30 de outubro de 2012

Livros e atividades de matemática divertidos para baixar - crianças de 2 a 6 anos

Gostaria de partilhar com vocês os livros e atividades de matemática que tenho usado com meus filhos aqui. São livros diferenciados, porque tem uma abordagem divertida, que dão um ar de "brincadeira" às tarefas. Adianto que são todos fruto dos pedidos que meus filhos mesmos fazem. Com o mais velho eu tenho que limitar o número de atividades de matemática por dia, porque se não ele quer fazer tudo de uma vez e está sempre me pedindo mais, mais, mais kkkkkkk

Para vocês terem ideia, separei uma atividade aqui:


 A atividade acima foi turada de um livro da Disney que eu traduzi e estou disponibilizando aqui porque não há similar nacional, que eu saiba. Tudo foi feito com tradução-livre, e dei mais importância à clareza dos objetivos que a tradução "ao pé-da-letra", entao vão me desculpando qualquer coisa, tá?

Para baixar, CLIQUE AQUI

Este livro está indicado para a faixa etária dos 5 aos 7 anos, mas eu usei com Vinícius logo que ele completou 4 anos, e acredito que dependendo do estímulo que a criança recebeu, pode ser utilizado até com crianças de 3 anos.



Os livros e atividades abaixo eu separei por faixa etária, e nao estão traduzidos, mas do jeito que peguei na net. Como são bastante intuitivos, não vi necessidade de traduzir. São apenas uma parte do que uso, mas dá para ilustrar bem, e orientar na busca de atividades similares.

A partir de 2 anos - Uso fichinhas que pego em diferentes sites e livros. Com essa idade aconselho veementemente usar mais brincadeiras com objetos concretos ao invés de papéis e lápis. Procure trabalhar reconhecimento dos numerais, contagem, agrupamento (classificação), correspondência e sequência, especialmente estas três últimas. Isso é a base de toda a matemática. Use os próprios brinquedos da criança e de vez em quando alguma novidade, como pedrinhas, tampinhas, bonecos, que façam as vezes de material dourado. Para tarefinhas, SUPER recomendo o site Education.com, clique no menu "worksheets" e na lateral selecione "Preschool" e "Math". Você tem que fazer um cadastro gratuito rápido no site, mas vale muito a pena, pois de todos os sites do gênero é o que eu acho mais organizado e com tarefinhas mais bem feitas.



A partir de 3 anos - O trabalho proposto anteriormente vale para essa faixa etária também, mas de forma mais aprofundada, e começamos com adições, subtrações e iniciação à geometria (TANGRAN e outros brinquedos com múltiplas resoluções como ESTE são ótimos para isso), primeiro, sempre, com objetos concretos. Além do livro que já postei acima, tem as ótimas atividades do Kumon, que aqui, eu utilizei sem regulagem de tempo e repetindo sem nenhum compromisso de "ter que" terminar o livro. Pego um pouco daqui e um pouco de lá.


A partir de 4 anos - Reforçando sempre os conceitos já assimilados, podemos avançar introduzindo noções de unidade, dezena e centena. Começamos a introduzir o conceito de multiplicação. A geometria plana também pode ser estudada a partir da comparação com objetos que a criança conhece, para objetos que ela não conhece. Sempre partindo dos objetos concretos para o abstrato (atividades escritas). Use atividades com seus personagens preferidos, é um grande estímulo! Assim como adquira e confeccione você mesma joguinhos para ele assimilar brincando os conceitos. Veja um exemplo AQUI.


A partir de 5 anos - Avançamos com multiplicação e divisão, problematizando a partir de situações concretas, do dia-a-dia da criança, ainda com objetos manipuláveis e jogos. Em breve também pretendo introduzir noções de geometria espacial, através de um trabalho com brinquedos. Deixe-a livre também para criar seus próprios problemas, incentive atividades que tenham mais de uam resposta certa, ou mais de uma maneira de serem resolvidas. Por exemplo, esse brinquedo AQUI ou este AQUI.


Observação - Utilizei muito mais que essas atividades/livros, isso é só para ter uma noção de como trabalhei e venho trabalhando com meus filhotes. Fiz questão de usar o termo "minhas" para deixar claro que as faixas etárias sugeridas partem da minha realidade, do que vivi aqui com meus filhos, mas isso não tem que ser igual com seus filhos. Avalie - ninguém pode fazer isso melhor que a mãe - , e tente não fazer atividades nem que subestimem a capacidade de seu filho, nem o frustem por ele não ter conseguido ainda assimilar bem os conceitos. Se for necessário, demore-se em um mesmo tipo de atividade até ele ter segurança do que está fazendo, procurando variar apenas a forma de fazer. Não tenha pressa, a ideia, sempre, é aprender se divertindo, sem cobrança nenhuma. Lembre-se também que cada criança tem um tipo de inteligência em destaque, e se seu filho não dá muita trela para a matemática, procure descobrir e incentivar aquilo que ele faz melhor (Desenho? Linguagem? Artes? Música? Atividades físicas? Preocupação com o outro ou com o ambiente?).

25 de outubro de 2012

Jogos e brincadeiras estimulantes com carrinhos (unissex)

KKKKK, acho a expressão "unissex" tão brega! Mas usei porque faz parte da minha campanha "vamos brincar sem sexismo". Fui uma menina que brincou muito com carrinhos, subia em árvores, jogava bola de gude, e isso nunca afetou negativamente meu comportamente feminino.

Nossa aulinha descrita aqui foi com carrinhos. Tenho alguns separados só para o homeschooling, e a gente sempre inventa novas formas de brincar com eles. Vou partilhar algumas que fiz recentemente:

1 - Linguagem (inglês ou português)

Fiz como aulinha de inglês, mas poderia perfeitamente ser de português também. O dado abaixo é uma caixa de papelão que enchi de jornal amassado e cobri com EVA de diferentes cores, colando com adesivo de contato. Sobre cada face de EVA, colei também vinil plástico transparente, com cola vinílica (você acha na sessão de piscinas infláveis em grandes supermercados ou lojas de material de construção), formando um envelope - apenas uma das bordas não leva cola.  (PASSO A PASSO DO DADO, CLIQUE AQUI)

 Também fiz um tabuleiro para ser nossa "cidade", onde as ruas são pretas e as quadras coloridas com cores que tem no dado. Desculpem a falta de acabamento (leia-se tempo), mas dá pra caprichar e colocar pelo menos as linhas sinalizadoras nas ruas, hehehe O jogo começa jogando o dado. Se cair numa das quatro cores selecionadas, coloca-se um carrinho da mesma cor na quadra correspondente. Se cair na cor pink ou no rainbow, passa-se a vez para o amigo.




 2 - Matemática

Fizemos casinhas com blocos de encaixar, e sobre cada um enrolei, com fita durex, um número móvel (esses, de plástico, comprei em casas de festas infantis, um saquinho com vários números custa em torno de R$ 3,00). Nesta atividade, meu pequeno de dois anos colocava a quantidade de carrinhos correspondente ao numeral em cada casinha. O numeral 5 ficou "na rua", e como sua casinha era colorida, poderiam ser carros de qualquer cor também. Também revisamos os números em inglês.








3 - Linguagem e coordenação motora.

Essas pistas são de encaixe, e fazem parte de um jogo bem velhinho que os meninos tinham. Todos os carrinhos do jogo quebraram, ficaram só as pistas, e hoje eu as uso assim, em tarefinhas. Aqui, para reforçar o traçado das vogais e encontros vocálicos. Você também pode fazer as letrinhas com essa proposta usando EVA ou cartolina preta. Pode fazer já na forma da letra ou fazer retas e curvas para que eles mesmos montem as letras-pistas. Nem só de S de Senna vivem as pistas!

 

22 de outubro de 2012

Dado mil e uma utilidades - passo a passo

 Este dado foi uma das coisas mais úteis que já fiz, e tenho usado tanto com meus alunos quanto com meus filhos nos mais diversos tipos de jogos.

Para fazê-lo você precisará de:
- 1 caixa de papelão em formato de cubo
- Folhas de jornal
- Folhas coloridas de EVA
- 1 metro de plástico PVC transparente
- Cola vinílica (encontrada em grandes supermercados, na sessão de reparo de piscinas infláveis ou em lojas de material de construção)
- Adesivo de contato (cola brascoplast ou similar)

 Passo a passo:
 1 - Encha a caixa de papelão com as folhas de jornal amassadas. Isso dá mais firmeza à caixa.

 2 - Corte o EVA no formato da face do cubo.  Você pode usar a própria caixa para desenhar o molde no EVA, com lápis grafite. Cole sobre o papelão com adesivo de contato.

 3 - Agora corte o plástico PVC transparente da mesma forma, e com a cola vinílica, cole três lados sobre a face do cubo, deixando um sem colar para formar uma espécie de envelope. Você encontra esse plástico, nas mais diversas espessuras, em lojas que vendem revestimento para sofás, lonas, plásticos para pôr na mesa, essas coisas. Um metro custa a partir de R$ 3,00. É barato e rende muito, pois tem 1,40 m de largura.


 4 - Vai ficar mais ou menos assim:


 5 - Agora é só escolher qual o tema da brincadeira. Você pode usar apenas as cores para brincar ou colocar palavras, números, figuras e inventar os mais diversos tipos de jogos. As crianças amam jogar o dado pra cima. No exemplo abaixo, a criança deveria fazer a carinha que aparecesse: happy, sad, sleepy, etc.

Adaptei esta ideia depois que vi as atividades que seguem no blog abaixo:

- Astronautas para a Terra (cada astronauta tem um número, ou forma, ou cor correspondente no dado, qual chegará primeiro?)
- A princesa e o sapo
- Corrida
- Para cima e para baixo (colocar "cima" e "baixo" nas faces do dado e ir movendo os balões de acordo com o que for aparecendo)
- Jogo da adição e subtração
- Jogo da multiplicação
- Unidades, dezenas e centenas
- Adição e subtração na linha


Outras ideias para usar o dado, clique AQUI - de onde veio a ideia original.

No próximo post vou colocar um atividade que fizemos com ele semana passada.

19 de outubro de 2012

Nosso Fogão AZUL

Pois é, AZUL, assim, com letras garrafais, porque também é uma forma de protesto. Nada contra o rosa, nada contra todas as cores, e nem defendo que o azul tenha que representar os meninos, mas fiz questão desse contraponto para que fique bem compreensível: para nós, brincar de cozinhar também é coisa de menino. Quantos brinquedos legais existem e ficam reservados só para as meninas! Até os instrumentos musicais, já percebeu que são, em maioria, cor-de-rosa? E a situação é pior especialmente com brinquedos que refletem a vida cotidiana na casa: cozinhas e seus acessórios, brinquedos de limpeza, bebês... gente, o menino um dia vai crescer, vai virar pai, marido, precisa ser educado para lidar com isso como algo natural, como parte da vida, da família, onde cada membro precisa ter sua responsabilidade para com o lugar onde habita e pessoas com que convive. Além de perderem esses valores importantes, os meninos também deixam de experimentar brincadeiras sensoriais fantásticas para seu aprendizado global, por puro preconceito.

Os meus meninos aqui, logo que aprenderam a andar foram ensinados a deixar mamadeiras e/ou copos na pia, após terminarem de usá-los. Adoram me ajudar com vassoura, pá, deixo eles brincarem de lavar roupa quando estou fazendo isso. Sei que hoje, felizmente, muitas mães já possuem essa consciência, mas ainda tem que lidar com fabricantes de briqnuedo que preferem deixar as coisas como estão: meninas na casinha rosa, meninos com o carrinho azul.

Rafael e seus coleguinhas de escola (meus alunos) brincando com boneca (cuidado com bebês)




Vassouras e jogos de chá assexuados.



A ideia do fogão azul surgiu quando vi essa peça-base de isopor abaixo, em frente a um prédio de uma transportadora aqui perto da minha casa: era a parte de baixo da embalagem de uma geladeira. Na hora que olhei vislumbrei a possibilidade de uma mesa sensorial e a trouxe para o meu "lixão" (apelido carinhoso que meu marido deu a meu conjunto de recicláveis). Ontem resolvemos colocar a mão na massa e fazer o nosso fogão AZUL e exclusivo se considerarmos os brinquedos industrializados, hehehe Começamos pintado tudo com guache.


Colei outra peça de isopor em cima (de uma embalagem de TV), e bandejinhas de isopor, dessas de padaria, para arrumar nichos para a louça e para as frutas. Os palitos de churrasco fizeram as vezes de porta-copos.


Uma bacia plástica virou a pia, que brincadeira de cozinha tem que ter água pra ficar mais divertida. E uma forma de acoplar uma pequena caixa sensorial à brincadeira.


O bom do meu "lixão" é que nele eu encontro tudo que eu preciso kkkkk Essa grelha velha e sem uso de um microondas serviu direitinho nonosso fogão.


Colei tampinhas de garrafa (com cola de isopor mesmopara serem os botões e avisei os meninos que esses não são de girar, mas de apertar, hehehe



Aí foi só colocar as comidinhas e panelas. Peguei duas panelinhas velhas, que nem comida boa mais fazem kkkk são mais realísticas que as miniaturas de panela rosa que vi por aí.




 A noite caiu e eles não queriam sair do quintal... os dois brigaram para lavar a louça!



Eventualmente, e observando os critérios de higiene, a gente pode usar até comidinha de verdade. Brincar com grãos, macarrão ou outro tipo de alimento cru que seria descartado também é divertido!

17 de outubro de 2012

Para gostar de matemática

Esta postagem é a primeira de uma série sobre nossa vivência em matemática.

Meu filho mais velho ADORA matemática. Isso não é herdade, pelo menos não de mim, que nunca tive um relacionamento muito bom com essa disciplina escolar. Sim, porque para mim a matemática era isso, uma disciplina escolar com livros cheios de fórmulas e cálculos para decorar. Só no meu último ano do ensino médio foi que descobri - por mim mesma - que aquelas fórmulas tinham sentido, tinham uma explicação e talvez até uma utilidade, o que muito me surpreendeu.

Acho que isso resume a experiência de muitas pessoas com a matemática. Mas eu não queria que fosse assim com meus filhos. Por isso desde cedoe intuitivamente, busquei apresentar a matemática de maneira prática e divertida, algo não só interessante, mas que responda a questões do dia-a-dia.

Seguem abaixo alguns exemplos de como trabalho a matemática com meus filhos. Toda vez que digo: "agora vamos estudar matemática", eles pulam e vibram de alegria. Uma coisa que eu nunca tive o prazer de fazer, heheheh
 1 - Trabalhe sempre com objetos concretos. Está mais que provado que o aprendizado em crianças pequenas é mais eficaz quando elas manipulam os conceitos pelas vias sensoriais.

 2 - Sempre que possível - e eu acho que sempre  é -, relacione os assuntos estudados com coisas do cotidiano, em que a criança possa aplicar o conhecimento de maneira prática, funcional. Aqui, Vinícius estudando um relógio de parede e entendendo como a tabuada de cinco pode ajudar a nomear o tempo.

 3 - Aproveite todas as ocasiões para reforçar os conteúdos trabalhados. Eles derramaram as balas no chão? Então vamos contar enquanto as guardamos na sacola. Os mais velhos podem contar de dois em dois, e acredite, não vão ficar chateados por fazer isso.

 4 - Use materiais que você tem em casa, coisas do uso rotineiro. Nem sempre é preciso gastar dinheiro comprando jogos caros quando você pode inventar os seus. Separei esse material para nossa aula sobre o litro: garrafas de vários tamanhos, mamadeira graduada, seringa graduada, copo medida...

 ... e fomos para nossa piscininha inflável. Como o tempo estava meio nublado ele preferiu não entrar, mas num dia de calor nada melhor que estudar se refrescando, não é?  Aqui, entendendo o conceito de milímetro.

 Aqui, registrando a capacidade de cada garrafa em milímetros (ml).

 Aqui, não apenas treinando a coordenação motora fina, como também lidando com a prova piagetiana de conservação dos líquidos: vasilhames diferentes possuem a mesma capacidade de armazenamento! Percebeu? É assim que ele vai percebendo...

Mas voltando à matemática, quantas garrafas de 1 litro eu vou precisar pra encher a garrafa de dois litros? E quantas de 500 ml? E quantas de 250ml? Num primeiro momento, não são os cálculos que são importantes, mas a percepção, a apreensão do pensamento matemático.

Só depois do concreto vamos para o papel para registrar nossas observações. Aqui, trabalhei centenas (por causa dos milímetros) e uma atividade específica sobre medidas.

 5 - Enquanto isso, Rafael estava trabalhando formas geométricas. Nem sempre dá para incluir os dois na mesma atividade, especialmente nas atividades escritas...


 Mas mesmo o pequeno Rafa pode participar das mesmas situações concretas que Vini. Aqui, pesando nossas garrafas sensoriais numa balança de cozinha e registrando o peso em gramas.

 Enquanto Vinícius registrava, Rafael ia "selecionando" as garrafas a serem pesadas. Cada um deles sairá da atividade com diferentes níveis de apreensão do conceito, mas nenhum deles sairá sem ter aprendido algo. Rafael ainda não sabe a diferença entre quilo e gramas, mas já pode precisar o que é leve e o que é pesado.

 Já Vinícius fez a classificação entre "a mais leve" e "a mais pesada" analisando o registro que ele mesmo fez. Pedi que apontasse qual das pesagens indicava mais de um quilo (mil gramas), e ele respondeu com muita segurança.

 6 - Faça a criança perceber que estamos cercados de números por todas as partes, e a matemática é uma forma de linguagem entre nós e o nosso ambiente. Brincando com a fita métrica conversamos sobre medidas de comprimento.

Rafael quis medir o tamanho do seu narz...

... e o tamanho da barriga de Vinícius kkkkkkk

E eles nem perceberam que passaram metade de uma tarde "estudando" sobre medidas. Estávamos apenas "brincando de matemática" :-)