26 de janeiro de 2012

Maneiras de consertar e conservar os livros das crianças

Eu sou uma maníaca por livros. Amo livros. E não me refiro só à literatura, ao livro como significante de leitura. Eu amo o objeto livro: passar as mãos nas páginas, sentir o cheiro, segurar, folhear. Fui uma criança com poucos livros. Mas devorava tudo que me chegava às mãos. Lia todos os textos do livro de português da escola antes das aulas começarem. E como meus pais achavam que os únicos livros necessários para nós eram os da escola, eu lia as enciclopédias do meu pai, seus livros de curso de eletrônica, as revistas dos Testemunhas de Jeová que a minha avó nos dava, os livros velhos que encontrava guardados na estante (da minha casa e das casas das pessoas da família). Não contente com a pouca ludicidade daquele universo de livors sérios, eu criava meus próprios livros. Usava as folhas de borrão que meu pai trazia do trabalho (folhas de formulários adminsitrativo, com um lado branco), e ali desenhava e escrevia histórias, criava a capa e pronto: eram os meus livros. Até hoje tenho alguns guardados. O primeiro livro que escrevi se chamava: Flipinho, o peixinho.

Esse preâmbulo é para explicar o porquê deste post: não me conformo quando vejo um livro estragado. A primeira vez que vi Vinícius rasgando um livro tive um xilique. Ele tinha cerca de um ano, e como é natural nesta idade, ele rasgou o livro como mais uam forma de explorá-lo. Mas eu não estava preparada para aquilo. Passei mal, ralhei, briguei, chorei, me indignei, escondi o livro. Com o tempo fui aprendendo a lidar com a curiosidade típica dos bebês. A primeira providência foi separar os livros entre aqueles que poderiam ser livremente manuseados, e aqueles que seriam melhor aproveitados se usados comigo ou o pai monitorando. Esses últimos coloquei numa prateleira alta. E crio momentos especiais para usá-los, para lermos juntos com os meninos. Já os outros ficam o tempo todo à disposição deles e aqui em casa essa estante de livros à mão é bem mais visitada por eles que as caixas de brinquedos. Iniciativa deles. E mérito do mercado de livros infantis que tem transformado mesmo os livros em brinquedos também.

De qualquer forma é inevitável que de vez em quando apareça algum livro danificado. Ainda me dói o peito. Mas procuro reagir com mais naturalidade. Não quero que eles fiquem com medo de manusear os livros, com receio de usá-los, quero mais é que usem, e acho até saudável que os livros fiquem um pouquinho "sambados" com cara de quem foi lido muitas vezes, é pra ser assim mesmo (os puristas que me desculpem, mas sou do tipo que crio intimidade com os livros para sublinhar, escrever notas, brincar com as lombadas, etc). Por isso respiro fundo, explico calmamente que não pode fazer aquilo como livro, que a gente tem que tratar o livro com carinho. Depois pego a vítima nos braços, coloco no cantinho do "pronto socorro dos livros", e num momento oportuno vou lá, com ares de médica cirurgiã fazer o conserto do livro. Pode ser um livro que custou R$ 0,50, pode ter sido um que recebi de graça, para mim todos tem um imenso valor e JAMAIS jogo livro fora, na pior das hipóteses eu o transformo.

Seguem abaixo algumas dicas que sao fruto da minha vasta experiência na "sala de cirurgia".

LIVROS DE PAPEL

Aprendi que quase todo dano em livros de papel pode ser consertado com cola branca e fita durex larga. É mais ou menos como montar um quebra-cabeças: encaixe a parte rasgada e cole a fita por cima. Claro que fica perceptível que houve um rasgão ali, mas o importante é deixar o livro em condições se ser lido novamente. E acredite, as crianças não vão se importar com a "cicatriz".

Em casos extremos, no entanto, em que o livro foi muito rasgado - para não dizer picado, triturado, mastigado e cuspido - há outra técnica, demonstrada abaixo. Recorte com uma tesoura o que der para aproveitar do livro, dando prioridade às ilustrações. Se o livro for impresso dos dois lados, tente dar prioridade às ilustrações mais representativas. No caso abaixo, eu refiz a capa pegando uma imagem da internet pra salvar a ilustração que estava atrás da capa, mais difícil de encontrar. Separe tudo, e cole em cartolina colorida. Depois organize as figuras e textos (talvez seja preciso digitar novamente o texto e imprimir, foi o que fiz), cole nas cartolinas, numere para não errar a ordem, e passe papel contacto por cima. NÃO ENCONOMIZE NA HORA DE COMPRAR O PAPEL CONTACT, pois marcas baratas não valem a pena, são terríveis e estragam todo o seu trabalho. Depois fure as páginas e prenda com uma braçadeira de náilon, que você encontra bem baratinho em pacotes em lojas que vendem artigos para escritório ou material de construção (se seu marido for engenheiro melhor ainda, ele pega as sobras da obra). Voilá! Um livro novinho outra vez!



LIVROS DE PANO

São sem dúvida os mais resistentes e duráveis. Pode comprar muitos desses, que eles vão durar gerações. Para limpar, use água e sabão, mas se for o caso de livros com um componente eletrônico, use Vanish, daquele que se usa em carpete, com spray aplicador e uma escovinha de dente ou maior, dependendo do tamanho da mancha.

Se o livro rasgou o descosturou e você não maneja bem linha e agulha, muito menos máquina de costura, uma dica preciosa: cola para tecido. Vende-se em casas especializadas em artesanato para colar apliques em roupas, fazer barras de calça, etc. Testei e ela é ótima mesmo! Passou até por lavagem em máquina e não descola. Mas só serve em tecidos de algodão.


LIVROS DE BANHO

Aqueles de vinil, que apesar de serem de banho servem a qualquer hora e são ótimos para levar a tiracolo, pois aguentam um rojão também e são bem fáceis de limpar. Às vezes eles descolam na emenda entre o vinil e a espuma que o preenche fica saindo. Sem problema: vá num grande supermercado, loja de departamentos ou loja especializada e procure a sessão de PISCINAS INFLÁVEIS. Lá você vai encontrar kits de reparo para piscinas e colchões de vinil que servem perfeitamente nos livros. São adesivos e cola vinilica. A cola de vinil você pode encontrar também em lojas de material de construção.

IMPORTANTE!

- As colas não podem ser manejadas por crianças pois podem ser tóxicas se inaladas.
- No caso dos livros de papel, encapar ou passar fita durex grossa nas bordas da capa torna-os mais duráveis.
- Às vezes um dano tem que ser olhado com criatividade. Nem sempre precisa ajeitar, talvez no máximo adaptar. Já comprei livros em lotes em brechós e alguns vieram rasgados. Especialmente aqueles com pop-ups 3D, que duram bem pouco nas mãos dos pequenos, eles rasgam mesmo. Alguns eu improvisei colando figuras em EVA por cima da paisagem devastada. Mas há casos como o do livro abaixo: arrancaram a cabeça da vaca, mas eis que Vinícius olha e diz: "olha, mamãe, é o bumbum da vaca!" Então tá! Imaginemos uma vaca de costas e tá tudo bem!

2 comentários:

  1. Oi acompanho seu blog desde o início! Apesar de nunca ter comentado, leio todos os posts. Pratico o ensino domiciliar e acho suas dicas super importantes! Gostaria de dizer, que assim como você, amo livros! Mas, também não tive oportunidade de tê-los em minha infância. No entanto, sempre que podia, fazia uma visitinha na Biblioteca da Escola. Também tive contato com as Testemunhas de Jeová desde criança e devorava tudo que elas me apresentavam. Acabei por me tornar uma também. Hoje, faço questão de comprar livros para minhas filhas. Lemos todos os dias Histórias da Bíblia, antes de dormir. No dia-a-dia, também lemos muitas outras historinhas. Parabéns pelo blog e obrigada pelas dicas!!!

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  2. Olá, Ana Paula! Obrigada por comentar!
    Aqui eu tenho o "Meu livro de histórias bíblicas" para os meninos, e tenho o "Poderá viver para sempre...", um de conselhos para jovens e adolescentes, que foi meu companheiro boa parte da adolescência (embora minha avó o tenha dado a minha irmã) e toda vez que visito minha avó ela me dá exemplares da Sentinela e Despertai. Sou uma grande fã da literatura dos Testemunhas e Jeová, e acho que ela me influenciou muito positivamente na vida. Quando fiz 15 anos e já andava de ônibus sozinha, comecei a frequentar bibliotecas também, passava às vezes o dia todo lá, hehehehe tempo bom!

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