28 de abril de 2011

Momento "valeu a pena", ou, "Uma música vale mais que mil palavras"

Imagine que alguém pega a partitura que segue abaixo e entrega a uma criança de 3 anos e 8 meses:


Agora imagine que essa pessoa diz: "Querida criança, você deverá ouvir esta música de Bella Bartók (Romanian Folk Dances No. 3, Sz. 56) , identificar a melodia, e em seguida reproduzí-la, cantando exatamente como está escrito nessa partitura aí. Essa será sua aula de música hoje."

Se você fosse a criança como reagiria? Será que conseguiria alcançar toda a complexidade dos detalhes deste compositor que foi um dos maiores do século XX? Será que conseguiria reproduzir os mordentes, os acentos, os semitons, rallentando, a dinâmica exigida pelas pequenas variações em piano, os legatos, e outros detalhes afins, tudo isso transpondo a melodia para a sua tessitura vocal?

A resposta é SIM. A diferença é que nada lhe foi pedido. Apenas ofereecido. E não na forma da sisuda partitura acima, mas assim (ver em 7:05 minutos):



Como sei? Meu filhote o fez hoje, na minha frente, sentado na poltrona e se divertindo enquanto cantava a melodia, tão linda e detalhadamente que eu me emocionei. Que orgulho cá no peito! A voz dele percorrendo as notas dessa música abarcaram a estimulação musical que faço com ele desde o ventre, meu discurso sobre aprendizado infantil precoce e minha fé nos caminhos maravilhosos que a mente de uma criança pode percorrer enquanto ela está ocupada em ser feliz.

Meus filhos foram, são e serão esmpre meu maior estímulo na vida.

Textos acadêmicos sobre música e desenvolvimento

Este achado é para compartilhar com estudantes e professores de música que se interessam também por desenvolvimento infantil. Li um artigo na internet que falava sobre a música ser ótima para o desenvolvimento da memória em crianças, e pesquisando sobre o autor da pesquisa citada no artigo, me deparei com um tesouro de dezenas de artigos (em inglês) escritos por LAUREL J. TRAINOR. Sua linha de pesquisa caiu como luva em minhas mãos, pois trata justamente de pesquisas na área de música e desenvolvimento infantil sob a ótica daPsicologia, Neuropsicologia e Psicologia Cognitiva. Perfeito!

Recomendo as leituras também aos pais, porque os temas são muito interessantes. Em suas pesquisas, a professora estuda, por exemplo, o efeito da musicalização em crianças pequenas, a forma como os bebês desenvolvem aspectos musicais como percepção e respostas rítmicas e melódicas. Tudo com excelente documentação científica.

Os artigos podem ser acessados da íntegra no link: http://psycserv.mcmaster.ca/ljt/publications.htm

27 de abril de 2011

Doman e a discussão a respeito de ensinar bebês

Conforme prometi, vou socializar aqui também as expriências que tenho tido no mestrado em Psicologia Cognitiva que tenham a ver com a metodologia Doman. Hoje a aula - muito boa - foi sobre como se processa a formação de conceitos de acordo com a visão de dois grandes teóricos: Piaget e Vygotsky.

Foi a primeira vez que toquei publicamente no assunto de ensinar bebês de acordo com a metodologia proposta por Glenn Doman. E ali, no meio de mestrandos e doutorandos, algumas reações não foram muito diferentes da que estamos acostumados a ouvir de todo mundo. Uma parte da sala concordou que a faixa etária não seria um limitador da aprendizagem, e até citou exemplos de crianças que, por serem estimuladas precocemente, obtiveram um grau de desenvolvimento superior. Dois exemplos que chamaram muito minha atenção foi da diretora de uma escola no interior, que propõe experiências de leitura para a Educação Infantil e por isso enfrenta a oposição dos próprios pais das crianças. Outro exemplo foi a da sobrinha de um colega, que desde um ano estuda numa escola bilíngue (provavelmente a maple bear), e aos três anos já é fluente em inglês, além de demonstrar um desenvolvimento cognitivo superior à média de sua idade. Quando falei que a metodologia Doman propõe o ensino da leitura a bebês desde os dois meses de idade, ouvi algumas interjeições de horror pela sala kkkkk Algumas pessoas foram logo dizendo que não concordavam com isso, como se se tratasse de algo monstruoso, usando as palavras: "A criança não pode queimar etapas da infância", "Criança tem que brincar", "Isso pode levar a criança a um estresse por ser super estimulada". Todo pai e mãe que usa o método Doman já está cansado de ouvir esse argumentos, e, ou tem uma resposta na ponta da língua, ou simplesmente evita falar sobre o tema para não gerar polêmica, porque ninguém conhece o método verdadeiramente até se debruçar sobre ele.

Mas no caso em questão, acredito ser minha responsabilidade fazer um trabalho de informação, pois ali estão pessoas formadoras de opinião, pessoas que serão apontadas como referência para muitos alunos. Então, embora eu defenda que cada um tem o direito de ter sua opinião sobre o que quer que seja, acho que é saudável que todos eles conheçam os argumentos que defendem a estimulação precoce através do método Doman, para que, então, possam formar sua opinião.

Falei pouco pois o debate tem que ser feito dentro do limite da aula, onde há vários tópicos a serem abordados. Depois, quem sabe na apresentação de um trabalho, pretendo retomar o tema e dar maiores detalhes. Mas vou escrever aqui alguns pontos que levantei:

1 - Ensinar bebês - música, leitura, matemática ou qualquer assunto enciclopédico - não é algo monstruoso. Porque o que os bebês mais gostam é de aprender. Quando isso é feito de forma lúdica, afetuosa, sem cobranças, mas procurando apenas oferecer estímulos ao seu cérebro sedento, o resultado é uma criança saudável e feliz. E o resultado é o que menos preocupa, pois o processo é a melhor parte do ensino.

2 - A decisão de ensinar bebês é algo cultural. Citei o exemplo dos índios Sioux, que Doman tambémvcita, os quais costumam dizer que seus bebês "nascem em cima de cavalos", e aos dois anos a criança já tem seu próprio cavalo, que maneja com uma destreza invejável. Bem, eu jamais colocaria meu filho aos dois anos em cima de um cavalo sem supervisão (na verdade nem eu aos 32 subiria com segurança em cima de um cavalo). Será que os índios Sioux são geneticamente diferentes de nós? Não, apenas faz parte de sua cultura estimular os bebês nesse sentido. Que nem por isso se tornam menos crianças.

3 - A metodologia Doman tem por premissa "Não testar". E com isso descartamos a cobrança que poderia ser feita à criança e qualquer estresse gerado nesse sentido. Porque o objetivo não é formar robozinhos super inteligentes para serem exibidos, mas proporcionar à criança momentos agradáveis de aprendizado. O próprio aprendizado é associado a um momento de alegria e amor. Não se fazem as sessões quando a criança ou os pais estão se sentido cansados, mau-humorados ou simplesmente não estão a fim. Justamente para que o aprender esteja sempre vinculado ao prazer. Que grande diferença isso pode fazer na vida de uma criança! Ela pode aprender a sentir prazer no aprendizado, ou, de repente, se chocar com o mundo da escola, onde o aprendizado proposto é feito fora do âmbito seguro do seu lar, seguindo padrões coletivos que não podem se amoldar a suas necessidades individuais. Na segunda situação, as chances de dificuldades de aprendizado são bem maiores que na primeira. Mesmo que eu seja uma defensora da utilização da metodologia Doman nas escolas, acho que sua utilização em casa, pelos pais, tal como é originalmente proposto por Doman, é insubstituível.

4 - A metodologia Doman respeita a infância, por isso é aberta à interferência dos pais e mães no sentido de tornar o aprendizado o mais lúdico possível. Respeitados alguns fundamentos, pode-se adequar o método ao ritmo e modo de aprender de cada criança, individualmente. Durante uma aula de leitura ou música os bebês podem (e devem) correr, pular, dançar, ouvir histórias e sons engraçados, sorrir com as brincadeiras que a mamãe faz para chamar sua atenção para as palavrinhas, receber beijos e abraços ilimitadamente, se divertir junto com sua mãe/pai/cuidador. Pergunte à sobrinha daquele meu colega, que aos três anos já é fluente em inglês, se foi chato, enfadonho ou terrível aprender inglês. Agora espere trinta anos e pergunte a ela, quando estiver na minha idade, se ela acha que foi errado ter aprendido inglês tão cedo. Bem, certamente ela não estará como eu, me debatendo com cursos preparatórios para dar conta do mestrado/doutorado. Bebês não precisam ficar presos a uma caixa de Skinner para aprender.

5 - Além do afeto que estimula o aprendizado em bebês, existe uma inegável condição neurológica nessa fase da vida que precisa ser aproveitada: a quantidade de sinapses feitas pelo cérebro até os cinco anos de idade é algo incrível e que nunca mais se repetirá na vida. Nessa fase elas aprendem com grande velocidade, facilidade e vontade. Quanto mais informações recebem, tanto mais elas são capazes de reter. Existem vários trabalhos que tratam sobre as "janelas de oportunidade" nesse período, ou seja, os melhores momentos para começar a ensinar esportes, língua estrangeira, música, leitura, matemática. Doman defende que o quanto antes isso seja feito, melhor, mas as respostas da criança devem ser levadas em conta e respeitadas. Se ela não estiver acompanhado, simplesmente "dá-se um tempo" até que ela queira aprender. A escolha do que aprender também não é papel exclusivo dos pais, mas passa pelos interesses da criança e pelas experiências desta com o mundo. Eu não preciso ensinar meu filho a ler utilizando palavras que falem sobre legumes (que ele infelizmente não gosta), mas posso fazê-lo participar utilizando palavras que falem sobre o zoológico que visitamos no final de semana, e ele aprenderá isso feliz e rapidamente.

6 - As pessoas costumam dicotomizar o brincar e o aprender, separando-os em esferas incomunicáveis, provavelmente porque foi essa sua experiência de vida: na escola aprenderam que havia hora de brincar e hora de estudar. Mas não tem que ser assim. O Construtivismo, o método Montessori e todas as correntes pedagógicas que os seguiram estão aí para provar que pode-se aprender brincando. Também não é necessário que você ensine a criança o dia inteiro, o tempo todo (embora o bebê passe o dia aprendendo de ouras formas). Mas uma hora que seja reservada todos os dias especificamente para ensinar-lhe algo útil - engatinhar, ler, escrever, amarrar os sapatos - pode fazer diferença pelo resto da vida dessa criança. Um minuto que seja já fará bastante diferença. Doman explica como 30 segundos podem fazer diferença ("Como usar 30 segundos", no livro "Como multiplicar a inteligência da criança"). Basta acreditar e respeitar o potencial da criança como ser pensante.

7 - Algumas máximas de Doman sobre essa discussão (que podem ser vistas em explanações mais detalhadas em seus livros "Como multiplicar a inteligência do seu bebê" e "Como ensinar seu bebê a ler"):
- "As crianças querem, podem, devem e estão multiplicando a sua inteligência. E isso é fácil, divertido e agradável."
- "Como poderiam o conhecimento e a verdade, presenteados com amor, gerar negativismo? O conhecimento conduz ao bem, e crianças mais inteligentes tem menos razões para resmungar e mais motivos para sorrir."
- "Crianças mais inteligentes são as que menos resmungam, choram, reclamam e agridem, pois tem mais motivos para fazer as coisas. Ou seja, acontece com as crianças o mesmo que com os adultos."
- "É bom e não ruim ser inteligente"
- "A criança não tem que ser superior a ninguém, a não ser a si própria".
- "Todos os pais querem filhos mais fortes (fisicamente). Muitos estão indecisos sobre se esses mesmos filhos deveriam ser mais inteligentes. Eu me preocupo demais com um mundo que adora músculos e teme a inteligência."
- "Primeiramente, existe a escola de pensamento cuidado-para-não-quebrar para a prevenção da aprendizagem. A segunda é a escola coloque-a-no-cercado-de-onde-ela-não-pode-sair para a prevenção da aprendizagem. A criança está tentando desesperadamente aprender e nós estamos tentando desesperadamente obrigá-la a "brincar com o chocalho"."
- "Todos os bebês são gênios linguísticos. Por isso é mais fácil ensinar uma criança de um ano uma língua estrangeira do que uma de sete anos."
- "Se você ensinar a uma criança pequena os fatos, ela descobrirá as regras que os governam."
-"Se quiser destruir a motivação da criança para aprender, continue a testá-la e apontar suas imperfeições. Se deseja aumentar sua motivação, descubra o que está fazendo certo e fale sobre isso com muito entusiasmo".
- "Nossos filhos são tão inteligentes quanto lhes permitamos ser. Isto é especialmente verdade durante os seis primeiros anos de vida".
- "Você pode ter dois problemas em relação à inteligência do seu filho: falta dela ou o excesso. Qual você prefere?"

Ok, acabei escrevendo aqui muito mais coisas do que falei da sala hoje, hehehehe. Mas como eu disse, ainda pretendo retomar o tema por lá em outra oportunidade. Ao longo do tempo também vou colocar mais argumentos aqui, que podem ser acessados pelo marcador FUNDAMENTOS TEÓRICOS.

24 de abril de 2011

Dica de livro para estimular linguagem escrita

Meu filho mais velho está com três anos e meio. E nesta idade o método Doman não tem sido suficiente para suprir toda a sua sede de conhecer. Por isso ofereço outras experiências e conforme ele vai aceitando, aprofundo o que ele demonstra ter mais interesse. Claro, ele é uma criança como qualquer outra: adora brincar no parque, jogar bola, assistir desenho na TV, fazer amizade. Mas adora aprender. O método Domam fez com que ele se interessasse pelo mundo da linguagem: seu vocabulário aumentou significativamente, seu interesse em ler também. Mas agora ele quer escrever. Embora eu saiba que existe um programa específico em Doman para ensinar crianças a escreverem ainda não o conheço profundamente por falta de tempo para pesquisar. Por isso tenho utilizado o método fônico como alternativa para o letramento do filhote aqui em casa (mais ou menos 1 hora por dia, descontados fins-demana, feriados, idas ao médico e dias aperriados). Tem dado muito certo, e sua escrita passou rapidamente da fase pictórica para a fase pré-silábica. Agora está adentrando a fase silábica/silábica-alfabética. Para quem não está muito familiarizado com os temos,vejamos uma breve explicação:







Um material que tem me ajudado bastante nesse processo é uma coleção da Disney chamada "Disney na sala de aula", da editora IBEP.

Descobri por acaso numa livraria, veja a sinopse: "A coleção 'Disney na Sala de Aula' foi desenvolvida visando complementar a aprendizagem nos ciclos iniciais do ensino, utilizando metodologia pedagógica aliada à experiência de contar histórias. A coleção é composta por 12 livros, e cada um contém atividades elaboradas para desenvolver habilidades e competências consideradas essenciais para o sucesso escolar. Adesivos interativos, jogos, cartas, entre outros, visam ajudar a criança a conhecer, praticar e dominar habilidades importantes para o processo de alfabetização e de letramento. Cada livro desenvolve um conteúdo que é apresentado por uma família de personagens Disney,tais como: Mickey Mouse e seus amigos, Pooh, Toy Story, Princesas, Fadas e Carros. Este tem como personagem a 'Branca de Neve'. "


Comecei com o livro de letras maiúsculas do Pooh, aliando cada letra a suas sílabas fonéticas correspondentes (para isso uso também como apoio o site Bebelê).

Tem um carinha bem desafinado que canta no site, mas dá pra engolir porque a idéia é original, boa e gratuita. Às vezes baixo o som e cantamos eu e meu filho. Não tenho forçado nada, e procuro manter um ritmo que não seja cansativo mas que também não subestime a inteligência dele. É incrível mas na escola, até agora, ele só viu a escrita da letra A e da letra E. Isso é dar migalhas para mentes que querem muito mais. Basta disponibilizar conhecimento que vemos com que sede eles vão atrás. O alfabeto não é mais novidade pra ele faz tempo. Mas agora ele o está vendo com novos olhos, com olhos de quem quer escrever, decodificar para se expressar. E sempre aparece com uma palavra nova, que de repente prestou atenção para me perguntar: "Mãe, essa palavra começa com Ba, não é?", ou, "Mãe, como escreve tal palavra?" Respondo mas levo tudo em clima de brincadeira, sem ansiedade, sem testes, sem estresse. Os livros da coleção Disney ajudam porque têm histórias, adesivos, espaço pra pintar, fazer joguinhos, tudo é ensinado de forma muito lúdica. Mas muito metódica. As letras maiúsculas, por exemplo, não seguem a ordem alfabética, mas são divididas pelas formas geométricas que as compõem: traço reto, inclinado, curvo ou circular. Tem muito mais lógica quando o foco é a escrita. Outro ponto forte é que a coleção pode ser combinada conforme o interesse da criança: linguagem, raciocínio lógico e matemática. O nível de palavras e frases utiliza o método da "palavração", ou seja, as palavras não são apresentadas por sílabas, mas inteiras, através do reconhecimento textual feito nas histórias. Alguém pode argumentar que misturar métodos de letramento assim pode causar confusão na cabeça da criança. Por aqui vejo o contrário: a variedade de métodos enriquece a experiência do meu filho com as palavras. Ele percebe diferentes nuances e as une para compor a sua própria lógica no apreender a linguagem. Acho justo que sejam mostrados diferentes caminhos para a aprendizagem a fim da criança decidir por um - ou criar o seu próprio, pois ninguém aprende igual a ninguém.


E assim vamos caminhando. Em um mês e meio passamos da fase pictórica para a silábica/silábica-alfabética (às vezes essas fases acontecem juntas), com muita diversão e sorrisos. É um momento só nosso, mãe e filho, momento de afetividade que cataliza a aprendizagem. Hoje ele já escreve seu nome e pequenas palavras que decifra foneticamente, como uva, ioiô, vovó, lua, etc. Eu sei que um dia,aos 4, 6 ou 10 anos de idade ele vai aprender a escrever tudo. O tempo para isso não me interessa. Mas esse nosso tempo passado juntos, isso sim é valioso, único, frutífero, urgente e insubstituível.