1 de janeiro de 2012

Férias 2012 - A importância de não fazer nada

Começo do ano passado, por esta época eu estava ensandecida: tinha que encontrar algo para meu filho fazer nas férias. Tinha que arranjar uma colônia de férias legal. Tinha que planejar passeios educativos, atividades extra, novos DVDs. ESte ano estou bem mais tranquila pois tenho aprendido como é importante, para a educação da criança, não fazer nada. Pois é. Deixa ver se eu explico melhor.

Este ano fará 18 anos que me uni à Igreja Adventista do Sétimo Dia. Durante este tempo, percebi que uma das dúvidas mais frequentes das pessoas leigas quando à minha religião (além de nos confundir - não sei porquê - com os mórmons), diz respeito ao que fazemos no sábado. "Vocês não fazem nada, é?" ou "O que vocês fazem pra o dia passar?". As perguntas passam sempre a impressão de que, no sábado, dia que nos abstemos de trabalhar ou fazer qualquer atividade que se converta em benefício material para nós mesmos, passamos o dia deitados, olhando para cima e esperando o tempo passar.

Para a maioria dos adventistas, no entanto, o sábado é o dia mais ocupado da semana. Além dos cultos na igreja(a finalidade principal desse dia é adorar a Deus), oferece-se estudos bíblicos, faz-se visitação em creches, asilos, orfanatos, ou na casa de doentes, de membros que não foram à igreja por algum problema, promove-se programas sociais, participamos de corais ou grupos musicais, classes de estudo aprofundado da Bíblia, enfim... o que não falta é o que fazer. Mas tudo foge à rotina semanal do trabalhar-para-consumir. Procuramos mudar o foco, e nos voltarmos para Deus e para o próximo. Procuramos tomar tempo para a contemplação. Por isso também aproveitamos o dia, frequentemente, para estar com a família junto à natureza, cultivando um tempo agradável juntos, sem nenhum compromisso extra, embora sejamos sempre surpreendidos por conseguir descobrir Deus nessas pequenas coisas não planejadas.

O "FAZER NADA" a que me referi no início deste post tem a ver com isso: mudar o foco, deixar-se fluir junto com a vida, sem a paranóia de um objetivo específico a ser alcançado, viver sem cenários, no máximo, só um pano de fundo. Quando o assunto é Aprendizado uma coisa é certa: as crianças estarão sempre aprendendo, mesmo que não estejam numa atividade planejada e dirigida. Diria até que em tempo livre elas acabam, muitas vezes, aprendendo mais que nas horas passadas junto aos "adultos ensinadores". Mudei a forma de ocupar o tempo dos meus filhos desde que percebi isso. Procuro tirar algum tempo para que eles mesmos escolham o que fazer - ou não fazer. E eu mesma tenho me obrigado a fazer isso porque, caraca, se eu não fizer isso esta combinação de síndrome de défict de atenção + síndrome do pânico que carrego me matam. Demorou 32 anos e duas gravidezes para eu aprender a fazer nada. E isso foi justamente ano passado, depois de uma das duas colônias de férias em que eu o tinha colocado, jurando que ele estaria ali muito feliz e bem cuidado por estar ocupando todo o tempo livre.

No último dia ele bateu o pé que não queria ir. Eu fiquei indignada, fiz sermão dizendo o quanto eu seria feliz quando criança se meu pai me colocasse numa colônia de férias daquelas, e falei sobre todas as tividades maravilhosas que ele tinha acesso ali, dos amigos que fez, das coisas que aprendeu... ele então me encarou e disparou essa: "Mãe, mas eu gosto de ficar comvocê. Gosto de ficar na minha casa, no meu quarto, com meus brinquedos. Eu não quero fazer nada, quero só ficar aqui." Tão simples, né? Foi com essa sabedoria do alto dos seus 3 anos que eu entendi a importância de ter preguiça, parar e aprender a fazer nada. Ao contrário do que pode se pensar, um tempo assim é terreno cheio de fertilidade. Então peguei-o pela mão e fomos lá para o quintal, exercer a sublime atividade de olhadores de nuvens sem responsabilidade meteorológica.

4 comentários:

  1. Minha filha tb é assim, adora a casinha dela. Ela ama passear, mas no fim do dia é na casa dela q ela quer estar. Fazer nada as vezes é muito bom mesmo.

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  2. Sábias palavras, amiguinha.

    Sim, é tão importante parar. Parar para apreciar, para contemplar, meditar, deitar no chão aconchegadinha com as crianças e o marido (Fabrício chama isso de "aglomerado familiar").

    Até minhas filhas já perceberam a importância do sábado: mamãe não fica no computador, a família faz um piquenique na sacada. Certa vez, ela me disse : "Mãe, no Sábado você fica mais paciente, mais legal".

    Ah, acabei de te ligar para desejar Feliz 2012, mas ninguém atendeu.

    Beijos

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  3. Isso, isso, isso! Adorei!
    "Fazer nada" = VIVER!!!!

    Esse é um dos motivos pelos quais resolvi ficar em casa com meu filho quando nascesse, para que ele pudesse crescer ao ritmo próprio, para que tivesse direito a ficar em casa!
    Acho que essa é minha melhor lembrança da infância, passei 6 anos em casa, sem compromissos...
    Grande abraço mesmo!

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  4. oi, Luciana, também sou adventista, se vc tiver, gostaria de sugestões práticas do que fazer no sábado com as crianças, material, livros, etc...meu e-mail ericat.paiva@gmail.com
    obrigada!
    bjs

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