29 de janeiro de 2012

Os piores erros dos pais em relação à musicalidade dos filhos

Ninguém é obrigado a saber tudo. E em se tratando de Arte, também não podemos cobrar que todos os pais tenham o conhecimento técnico e pedagógico mais perfeito para educar os filhos. Eu, por exemplo, sou formada em "Educação Artística", mas minha habilitação é em música, e o pouco que sei de artes plásticas e educação aprendi por aí, em livros e blogs porque a Universidade não me preparou para isso. Já cometi muito erros, por exemplo, dar a clássica tarefinha para pintar: a árvore verde, o sol amarelo, o coração vermelho. Precisei que alguém da área me dissesse que além da coordenação motora fina, a pintura deve exercitar a imaginação, a sensibilidade, a criatividade. Por isso o sol poderia ser vermelho, a árvore amarela e o coração verde.

Então, já que estudei um pouquinho mais sobre isso, me sinto na obrigação de dar algumas dicas de como os pais devem agir quanto a educação da musicalidade de seus filhos. Vale ressaltar que a inteligência musical é algo que todas as crianças tem em maior ou menor grau. Quando devidamente estimulada, toda criança pode se tornar uma pessoa com boas habilidades musicais. Isso não depende estritamente de "talento", mas de estímular precoce e corretamente. Toda criança também, mesmo a mais "talentosa" (i.e. com inteligência musical mais aguçada), pode tomar aversão à música ou a se expressar musicalmente se receber estímulos negativos.

Também é necessário dizer que estimular a inteligência musical não significa necessariamente formar músicos. A musicalidade bem desenvolvida vai influenciar outros aspectos da inteligência, como o raciocínio lógico-matemático, a oralidade, a motricidade, o controle emocional, a capacidade de concentração e atenção, a sociabilidade, capacidade de expressar-se e tantos outros.

Há várias situações a considerar. Hoje vou colocar algumas de que lembro aqui, e quando lembrar de outras vou editando o post. Comentários e sugestões são muito bem-vindos também!

Situação 1 - A mãe dá um violaozinho de brinquedo para o bebê. O bebê começa a bater a mão no tampo do violão. A mãe diz "Você não tá tocando certo, é assim, ó" (coloca as mãos nas cordas).

Comentário: A primeira coisa a considerar é que para bebês e crianças na primeira infância não há "jeito certo de tocar". Instintivamente elas fazem a coisa certa, que é explorar o instrumento/brinquedo de todas as formas possíveis. E é bom que seja assim. É bom que ela descubra todos os sons que ela pode tirar dali. Você pode ajudá-la orientando, mostrando outras formas de conseguir sons legais: "Se você puxar com o dedidinho a corda vai sair um som gostoso!". A segunda coisa a considerar, é que bebês vão batucar em quase tudo que puderem, logo, os instrumentos apropriados para essa idade são os percussivos (tambores e afins). Mesmo que através do Suzuki você consiga ensinar violino para seu filho(a) de 3 anos, a técnica nunca deve vir em primeiro lugar. A prioridade é fazer a criança ter boas experiências com os sons e amar a música.

Situação 2 - "Você não tá cantando certo! Está errando a letra/melodia!"

Comentário - Sobre errar a melodia, até mesmo professores muitas vezes erram por chamar as crianças de desafinadas, e dizer que estão cantando errado. É preciso compreender que o canto é MUITO emocional. Quando aprendemos canto profissional compreendemos que nossa voz responde ao canto seguindo percepções e caminhos que passam pelo sentimento, e cada cantor desenvolve técnicas muito subjetivas a partir dessas percepções. Por isso ser tão taxativo com uma criança pode criar um bloqueio que a impeça de vir a cantar corretamente para o resto da vida, e mesmo tomar aversão à música. Provavalmente vão se sentir retraídas diante da oportunidade de cantar, e mais tarde dirão que "não nasceram ou não tem jeito para isso". Qualquer correção melódica deve ser feita com muito cuidado, não apontando para o desempenho da criança, mas para a música em si: "Veja, vamos subir (ou descer) mais um pouquinho esta nota aqui?", ou "Que lindo! Agora vamos ver se conseguimos cantar exatamente assim". Leve-a a perceber a própria voz (é muito bom que grave e ouça suas produções) e a tentar imitar um modelo correto, pois a audição das crianças é muito guiada pela imitação. Por sinal, se uma criança é desafinada, é porque ela tem pais ou cuidadores desafinados, uam vez que todas as crianças nascem com a afinação perfeita, e o ambiente é que as faz perder isso. Valorize bastante a produção vocal da criança, mesmo que ela não soe muito "correta". Valorize sua espontaneidade, e deixe a técnica em segundo lugar. Cantar com emoção autêntica é mais importante que uma voz perfeita. Que seria de gênios como Cássia Eller ou Kurt Cobain se não fosse assim?
Agora mais um ponto: crianças adoram criar. E isso é maravilhoso! Elas gostam de compor e arranjar em cima de melodias conhecidas. Às vezes juntam duas, três músicas diferentes numa só. Inventam letras. Cantam até a metade, depois improvisam. Cantam usando boca chiusa (fazendo mmmmm) e todo tipo de barulhinhos, onomatopéias, clique, clacs, sons com o corpo, efeitos especiais e sílabas soltas. É pena que os adultos toldem sua criatividade dizendo que estão erradas. Crianças adoram experimentar sons, e fazendo isso elas desenvolvem uma espécie de "biblioteca sonora" que seu cérebro acessará a qualquer tempo para desenvolver músicas mais estruturadas. Isso não é erro, amigos, é inteligência da mais fina espécie.

Situação 3 - "Para de fazer barulho!"

Comentário - Crianças são cientistas. E ciência às vezes faz barulho, bagunça, sujeira. A musicalidade precisa do "barulho" para se desenvovler. Compreendo perfeitamente seus sensíveis e estressados ouvidos de pai e mãe. Mas bater nas panelas e em outros objetos barulhentos é o melhor exercício para educar crianças com um ouvido inteligente. Aqui em casa essa frase está banida. Só censuro gritos porque realmente fazem mal para as pregas vocais deles. O resto do universo sonoro inteiro está liberado. Se a coisa aperta, tenho protetores auriculares de silicone que são uma beleza (à venda em lojas de esportes, na sessão de natação).

Situação 4 - "Brinquedos musicais enchem o saco!"

Comentário - Concordo! E alguns tem um volume até mesmo perigoso! Eu dou um jeitinho de abafar o auto-falante para eles não ficarem tão prejudiciais à saúde auditiva. Mas eles ainda são necessários. Primeiro que a relação causa e efeito é bem trabalhada por aqueles botoezinhos. Isso é um rudimento do que futuramente será tocar um instrumento. Segundo que a audição das crianças é muitíssimo mais analítica que a nossa. Você só consegue ouvir uma musiquinha irritante sendo tocada pela milésima segudna vez. A criança, a cada vez que ouve a música presta atenção a detalhes diferentes. Faz um mapeamento rítmico, melódico, harmônico, se for o caso, percebe a textura, o timbre, e tenta imitar aquilo. Eu sempre me surpreendo, por exemplo, com meu filho mais velho cantando as musiquinhas dos jogos de computador. Tem umas realmente complicadas, meio dodecafônicas mesmo, mas ele canta direitinho. Pra chegar onde querem elas não se importam de ouvir trezentas milhões de vezes a mesma coisa. Exercitar os sentidos e aprender são coisas bem naturais para elas... não tenha pressa de fazê-las perder isso.

Situação 5 - "Não mexe no som/DVD!"

Comentário - Difícil, né? Mas aprendi que este é um clássico caso de "se não puder contra eles, una-se a eles". É melhor ensinar a eles como mexerem no som, DVD, computador, ou outro treco eletrônico do que ficar censurando o tempo todo. Com três anos ou menos eles já são capazes de operar aparelhos que eu só aprendi (mal) aos 20. Sinal dos tempos!
Mas mais do que isso, é bom que a criança escolha. Que tenha suas músicas preferidas e as acesse. Que tenha liberdade para voltar e ouvir quantas vezes quiser sua música preferida (vide tópico anterior). Só aconselho a fazer uns backups de segurança, tá?

Situação 6 - "Você vai estudar piano porque e o instrumento mais bonito e completo."

Comentário - O estudo de um instrumento é maravilhoso e muito importante para desenvolver a musicalidade e a inteligência da criança. Há pesquisas que demonstram que crianças que estudam instrumentos precocemente tendem a ter melhores desempenhos escolares que a média dos alunos, além de obterem uma elevação da inteligência linguística e matemática (aferidas por testes de QI). Mas se você puder escolher entre aula de instrumento e aula de musicalização, prefira as aulas de musicalização. Nessas aulas a criança deverá ter contato com vários instrumentos, não apenas um. Ela vai conhecer um pouco sobre vários deles, e criar, produzir sons com eles, sem muito compromisso com uma técnica rígida nem longas horas de ensaio (não sei de onde tiram que tocar um instrumento é a coisa mais divertida do mundo - quase sempre não é). Na musicalização a criança vai poder escolher qual o timbre que mais lhe agrada, e gostar de um instrumento é muito importante para tocá-lo bem. Não escolha por seu filho, de acordo com o que VOCÊ gostaria de tocar. Dê liberdade de escolha. Pense que é como um casamento: você tem que ter pelo menos um pouco de simpatia antes de começar a relação.

Situação 7 - "Aprenda a ler partitura."

Comentário - Um amigo meu disse que o filho estava estudando teclado, mas queria tocar por cifras, como via os amigos fazerem. O pai e amãe o repreenderam, dizendo que era melhor ele tocar pela partitura, que era mais certo. O menino não tocou mais nunca. Perdeu o gosto. Queridos pais, deixem essa hierarquização de músicos "profissionais x amadores", essa guerrinha de ver quem é mais virtuosi para o mundo dos músicos. Apóiem seus filhos quando eles quiserem se expressar, e deixe-os livres para percorrer seus caminhos. Por si só a criança que aprendeu a amar a música vai sentir necessidade de aprofundar seus conhecimentos e desenvolver sua técnica. Mas não matem a paixão que dá vida à musicalidade das crianças. Lembro sempre de um poema de Olvao Bilac que diz:

"Ah! quem há de exprimir, alma impotente e escrava,
O que a boca não diz, o que a mão não escreve?
(...)
O Pensamento ferve, e é um turbilhão de lava;
A Forma, fria e espessa, é um sepulcro de neve...
(...)
Quem o molde achará para a expressão de tudo?
Ai! quem há de dizer as ânsias infinitas
Do sonho? e o céu que foge à mão que se levanta." [para escrever]

Crianças devem ocupar as maozinhas tocando, e um dia elas vão querer por si mesmas descobrir como lidar com a forma fria das partituras. Aplaudam as crianças. Elas são gênios artísticos cuja beleza o mundo vai fazer de tudo para apagar.

26 de janeiro de 2012

Maneiras de consertar e conservar os livros das crianças

Eu sou uma maníaca por livros. Amo livros. E não me refiro só à literatura, ao livro como significante de leitura. Eu amo o objeto livro: passar as mãos nas páginas, sentir o cheiro, segurar, folhear. Fui uma criança com poucos livros. Mas devorava tudo que me chegava às mãos. Lia todos os textos do livro de português da escola antes das aulas começarem. E como meus pais achavam que os únicos livros necessários para nós eram os da escola, eu lia as enciclopédias do meu pai, seus livros de curso de eletrônica, as revistas dos Testemunhas de Jeová que a minha avó nos dava, os livros velhos que encontrava guardados na estante (da minha casa e das casas das pessoas da família). Não contente com a pouca ludicidade daquele universo de livors sérios, eu criava meus próprios livros. Usava as folhas de borrão que meu pai trazia do trabalho (folhas de formulários adminsitrativo, com um lado branco), e ali desenhava e escrevia histórias, criava a capa e pronto: eram os meus livros. Até hoje tenho alguns guardados. O primeiro livro que escrevi se chamava: Flipinho, o peixinho.

Esse preâmbulo é para explicar o porquê deste post: não me conformo quando vejo um livro estragado. A primeira vez que vi Vinícius rasgando um livro tive um xilique. Ele tinha cerca de um ano, e como é natural nesta idade, ele rasgou o livro como mais uam forma de explorá-lo. Mas eu não estava preparada para aquilo. Passei mal, ralhei, briguei, chorei, me indignei, escondi o livro. Com o tempo fui aprendendo a lidar com a curiosidade típica dos bebês. A primeira providência foi separar os livros entre aqueles que poderiam ser livremente manuseados, e aqueles que seriam melhor aproveitados se usados comigo ou o pai monitorando. Esses últimos coloquei numa prateleira alta. E crio momentos especiais para usá-los, para lermos juntos com os meninos. Já os outros ficam o tempo todo à disposição deles e aqui em casa essa estante de livros à mão é bem mais visitada por eles que as caixas de brinquedos. Iniciativa deles. E mérito do mercado de livros infantis que tem transformado mesmo os livros em brinquedos também.

De qualquer forma é inevitável que de vez em quando apareça algum livro danificado. Ainda me dói o peito. Mas procuro reagir com mais naturalidade. Não quero que eles fiquem com medo de manusear os livros, com receio de usá-los, quero mais é que usem, e acho até saudável que os livros fiquem um pouquinho "sambados" com cara de quem foi lido muitas vezes, é pra ser assim mesmo (os puristas que me desculpem, mas sou do tipo que crio intimidade com os livros para sublinhar, escrever notas, brincar com as lombadas, etc). Por isso respiro fundo, explico calmamente que não pode fazer aquilo como livro, que a gente tem que tratar o livro com carinho. Depois pego a vítima nos braços, coloco no cantinho do "pronto socorro dos livros", e num momento oportuno vou lá, com ares de médica cirurgiã fazer o conserto do livro. Pode ser um livro que custou R$ 0,50, pode ter sido um que recebi de graça, para mim todos tem um imenso valor e JAMAIS jogo livro fora, na pior das hipóteses eu o transformo.

Seguem abaixo algumas dicas que sao fruto da minha vasta experiência na "sala de cirurgia".

LIVROS DE PAPEL

Aprendi que quase todo dano em livros de papel pode ser consertado com cola branca e fita durex larga. É mais ou menos como montar um quebra-cabeças: encaixe a parte rasgada e cole a fita por cima. Claro que fica perceptível que houve um rasgão ali, mas o importante é deixar o livro em condições se ser lido novamente. E acredite, as crianças não vão se importar com a "cicatriz".

Em casos extremos, no entanto, em que o livro foi muito rasgado - para não dizer picado, triturado, mastigado e cuspido - há outra técnica, demonstrada abaixo. Recorte com uma tesoura o que der para aproveitar do livro, dando prioridade às ilustrações. Se o livro for impresso dos dois lados, tente dar prioridade às ilustrações mais representativas. No caso abaixo, eu refiz a capa pegando uma imagem da internet pra salvar a ilustração que estava atrás da capa, mais difícil de encontrar. Separe tudo, e cole em cartolina colorida. Depois organize as figuras e textos (talvez seja preciso digitar novamente o texto e imprimir, foi o que fiz), cole nas cartolinas, numere para não errar a ordem, e passe papel contacto por cima. NÃO ENCONOMIZE NA HORA DE COMPRAR O PAPEL CONTACT, pois marcas baratas não valem a pena, são terríveis e estragam todo o seu trabalho. Depois fure as páginas e prenda com uma braçadeira de náilon, que você encontra bem baratinho em pacotes em lojas que vendem artigos para escritório ou material de construção (se seu marido for engenheiro melhor ainda, ele pega as sobras da obra). Voilá! Um livro novinho outra vez!



LIVROS DE PANO

São sem dúvida os mais resistentes e duráveis. Pode comprar muitos desses, que eles vão durar gerações. Para limpar, use água e sabão, mas se for o caso de livros com um componente eletrônico, use Vanish, daquele que se usa em carpete, com spray aplicador e uma escovinha de dente ou maior, dependendo do tamanho da mancha.

Se o livro rasgou o descosturou e você não maneja bem linha e agulha, muito menos máquina de costura, uma dica preciosa: cola para tecido. Vende-se em casas especializadas em artesanato para colar apliques em roupas, fazer barras de calça, etc. Testei e ela é ótima mesmo! Passou até por lavagem em máquina e não descola. Mas só serve em tecidos de algodão.


LIVROS DE BANHO

Aqueles de vinil, que apesar de serem de banho servem a qualquer hora e são ótimos para levar a tiracolo, pois aguentam um rojão também e são bem fáceis de limpar. Às vezes eles descolam na emenda entre o vinil e a espuma que o preenche fica saindo. Sem problema: vá num grande supermercado, loja de departamentos ou loja especializada e procure a sessão de PISCINAS INFLÁVEIS. Lá você vai encontrar kits de reparo para piscinas e colchões de vinil que servem perfeitamente nos livros. São adesivos e cola vinilica. A cola de vinil você pode encontrar também em lojas de material de construção.

IMPORTANTE!

- As colas não podem ser manejadas por crianças pois podem ser tóxicas se inaladas.
- No caso dos livros de papel, encapar ou passar fita durex grossa nas bordas da capa torna-os mais duráveis.
- Às vezes um dano tem que ser olhado com criatividade. Nem sempre precisa ajeitar, talvez no máximo adaptar. Já comprei livros em lotes em brechós e alguns vieram rasgados. Especialmente aqueles com pop-ups 3D, que duram bem pouco nas mãos dos pequenos, eles rasgam mesmo. Alguns eu improvisei colando figuras em EVA por cima da paisagem devastada. Mas há casos como o do livro abaixo: arrancaram a cabeça da vaca, mas eis que Vinícius olha e diz: "olha, mamãe, é o bumbum da vaca!" Então tá! Imaginemos uma vaca de costas e tá tudo bem!

22 de janeiro de 2012

Sites que elaboram as tarefas das crianças por você

Se você estiver sem inspiração ou sem tempo para criar tarefinhas novas (há dias que não temos nenhum dos dois), que tal visitar uns sites-fazedores-de-tarefas-automáticos?
É uma idéia bem popular nos EUA, há vários deles. Os americanos utilizam bastante aquelas tarefas clássicas de cartilhas, do nosso tempo, que ficaram meio fora de moda por uns tempos, mas que hoje são revistas como mais um - não o único - instrumento para ajudar na alfabetização das crianças. Há tarefinhas como cruzadinhas, caça-palavras, ligar as palavras às figuras, cobrir tracejado, e o seu trabalho é apenas escolher as palavras, o tipo de letra, que o site gera a tarefa para você. Legal, né? Quebra um galhão nas férias.

Seguem alguns links abaixo abaixo:

http://twistynoodle.com/worksheets/
Colorir a figura e cobrir palavras. Você escolhe a categoria da figura e a fonte.

http://www.worksheetworks.com/
Milhões de combinações para fazer tarefas de linguagem, matemática, geografia, quebra-cabeças e muito mais.

http://abcteach.com/abctools_home.php
cruzada, bingo, sudoku, jogos de linguagem e mais.

http://www.esl-kids.com/worksheets/worksheets.html
Escolha um tema, clique em "New random list" e veja quanta tarefas legais e fofas são criadas automaticamente. Só em inglês.

http://www.toolsforeducators.com/
Você pode escolher as figuras por tema e pode editar as palavras e fazer tarefas em português.

http://www.handwritingworksheets.com/
Para fazer tarefinhas de cobrir letras.

http://tools.atozteacherstuff.com/
Caça-palavras, cobrir, preencher. O legal é que no caça palavras você pode escolher formatos bonitinhos e fiderentes (edite em grid styles)

http://www.kidzone.ws/tracers/index.htm
Outra de fazer tarefas de cobrir. Mas gera figuras por tema e você pode escolher entre cursiva, minúscula ou maiúscula, além de diferentes fontes. Gera livrinhos de cobrir palavras em inglês também (por tema).

http://www.writingwizard.longcountdown.com/one-word_handwriting_worksheet_maker.html
Além das tarefinhas de cobrir palavras, também gera tarefas de matemática.

http://www.teachers-pet.org/
Essa é uma macro apra o Word, e o legal é que dá pra usar offline, mas eu confesso que baixei, instalei, me enrolei e não consegui usar.

http://www.teacherview.com/tools/index.html
Cruzadas, caça-palavras e matemática.

http://www.fontspace.com/category/educational

Pra fechar, esse site só com fontes para fazer tarefas, você mesma no word. Tem umas muitos lindinhas, além das clássicas de cobrir palavras. Para instalar no Windows XP é só copiar para a pasta "Fonts" do Windows. No Windows 7 não sei como faz pra instalar, mas deve haver algum tutorial no google.

17 de janeiro de 2012

Como fazer um martelo sonoro (com atividade de musicalização)

Este é um martelo sonoro. Um brinquedo geralmente utilizado como acessório em festas infantis, de carnaval, etc. É um martelo de plástico que quando batido também apita. É razoavelmente fácil de encontrar, e não é tão caro assim, mas se você é professor de musicalização e quer usar em aula, pode sair bem caro comprar um para cada aluno. Sem falar que as peças do martelo sonoro original soltam-se facilmente e podem ser engolidas, o que limita seu uso com bebês, o público que normalmente mais gosta desse tipo de brinquedo.

Pensando nisso, e nas tias que, nessa época, ao invés de estarem aproveitando o sol e o verão estão se matando com planejamentos e planos de aula, eu resolvi criar meu próprio martelo sonoro e compartilhar com vocês aqui. Se você tem aí no quintal aquele resto de cano de PVC que sobrou no conserto do banheiro, os martelos vão sair bem baratinhos mesmo. Ele não apita, mas também faz sons, e se bem feito torna-se bastante seguro para ser usado com bebês.

Você vai precisar de:

- 01 "espaguete" de espuma, do tipo que se usa em piscina. Corte-o com estilete em pedaços de 15 cm. A espuma cede fácil ao estilete, corta-se sem esforço.
- 11 pedaços de cano de PVC de 25 mm cortados no tamanho de 30 cm. Utilizando uma serra para cano (que também sobrou do conserto do encanamento), você consegue cortá-los com algum esforço. Eu nunca tinha feito isso e consegui, então você consegue também. O segredo é marcar e ir cortando pelas bordas.
- 22 tampas para cano de PVC de 25 mm. Talvez seja a única coisa que você precise comprar, mas são bem baratinhas.
- 1 cola para cano de PVC (sobrou do conserto também).
- Cola brascoplast (adesivo de contato)
- Pedrinhas ou grãos.
- 11 tiras de EVA com 02 cm de largura por 45 de comprimento.
- Apliques de EVA bonitinhos. Eles dão o acabamento, mas tenha certeza que as crianças vão tentar arrancá-los na primeira oportunidade que tiverem.

COMO FAZER

1 - Calcule o meio de uma peça de espuma, e vá enfiando o cano de PVC gentilmente. A espuma cederá e vai sendo cortada pelo próprio cano enquanto você o empurra.

2 - Cole uma tampinha na extremidade superior do cano com a cola de PVC. Em seguida coloque no cano uma pequena quantidade de pedrinhas ou grãos. Quanto menor for a quantidade, mais sonoro ele vai ficar. Calcule um punhadinho. Depois cole outra tampinha na extremidade inferior do cano.
3 - Passe cola brascoplast ou similar (adesivo de contato) na tira de EVA e enrole logo abaixo da base da espuma. Isso vai impedir que o pedaço de espuma se desloque quando a criança martelar. Finalize colando um aplique de EVA na emenda.


No vídeo que postei abaixo há uma atividade de musicalização típica com esse brinquedo sonoro. Embora essa música tenha sido feita especificamente para isso, você também pode utilizar outras músicas com ritmo bem marcado para incentivar os bebês e crianças a seguirem a pulsação (como a do vídeo que segue depois). Alémd e trabalhar a percepção rítmica, a capacidade de imitação em bebês, o martelo também dá vazão a energia emocional que as crianças precisam extravazar de alguma maneira, e que quando bem direcionada evita conflitos sociais (ou seja, poupa o amiguinho de levar as pancadas que vão para o martelo).



15 de janeiro de 2012

Doman - Links de sites e materiais (cartões, power point, artigos, materiais, programas, etc) para ensinar o bebê a ler


Estava aqui limpando minha caixa de e-mails e encontrei um e-mail que escrevi outro dia para uma amiga, com uma lista de todos os links que conheço (em português e outras línguas) sobre materiais dos métodos Doman na internet. Resolvi partilhar isso aqui no blog também. A maioria desses links já está no blog, aí ao lado direito, listados como "SITES PERTINENTES". Mas esses abaixo dizem respeito somente às metodologias Doman.

É uma ajuda para pais que estão começando no assunto e que precisam de materiais para aplicar ou visualisar para posterior edição/adaptação. Mas gosto de deixar sempre claro que nenhum desses materiais, inclusive este blog, não substitui a leitura dos livros "Como ensinar seu bebê a ler" e "Como multiplicar a inteligência do bebê", do Dr. Glenn Doman. Sua leitura é imprescindível para que você possa compreender os princípios por trás dos métodos, e aplicá-los da forma correta, mesmo que a forma correta signifique fazer adaptações para a realidade de seu filho (a).

Para quem chegou de pára-quedas e nem sabe do que estou falando, aconselho a dar uma lida nos posts com o marcador DOMAN.

Sites internacionais

- O site oficial dos Institutos de Glenn Doman:
http://www.iahp.org/

- Vegakids - Instituto credenciado na Espanha. Possui livros e artigos muitos úteis:
http://www.vegakids.com/index.html

- O blog Child and Me contém experiências preciosas de uma mãe que aplicou todos os programas de Glenn Doman, o de leitura, música, o programa para tornar a criança fisicamente superior, matemática, língua estrangeira e conhecimento enciclopédico. Além de disponibilizar sua experiência e importantes dicas, ela também oferece links para apresentações de power point no formato de bits de inteligência. Adoro porque ela (que se chama Alenka e é muito simpática e acessível) aplica vários outros métodos como o fônico e Montessori.
http://www.childandme.com/ideas/teach-your-child/read/

- Bits de espanhol: http://ntic.educacion.es/w3//recursos/infantil/bits_de_inteligencia/pages/main.htm

- Bits em inglês:
http://www.theclassicalmommy.com/bitscollection.html

- Bits em chinês, húngaro, hindu, alemão, francês e hebraico.
http://www.theclassicalmommy.com/modernlanguagesothers.html

- Artigos, vídeos, programas e livros em espanhol sobre o método Doman. Inclusive uma conferência (em vídeo) com aspectos práticos da metodologia Doman, que todos os pais deveriam ver. Todos os programas flash podem ser baixados para seu computador ("Descargar")
http://recursos.educarex.es/mci.php?o=10&cnv=2004

- Programa completo para ensinar matemática ao bebê, em formato flash (em espanhol). Tem alguns bugs mas ajuda bastante, uma vez que os dots e os números são universais.
http://contenidos.educarex.es/mci/2007/09/

- Programa de leitura em formato flash, português de Portugal.
http://cprmerida.juntaextremadura.net/portugues/

- Mais materiais da Junta de Extremadura:
http://busca.educarex.es/?txb=Doman

Sites brasileiros

- Instituto Véras - que aqui no Brasil é a referência na aplicação do método Doman, e está oficialmente habilitado pelo IAHP para representá-lo.
http://www.veras.org.br/default.asp

- O canal de Leonardo Margon no YouTube é uma coisa maravilhosa, fiquei encantada. Lá estão os bits da primeira e segunda etapas do programa de leitura, repare nas listas de reprodução que ele organizou.
http://www.youtube.com/user/leonardomargon

- Livro "Bebês podem e devem ler" de Elaine Leão Figueiredo. A autora tem um site, mas não consegui mais achar.

Pais que aplicam ou já aplicaram o método

- O melhor lugar para conhecer pais que aplicam a metodologia Doman é na comundade do orkut "Como ensinar seu bebê a ler". E não, eu não tenho facebook.
http://www.orkut.com.br/Main#Community?cmm=35027141

- Disco virtual da comunidade "Como ensinar seu bebê a ler" no 4shared, com livros e materiais:
http://www.4shared.com/account/dir/6269796/fda30c61/sharing.html?rnd=14

- A Ana Júlia é referência também:
http://ensineseubebe.blogspot.com/

- Blog Bebê Gênio:
http://www.bebegenio.com.br/

- Tem outros blogs, mas me desculpem gente, eu não consigo lembrar, visito centenas de blogs toda semana, não dá para lembrar de quem eu conheci porque aplica Doman. Mas podem me lembrar que eu coloco aqui também.

Material para comprar

- Materiais oficiais ( em inglês) Glenn Doman, na loja virtual dos Institutos. Além do que há à mostra, há também um catálogo com o material completo editado por eles (alguns só se vendem por encomenda).
http://www.gentlerevolution.com/mm5/merchant.mvc?Screen=SFNT&Store_Code=G

- O site da Kátia Xavier, de Brasília, que dá cursos de como confeccionar os cartões para o programa de leitura Doman. Salvo engano, ela também os confecciona por encomeda.
http://aletramentomaterno.org/

- Não é bem um material, mas uma escola referência na aplicação do método Glenn Doman em Brasília:
http://www.kingdomkids.com.br/index.html

- Usa alguns dos princípios do método Doman. No site há alguns materiais para download grátis. Registrando-se no Forum, também é dado acesso a materiais extra, como power points.
http://www.brillkids.com/

- Mais um material comercial que usa os princípios Doman. Este é em espanhol. O site tem vídeos e artigos sobre estimulação precoce:
http://www.babybit.com/es/QuiSom.asp

- Pois é, o pessoal ganha dinheiro com isso:
http://www.bebeslectores.com/

- Outro em inglês. Eu devia fazer isso também kkkk
http://acceleratedlearningmethods.com/memory-magic200.html

- Babylicious - blog com várias dicas e materiais sobre o assunto (em inglês).
http://figur8.net/baby/tag/doman/

- NÃO ESQUEÇAM DE COMPRAR OS LIVROS DE GLENN DOMAN!!! É O MATERIAL MAIS IMPORTANTE! Você deve ler antes de começar a fazer qualquer coisa.
- Como ensinar seu bebê a ler
- Como multiplicar a inteligência do seu bebê
- Como ensinar matemática ao seu bebê
Se não conseguir nas livrarias, tente nos sebos, mas compre as edições depois de 1993/94, que as mais antigas estão desatualizadas.

IMPORTANTE

Esses links estão longe de esgotar o que se pode encontrar sobre Glenn Doman na net. São apenas o que eu conheço e acho mais úteis aos pais. Mas se você conhece outros sítios, por favor,d eixe aqui nos comentários, que eu vou acrescentando à lista. Aprendi e vivo o lema "conhecimento só é válido quando é partilhado".

11 de janeiro de 2012

Como tornar sua piscininha inflável mais estimulante

Verão = calor = crianças loucas por piscina. E nem sempre é possível levá-las a um clube, à praia ou a casa de algum amiguinho afortunado. Então a solução é encher uma piscininha inflável e jogar a molecada dentro. Crianças pequenas não se preocupam com a beleza ou profundidade da piscina: elas querem saber é de bagunçar na água. Há piscinas de vários tamanhos e preços, então é fácil arranjar um cantinho para elas. E depois, é só jogar a água fora, enxugar e guardar.

A brincadeira numa piscina já é bastante estimulante em si. Embora seja importante e indispensável a presença constante de um adulto junto às crianças, estas, sozinhas, criam maneiras de interagir com a água e aprender um monte de conceitos novos. Mas se você quer tornar a brincadeira ainda mais educativa, veja algumas sugestões:

- Encha a piscina com garrafas pet.
Ao invés de usar a mangueira diretamente, peça para as crianças encherem garrafas pet vazias e as derramarem na piscina. Além do exercício físico, elas estarão treinando a coordenação motora fina, aprendendo sobre "cheio e vazio", "pesado e leve", etc. , e depois as garrafas podem virar "barquinhos" de faz de conta.


- Use outras garrafinhas e vasilhames de tamanhos e formas diferentes.
Enquanto tenta abrir e fechar diferentes tipos de tampas, a criança pequena está desenvolvendo o raciocínio lógico e a coordenação motora. Passando a água de um vasilhame para o outro também. Coloque algumas garrafas tipo "squeeze" e outros objetos que esguicham, elas adoram! Observando-as ele está comparando pesos e medidas entre as garrafas, relacionando o fluxo de água com a abertura da tampa, calculando a pressão necessária para fazer a água do squeeze atingir o topo da parede, enfim... podem ficar uma hora só "brincando de cientista".


- Coloque sabonete líquido na água.
Seja generosa. Depois arrume uns batedores de clara em neve e objetos do tipo para ajudar a fazer espuma. Crianças amam espuma (eu também!). E dependendo da concentração dá até pra arriscar fazer bolinhas de sabão.



- Usar bolinhas plásticas.
Do tipo para piscina de bolinhas, só que em menor quantidade. Aqui eu tenho 100 bolinhas. Com meu filho menor (1 ano e meio) uso para ensinar cores e contagem simples. Com meu filho maior (4 anos) uso para ensinar inglês (cores e números), soma, subtração, multiplicação (contar de dois em dois, de três em três). Com os dois dá para brincar de acertar o cesto: eu seguro o cesto e eles jogam a bolinha tentando acertá-la (sempre dou uma ajudinha, claro!). Também com os dois dá para cantar músicas infantis com a temática de água. NESTA POSTAGEM há um vídeo de Vinícius há cerda de um ano atrás, cantando a música dos indiozinhos com as bolinhas.

(Esse dia foi no aniversário de 3 anos de Vinícius. Fizemos jogos com as bolinhas)

Por falar em música, deixo a dica dos instrumentos de água: flauta, tambor, trompete, xilofone e corneta. São lindos e a afinação varia conforme você vai colocando a água dentro. Perfeitos para uma "orquestra da piscinha" (esses ainda são sonho de consumo por aqui). À venda em alguns sites brasileiros e todos na FAT BRAIN TOYS (frete de $ 37 para o Brasil).







E ainda tem os "Golfinhos Dó - Ré - Mi". Cada golfinho tem uma nota, que é acionada quando você bate nele. Não é de levar qualquer mãe à falência?


E depois da piscininha o resultado infalível é esse aqui:


(Ele não usa chupeta. Mas nesse dia encontrou uma numa caixa de coisinhas que comprei antes dele nascer e quis de qualquer jeito. Aí de vez em quando ele a pega, mas gosta mesmo é de dormir com ela na mão kkkkkk)

8 de janeiro de 2012

Déficit de atenção e o dia lá fora...


Continuamoas em clima de férias, curtindo o verão lindo destas paisagens nordestinas. Confesso que não sou muito fã de calor, ficar assando na areia da praia, ou me misturar à multidão histérica dos parques aquáticos. Mas ADORO o céu do verão. Já reparei que a tonalidade do azul varia de capital para capital (dentre as quais conheci), mas aqui, no Nordeste, ese azul ganha disparado em beleza, ao menos em minha humilde opinião. Sempre fui fã de tomar tempo para viajar nesse azul, perceber como muda ao longo das horas (amo os Impressionistas), cada nuance de cor, misturá-lo ao branco das nuvens...

Em outro post aí falei que sou DDA (ou TDA), ou seja, tenho déficit de atenção sem hiperatividade. Descobri isso há poucos anos, mas agora consigo entender muitas das minhas dificuldades e comportamentos quando criança e adolescente, meus dramas com relacionamentos frustrados, meu sofrimento durante a faculdade de Direito, enfim... foi ótimo para mim me entender e crescer com isso. Tenho procurado sempre me informar mais a respeito. Entei numa comunidade do orkut sobre isso, e lá vi uma discussão sobre o uso ou não do medicamente "ritalina" em crianças com DDA. Uma corrente defende o uso do remédio como meio de proporcionar mais qualidade de vida a crianças com as dificuldades típicas do transtorno. Outros o comparam à cocaína por fazer o mesmo percurso neurológico da droga ilícita, e alegam que não há estudos a longo prazo para comprovar que esta não causa danos cerebrais a estas crianças. Muitos defendem que medicar a criança é a melhor forma de ajudá-la a se adaptar à vida social e escolar e assim garantir que ela tenha sucesso na vida. Muitos a condenam taxando-a de "droga da obediência", uma forma fácil de fugir do problema quando poderiam ser utilizados outros meios de ajudar a criança, por exemplo, informando e capacitando professores, fazendo a escola adaptar-se a suas necessidades, e não o contrário.

Eu não quero entrar no mérito da questão "medicar ou não". Não entendo nada de farmacologia. Me assustam os dados que mostram que o Brasil é o segundo maior consumidor de ritalina no mundo, e que grande parte dos usuários são crianças, alguns que começam a usá-la antes dos 3 anos de idade, quando até mesmo um diagnóstico não seria preciso. Mas quero falar da minha experiência como meio de acrescentar uma reflexão ao tema. Poderia dizer muitas e muitas coisas, mas vou ser objetiva: não é nada fácil ser DDA. Não é nada fácil ser mãe e pai de uma criança com DDA. Mas é possível viver e ser feliz apesar disso. A criança é rejeitada, apontada, rotulada, criticada por colegas e professores, e tudo coopera para reforçar seus pontos fracos, seus erros, sua "inaptidão". Os pais (a mãe principalmente) são taxados de irresponsáveis, que "não tem pulso", que não sabem educar, etc.

Graças a Deus nunca tive grandes problemas na escola até o nível médio, pelo contrário, era considerada uma "nerd" por ter sempre boas notas, mas meu método de estudo sempre foi o "hiperfoco", ou seja, antes da prova eu virava madrugadas estudando e gravava tudo. Mas não conseguia assistir às aulas, aquelas chatas aulas tradicionais onde o aluno senta na cadeira e lhe empurram mil informações goela abaixo. Como na charge acima, eu sentava junto à janela, ficava olhando para o azul do céu e esquecia que estava ali, no que eu julgava uma prisão, viajando na minha imaginação já que não podia sair correndo dali. Meus pais, que não poderiam compreender esse comportamento por falta de informação, nunca se importaram porque eu conseguia, com meu método, ter boas notas, e pagavam caro para eu estudar na melhor escola da cidade na época, o que, na lógica deles, deveria suprir todas as minhas necessidades educacionais. Só quando entrei na faculdade de Direito as coisas pioraram muito (mesmo com todos os testes de aptidão indicando para mim a área de artes, o senso comum diz que uma criança inteligente deve fazer Direito, Engenharia ou Medicina). A síndrome chegou ao auge, e eu não conseguia mais estudar. Simples assim, abria o livro começava a ler e travava. Não conseguia ler mais que uma página em duas horas. Lia, relia, baixava a cabeça e chorava. Não conseguia mais "hiperfocar" porque aqueles assuntos começaram a me causar asco. Até hoje, qualquer assunto que diga respeito à área jurídica me dá agonia, arrepio. Fui uma péssima aluna. Nos último semestre, levava cola nos códigos, e colava discaradamente. Pedia para meus poucos amigos me ajudarem a fazer os trabalhos (ou melhor, fazerem por mim). Acabei o curso, mas perdi completamente minha auto-estima. Isso foi recuperado bem aos poucos, e foi no curso de licenciatura em Música que (re)descobri meu amor pela Educação. Quando criança dizia que queria ser professora, mas esqueci disso. E foi lá, nas aulas de Iniciação Musical, que o amor despertou novamente. Meus filhos foram minha cura. Me ensinaram a ultrapassar minha síndrome e ter uma vida normal. Ainda tenho MUITO para vencer, mas cresço com a ajuda deles e do meu marido a cada dia.

Agora se você me perguntar: "Você acha que a ritalina teria melhorado sua vida se você a tivesse tomado na infância, logo que começou a sentir so sintomas?", eu responderia convictamente que não. Acho que como vários outros transtornos psicológicos, há graus diferentes, e acredito que em certos casos a medicação se faz mesmo necessária para ultrapassar uma crise séria. Mas no meu caso, fui obrigada a desenvolver, por mim mesma, mecanismos internos para lidar com um mundo que era totalmetne diferente do meu, com imposições sociais e educacionais que agrediam minha inteligência, com pessoas que se aproveitaram de mim em relacionamentos de amizade e namoro, por eu ter certas incapacidades de ver as coisas de um jeito "normal". Aprendi a me defender e a conviver com tudo isso e aprendi também as vantagens de ser assim, de ter certas facilidades incomuns, de ter uma criatividade sempre elogiada, de transformar as milhões de idéias e imagens por segundo da minha cabeça tempestuosa em coisas práticas, úteis, boas. Aprendi a começar e terminar. Aprendi a me cobrar menos. Aprendi a me gostar. Aprendi a lutar e vencer meu hiperfoco que me deixava em frangalhos, e minha procrastinação que me arrasava. Aprendi a controlar a impulsividade. Aprendi a ter responsabilidade e compromissos sem viver a beira de um ataque dos nervos. Aprendi a viver... e sem a ritalina! Se a tivesse tomado, provalvmente apenas adiaria mais e mais o dia em que teria de encarar tudo isso, e me veria louca tendo que resolver os conflitos da infância, adolescência e idade adulta de uma vez só, no dia em que deixasse de usar a droga. Isso é o que se chama dependência psicológica, tão perniciosa quanto a dependência química. Vejo quanto alguns amigos meus com problemas semelhantes sofrem com isso. E não desejo para ninguém uma vida assim.

Se for necessário tratar, trate, mas procure alternativas primeiro. Certifique-se de um diagnóstico preciso, pergunte todos os porquês, busque várias opiniões especializadas e se afaste dos "achismos" de gente que não entende nada do assunto. Se nada der certo, procure vários médicos antes de começar a medicação. Mude de escola, procure um lugar com uma proposta onde a criança aprenda de maneira mais prática, mais lúdica. E se não der certo, mude de novo, e de novo, e de novo. Não se negue a andar com seu filho pelo caminho mais difícil se for preciso. E aprenda junto com ele as vantagens de ser assim: não um doente, um coitado incompreendido, mas alguém diferenciado, com muitas formas especiais de ser, ver e existir. Estimule seu filho a usar o que ele tem de melhor, enfatize isso. Converse e brigue com quem convive com ele, se for necessário. E de vez em quando, tome tempo apenas para sentar com ele e olhar para o céu azul.


Ps.: Mais informações sobre o tema, leia o livro "Mentes Inquietas", de Ana Beatriz Silva.

3 de janeiro de 2012

Caixa sensorial - mesa de areia

Lembro exatamente quando vi a primeira "mesa de areia" numa loja que vende brinquedos de playground, e lembro como me apaixonei. O problema é que a mesa é cara demais para meu pobre bolsinho (varia de R$ 400 a mais de R$ 1.000), então comecei a pesquisar alternativas viáveis.

Mais que um brinquedo bonitinho, a mesa de areia é altamente estimulante. Alémd e desenvolver a coordenação motora, noções matemáticas, linguagem, como qualquer caixa sensorial, ela também proporciona à criança uma maior mobilidade que a caixa de areia tradicional, onde a criança fica sentada e acaba se restrigindo àquele lugarzinho onde sentou. Na mesa de areia várias crianças podem brincar utilizando um espaço relativamente pequeno. Além disso, não entra areia na meia nem nas roupas íntimas. Alguns modelos vem também com sombrinha e a tampa serve de pista e carrinho.

Um diferencial da caixa sensorial de areia, é que, pesquisando na internet descobri que ela é usada terapeuticamente também, numa técnica expressivo-projetiva desenvolvida por psicólogos jungianos. É conhecida como "sandplay", ou jogo de areia, e suas características são utilizar uma caixa retangular com fundo azul (para representar a água) e várias miniaturas para que o paciente represente, ao invés de falar, seus conflitos inconscientes. Pode-se também utilizar areia úmida para moldar formas. O psicólogo toma nota e fotografa cada formação para observar o progresso do paciente. O objetivo é que ele canalize o conflito par aa caixa e deixe de representar esses conflitos de forma literal em sua vida.


(exemplo de uso terapêutico)

Sabendo disso, tratei de comprar uma caixa plástica azul, com tampa (bom para quem vive em locais onde há animais domésticos, passarinhos e outros animais que podem usar a areia para depositar seus dejetos). A medida, 50 x 35 cm. Recomenda-se usar areia tratada, vendida especialmente para esse fim.Mas como eu tenho acesso a um paraíso particular, catei a areia diretamente de uma duna lá de Natal, limpinha e intocada, apenas pelo vento e pela chuva. Foi divertido encher as garrafas pet com os meninos e o vovô. Enchemos 7 garrafas, mas usei apenas 3. Abaixo algumas fotos das maneiras como a utilizamos.

















Observações importantes:

1 - É melhor utilizar essa caixa em uma área de jardim ou quintal com terra. Durante a brincadeira muita areia vai ao chão. Abaixo, uam foto da areia que caiu em 15 minutos de brincadeira. Repare que eu coloquei um plástico para aparar a areia, mas não foi suficiente. Os menores em especial (meu filho de 1 ano e meio) não têm pudores de pegar a areia com a pazinha e lavá-la ao chão e aos objetos próximos. Ou seja, a lambança é grande, prepare-se.



2 - Lembre-se que um dos colorários da caixa sensorial é: se houver dois materiais disponíveis, as crianças vão misturá-los. Se houver água por perto, prepare-se para lama em abundância.

3 - Se diante das informações você acha que não dá para ter uma dessa em casa, faça essa atividade pelo menos de vez em quando, numa "tarde da bagunça" ou algo do gênero para sair da rotina. Dá trabalho arrumar, mas as crianças podem te ajudar e a diversão vai valer muito a pena.

1 de janeiro de 2012

Férias 2012 - A importância de não fazer nada

Começo do ano passado, por esta época eu estava ensandecida: tinha que encontrar algo para meu filho fazer nas férias. Tinha que arranjar uma colônia de férias legal. Tinha que planejar passeios educativos, atividades extra, novos DVDs. ESte ano estou bem mais tranquila pois tenho aprendido como é importante, para a educação da criança, não fazer nada. Pois é. Deixa ver se eu explico melhor.

Este ano fará 18 anos que me uni à Igreja Adventista do Sétimo Dia. Durante este tempo, percebi que uma das dúvidas mais frequentes das pessoas leigas quando à minha religião (além de nos confundir - não sei porquê - com os mórmons), diz respeito ao que fazemos no sábado. "Vocês não fazem nada, é?" ou "O que vocês fazem pra o dia passar?". As perguntas passam sempre a impressão de que, no sábado, dia que nos abstemos de trabalhar ou fazer qualquer atividade que se converta em benefício material para nós mesmos, passamos o dia deitados, olhando para cima e esperando o tempo passar.

Para a maioria dos adventistas, no entanto, o sábado é o dia mais ocupado da semana. Além dos cultos na igreja(a finalidade principal desse dia é adorar a Deus), oferece-se estudos bíblicos, faz-se visitação em creches, asilos, orfanatos, ou na casa de doentes, de membros que não foram à igreja por algum problema, promove-se programas sociais, participamos de corais ou grupos musicais, classes de estudo aprofundado da Bíblia, enfim... o que não falta é o que fazer. Mas tudo foge à rotina semanal do trabalhar-para-consumir. Procuramos mudar o foco, e nos voltarmos para Deus e para o próximo. Procuramos tomar tempo para a contemplação. Por isso também aproveitamos o dia, frequentemente, para estar com a família junto à natureza, cultivando um tempo agradável juntos, sem nenhum compromisso extra, embora sejamos sempre surpreendidos por conseguir descobrir Deus nessas pequenas coisas não planejadas.

O "FAZER NADA" a que me referi no início deste post tem a ver com isso: mudar o foco, deixar-se fluir junto com a vida, sem a paranóia de um objetivo específico a ser alcançado, viver sem cenários, no máximo, só um pano de fundo. Quando o assunto é Aprendizado uma coisa é certa: as crianças estarão sempre aprendendo, mesmo que não estejam numa atividade planejada e dirigida. Diria até que em tempo livre elas acabam, muitas vezes, aprendendo mais que nas horas passadas junto aos "adultos ensinadores". Mudei a forma de ocupar o tempo dos meus filhos desde que percebi isso. Procuro tirar algum tempo para que eles mesmos escolham o que fazer - ou não fazer. E eu mesma tenho me obrigado a fazer isso porque, caraca, se eu não fizer isso esta combinação de síndrome de défict de atenção + síndrome do pânico que carrego me matam. Demorou 32 anos e duas gravidezes para eu aprender a fazer nada. E isso foi justamente ano passado, depois de uma das duas colônias de férias em que eu o tinha colocado, jurando que ele estaria ali muito feliz e bem cuidado por estar ocupando todo o tempo livre.

No último dia ele bateu o pé que não queria ir. Eu fiquei indignada, fiz sermão dizendo o quanto eu seria feliz quando criança se meu pai me colocasse numa colônia de férias daquelas, e falei sobre todas as tividades maravilhosas que ele tinha acesso ali, dos amigos que fez, das coisas que aprendeu... ele então me encarou e disparou essa: "Mãe, mas eu gosto de ficar comvocê. Gosto de ficar na minha casa, no meu quarto, com meus brinquedos. Eu não quero fazer nada, quero só ficar aqui." Tão simples, né? Foi com essa sabedoria do alto dos seus 3 anos que eu entendi a importância de ter preguiça, parar e aprender a fazer nada. Ao contrário do que pode se pensar, um tempo assim é terreno cheio de fertilidade. Então peguei-o pela mão e fomos lá para o quintal, exercer a sublime atividade de olhadores de nuvens sem responsabilidade meteorológica.