17 de outubro de 2012

Para gostar de matemática

Esta postagem é a primeira de uma série sobre nossa vivência em matemática.

Meu filho mais velho ADORA matemática. Isso não é herdade, pelo menos não de mim, que nunca tive um relacionamento muito bom com essa disciplina escolar. Sim, porque para mim a matemática era isso, uma disciplina escolar com livros cheios de fórmulas e cálculos para decorar. Só no meu último ano do ensino médio foi que descobri - por mim mesma - que aquelas fórmulas tinham sentido, tinham uma explicação e talvez até uma utilidade, o que muito me surpreendeu.

Acho que isso resume a experiência de muitas pessoas com a matemática. Mas eu não queria que fosse assim com meus filhos. Por isso desde cedoe intuitivamente, busquei apresentar a matemática de maneira prática e divertida, algo não só interessante, mas que responda a questões do dia-a-dia.

Seguem abaixo alguns exemplos de como trabalho a matemática com meus filhos. Toda vez que digo: "agora vamos estudar matemática", eles pulam e vibram de alegria. Uma coisa que eu nunca tive o prazer de fazer, heheheh
 1 - Trabalhe sempre com objetos concretos. Está mais que provado que o aprendizado em crianças pequenas é mais eficaz quando elas manipulam os conceitos pelas vias sensoriais.

 2 - Sempre que possível - e eu acho que sempre  é -, relacione os assuntos estudados com coisas do cotidiano, em que a criança possa aplicar o conhecimento de maneira prática, funcional. Aqui, Vinícius estudando um relógio de parede e entendendo como a tabuada de cinco pode ajudar a nomear o tempo.

 3 - Aproveite todas as ocasiões para reforçar os conteúdos trabalhados. Eles derramaram as balas no chão? Então vamos contar enquanto as guardamos na sacola. Os mais velhos podem contar de dois em dois, e acredite, não vão ficar chateados por fazer isso.

 4 - Use materiais que você tem em casa, coisas do uso rotineiro. Nem sempre é preciso gastar dinheiro comprando jogos caros quando você pode inventar os seus. Separei esse material para nossa aula sobre o litro: garrafas de vários tamanhos, mamadeira graduada, seringa graduada, copo medida...

 ... e fomos para nossa piscininha inflável. Como o tempo estava meio nublado ele preferiu não entrar, mas num dia de calor nada melhor que estudar se refrescando, não é?  Aqui, entendendo o conceito de milímetro.

 Aqui, registrando a capacidade de cada garrafa em milímetros (ml).

 Aqui, não apenas treinando a coordenação motora fina, como também lidando com a prova piagetiana de conservação dos líquidos: vasilhames diferentes possuem a mesma capacidade de armazenamento! Percebeu? É assim que ele vai percebendo...

Mas voltando à matemática, quantas garrafas de 1 litro eu vou precisar pra encher a garrafa de dois litros? E quantas de 500 ml? E quantas de 250ml? Num primeiro momento, não são os cálculos que são importantes, mas a percepção, a apreensão do pensamento matemático.

Só depois do concreto vamos para o papel para registrar nossas observações. Aqui, trabalhei centenas (por causa dos milímetros) e uma atividade específica sobre medidas.

 5 - Enquanto isso, Rafael estava trabalhando formas geométricas. Nem sempre dá para incluir os dois na mesma atividade, especialmente nas atividades escritas...


 Mas mesmo o pequeno Rafa pode participar das mesmas situações concretas que Vini. Aqui, pesando nossas garrafas sensoriais numa balança de cozinha e registrando o peso em gramas.

 Enquanto Vinícius registrava, Rafael ia "selecionando" as garrafas a serem pesadas. Cada um deles sairá da atividade com diferentes níveis de apreensão do conceito, mas nenhum deles sairá sem ter aprendido algo. Rafael ainda não sabe a diferença entre quilo e gramas, mas já pode precisar o que é leve e o que é pesado.

 Já Vinícius fez a classificação entre "a mais leve" e "a mais pesada" analisando o registro que ele mesmo fez. Pedi que apontasse qual das pesagens indicava mais de um quilo (mil gramas), e ele respondeu com muita segurança.

 6 - Faça a criança perceber que estamos cercados de números por todas as partes, e a matemática é uma forma de linguagem entre nós e o nosso ambiente. Brincando com a fita métrica conversamos sobre medidas de comprimento.

Rafael quis medir o tamanho do seu narz...

... e o tamanho da barriga de Vinícius kkkkkkk

E eles nem perceberam que passaram metade de uma tarde "estudando" sobre medidas. Estávamos apenas "brincando de matemática" :-)

3 comentários:

  1. Muito legal! Que criança não adora aprender brincando não é? Meu filho tb ama! Muito legal ver os irmãos "estudando" juntos!! Vi seu post lá no grupo montessori!! Bjs!!

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  2. olá, muito legais suas dicas, mas vi que seu filho já é um poquinho maior que o meu mais velho...o que vc indicaria uma atividade para um menino de 3 anos e meio e um de 1 ano e 3 meses?

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  3. Lu, não pare de nos alimentar com suas ideias, vc esta contribuindo com a vida de milhares de crianças. Muito obrigada

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