24 de maio de 2011

Caixas

Não há nada mais estimulante para um bebê que... caixas! E crianças as adoram também
Isso tanto é verdade que é comum ouvir relatos de pais que compraram mega-presentes para seus filhos e viram, com tristeza, os bebês preferirem as caixas aos presentes em si.
Sem problema! De fato, dependendo do presente, a caixa em que ele vem pode proporcionar muito mais conhecimento que o próprio brinquedo hehehehe
Eu lembro com que alegria, na minha infância, eu e minhas irmãs festejávamos quando chegava algum eletrodoméstico novo. Lembro de uma vez que minha mãe comprou um quarto novo e vieram muitas caixas grandes. Eu passei o resto do mês transformando as caixas em casinhas no quintal e brinquei com elas até elas não aguentarem mais de pé. AMAVA aquilo! Uma pena não ter fotos para mostrar, mas lembro até hoje dos detalhes de cada uma, as janelinhas, cortinas, desenhos, etc.
Crianças inventam mil maneiras de explorar caixas, mas você pode ajudá-las. Basta se unir a elas e abrir a mente para a criatividade. Isso pode render muita diversão!

Veja abaixo algumas sugestões de uso para caixas de papelão para diferentes idades:

(Fonte: http://reciclagemesucata.blogspot.com/)

Cubo didático (as figuras são presas e soltas com velcro):

Caixa didática (com potes e tampas para manipular):

Quebra cabeças (cada face da caixa monta um quebra-cabeças):



(Fonte: Google)

Teatrinho:


Expositor de trabalhinhos:


Robô:
Carrinho:
Avião:

Casinha:

castelo:



(Fonte: Nádia e Montessori)

Passa-formas:
Caixa formas1

Caixa formas2

Organizadores (neste caso, de cores e formas):

Cores e Formas

(Fonte: Quero um colinho e Primeiros Passinhos)

Neste lindo blog as educadoras usam as caixas como túnel (trabalhar a permanência do objeto tão importante nessa fase), casinha com obstáculos (as fitinhas na porta são um tipo de barreira para o bebê enfrentar), e as próprias caixas podem servir como andador e apoio para levantar, mecanismos de percepção tátil (colar coisas em auto-relevo, colocar objetos novos para o bebê, de diferentes texturas dentro, como uma "caixa de descobertas"), visual (colar fotografias e figuras), sonora (colocando objetos sonoros dentro). Além do clássico empilhamento de caixas, ou melhor ainda, derrubamento de caixas, que eles AMAM.



(Fonte: minha casa)

ônibus:

E quando a caixa está só o bagaço, ainda dá pra ser uma prancha ou "tapete voador":



Quer se tornar um mestre na arte da caixa de papelão? Dá uma olhada AQUI e AQUI

16 de maio de 2011

crianças adoráveis fazendo música com alegria

Elas parecem pequenos prodígios pelo fato de aprenderem a dominar complexos elementos musicais muito cedo. Mas o que mais chama a atenção não é sua inteligência musical: é a alegria que demonstram em fazer música. Algo que toca o coração mesmo de musicistas adultos e experientes.









5 de maio de 2011

Doman - Vamos falar de idade

Por esses dias me peguei pensando algo que me assustou (e mesmo as mães tem esse tipo de pensamentos assustadores às vezes): "Por que será que meu filho de três anos parecia mais inteligente aos dois anos que agora?".

Deixem-me explicar. Meu filho mais velho é muitíssimo inteligente, não tenho dúvidas quanto a isso. E seu desenvolvimento cognitivo é normal, em alguns aspectos até superior à média (como mãe tenho que destacar isso,né?). Mas o modo como ele aprende agora é diferente. A velocidade também é perceptivelmente diferente. Aos dois anos ele parecia ter mais atenção, facilidade e concentração nos momentos de aprendizagem formal. Agora se dispersa, perde o foco, e até esquece algumas informações que já parecia ter assimilado.

Isso também está acontecendo com você e seu filho? Será que está tudo bem com nossos filhos ou eles estão vivendo algum tipo de regressão?

Para responder a essas questões vamos analisar a opinião de um grande estudioso da aprendizagem infantil chamado Henri Wallon. Ele elaborou uma teoria em que explica o desenvolvimento infantil em fases. Vamos aqui analisar três dessas fases:

0 - 1 ano - estágio impulsivo emocional
Marcado pela exploração do próprio corpo,o qual começa a usar para se comunicar, e impulsividade motora. O bebê é guiado por funções fisiológicas: respiração, alimentação, sono. Aidna não é capaz de diferenciar-se do ambiente, tampouco da mãe (sim, ele acha que você é parte constituinte dele). Por meio da afetividade na relação com seus cuidadores vai experimentando o universo ao seu redor. Nessa fase predomina a EMOÇÃO.

1 a 3 anos - estágio sensório-motor e projetivo
As principais características dessa fase são o anar e o falar. A criança se ocupa do reconhecimento espacial dos objetos e de si mesma, diversifica sua relação como meio, aparece a linguagem para ajudá-la nessa interação. Desenvolve a capacidade de prolongar uma experiência na lembrança, antecipar, combinar, calcular, imaginar, sonhar. É a fase de descoberta e exploração do mundo externo, e a criança se interessa muito pela repetição de suas ações, pela imitação, e devido a evolução cerebral, seus sentidos se aprimoram, bem como sua coordenação. Nessa fase predomina a COGNIÇÃO pela atividade motora.

3 - 6 anos - estágio do personalismo
A criança começa a se conhecer como sujeito. Sabe a expressão "desde que eu me entendo por gente"? Pois é, nessa fase a criança começa a se entender por gente. E ela faz isso através de um curioso mecanismo: por vezes ela expulsa o outro, se opondo a ele para se afirmar (a famosa fase do "dizer não para tudo", teimar e fazer birra), mas ao mesmo tempo ela mobiliza estratégias para seduzir o outro, bem como imitá-lo. É a primeira "crise de identidade". Embora seja de amargar, os pais precisam compreender que ela é necessária para a formação da personalidade da criança, que está ocupada em demarcar "o eu e o outro", condição que permitirá novas conquistas no próximo estágio, especialmente quanto a inteligência. Essas contradições precisam ser adminsitradas com muito cuidado e paciência, especialmente porque todo dia a criança parece sofrer uma reviravolta no modo como interage com as pessoas e o seu ambiente, na ânsia de se auto-afirmar. Como vocÊ ja´deve desconfiar, nessa fase volta a predominar a EMOÇÃO.

Percebe como isso explica a diferença na forma de aprender também? Uma criança entre 1 e 2 anos está totalmente voltada para o aprendizado, para a cognição, seu cérebro está a pleno vapor na tarefa de captar tudo e transformar estímulos em conceitos, percepções, atividades, linguagem. É como pedir para um pianista profissional tocar "parabéns a você": ele vai fazer isso muito bem e sem esforço!

A criança depois dos três anos, porém, vai estar mais voltada para o plano emocional, e isso vai interferir bastante nos momentos de aprendizagem. O que não precisa ser ruim. Porque a emoção tem a propriedade de dar significado à aprendizagem, e assim torná-la duradoura. A criança na fase anterior, se não tiver os estímulos constantemente reforçados ( por hábitos e atividades específicas), não consegue deter a aprendizagem tão facilmente quanto nesta fase posterior. Na realidade, a criança na fase sensório motora está passando por um processo cerebral de "varredura", em que o cérebro vai escolher as conexões mais utilizadas para permanecerem ao longo da vida, e vai dispensar outras conexões não muito usadas. Esse processo diminui na fase do personalismo. E a aprendizagem ganha aspectos mais profundos, a percepção da criança, sua forma de interagir com o objeto, sua consciência, memória, habilidades sensoriais, tudo está mais desenvolvido que na fase anterior, embora agora você tenha que "ajustar o foco" na forma de apresentar os estímulos a ela. Isso pode ser um trabalho diário, porque efetivamente, nessa fase, elas parecem querem algo diferente todos os dias - e até ao mesmo tempo.

Por isso Glenn Doman recomenda que a estimulação da criança deve começar o quanto antes. E afirma que é muito mais fácil ensinar um bebê de dez meses que uma criança de dois anos.E é mais fácil ensinar uma criança de dois anos que uma de três, e assim sucessivamente (capítulo .

O desdobramenteo prático disso aqui em casa, é que eu não preciso fazer tanto esforço para chamar atençao do meu filho menor, de um ano, na hora de apresetnar palavras, sons e qualquer tipo de estímulo formal. Por si só ele concentra toda a sua atenção para as informações oferecidas e atividades propostas. Ainda que o tempo em que se mantém em estado de alerta seja bem curto para uma única atividade, esse tempo prolonga-se muito no caso de uma sucessão de estímulos diferentes, como é o caso do programa de bits e leitura de Doman. E o retorno que ele dá, demonstra que ele fixa grande quantidade de informações numa velocidade extraordinária.

Quando a gente se acostuma com isso, estranha uma fase posterior, onde esse ritmo de aprendizagem dimunui. Mas não podemos perder de vista que, se por um lado, esse ritmo diminui, por outro lado a aprendizagem se aprofunda, e passa a envovler aspectos que com um ou dois anos a criança ainda não atingia. Ou seja, a aprendizagem se torma mais significativa e duradoura. Você vai ter mesmo mais trabalho para ensinar. Mas o retorno vai ser mais rápido e durar pra toda a vida, sem tanta necessidade de repetição: nessa fase a criança não só grava,mas é vapaz de analisar, organizar, combinar e sintetizar informações. Mais importante que ver ela repetindo coisas como um robozinho, vai ser ver ela utilizando essas coisas na prática, inventando meios de aplicá-las em diversas situações, ou seja, se humanizando no melhor sentido do termo.

Portanto tenha em vista sempre (e isso é um conselho para mim também) que é você quem precisa se adaptar às fases de desenvolvimento do seu filho, e não ele a sua ansiedade de vê-lo aprender tudo bem depressa. Saiba respeitar o ritmo e modo de aprendizagem dele, e você verá que os progressos virão de forma muito mais válida e feliz.


(Vinícius com 1 ano e 11 meses, no auge da fase sensório-motora, depois de um mês conhecendo essa apresentação de power point sobre instrumentos musicais, inspirada no método Doman. Atualmente, com 3 anos e meio, ele chama tímpano, conga ou bongô de tambor - desaprendeu o que sabia na escola, onde lhe ensinaram assim: "É de bater com a mão? É tambor". E como ele não teve contato com contextos envolvendo orquestra/instrumentos nesse meio tempo, lá se foi o aprendizado anterior por água abaixo. Oh, sim, precisamos rever esse ppt...)

Mais textos acadêmicos sobre música e desenvolvimento

Esses são em português, e mesmo sendo acadêmicos podem ser lidos por qualquer pai e mãe que se interessa sobre o desenvolvimento de seu filho. Embora o foco seja Música, há vários textos que relacionam música e aquisição de linguagem (falada e escrita), música e percepção, raciocínio, necessidades especiais, desenvolvimento motor, auditivo, visual, social, intelectual... enfim, música e desenvolvimento infantil global. Com muitas pesquisas para fundamentar. Se você ainda tem preconceitos com esse tipo de leitura, experimente dar uma olhadinha...

Procure no menu: "Revistas" e "Anais".

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE COGNIÇÃO E ARTES MUSICAIS


Já para professores de música e educação infantil é leitura obrigatória mesmo e ponto, hehehe.