://exame.abril.com.br/tecnologia/ciencia/noticias/aprender-a-ler-e-escrever-muda-funcionamento-do-cerebro - acesso em 04/12/2011)

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