11 de abril de 2013

Mais atividades para estimular a escrita e reconhecimento das letras

Há algum tempo atrás fiz um post com algumas atividades para trabalhar o reconhecimento e escrita de letras (CLIQUE AQUI para visualizar o post). Aqui em casa estamos a pleno vapor com atividades de incentivo à escrita, em letra cursiva para meu mais velho, e em letra bastão para meu pequeno. Concluí com o caçulinha, faz algum tempo, nossa apostila de alfabetos divertidos (CLIQUE AQUI para visualizar), e como ele mostrou estar dominando o reconhecimento e o traçado das letras, começamos um trabalho de coordenação motora fina mais intenso e focado para aperfeiçoar esse traçado. A questão no momento está em transformar os movimentos amplos, típicos das primeiras experiências com a escrita, em movimentos mais restritos e organizados. Para nós adultos pode parecer muito fácil, mas para uma criança de 3 anos pode ser realmente um desafio conseguir escrever uma letra dentro de um espaço pequeno e limitado como um quadrado, uma linha ou uma pauta. Dá para perceber o esforço com que eles se empenham em  conseguir, um esforço físico mesmo, e digno de elogios e beijos acalorados..

Vamos falar mais um pouquinho sobre a linguagem e o universo infantil.

A melhor forma de estimular o desenvolvimento da linguagem na criança é permití-la explorar essa linguagem em seu ambiente natural. Perceba que não é uma questão de INTRODUZIR a linguagem: a criança está imersa na linguagem desde antes de nascer. Ainda no ventre da mãe é capaz de reconhecer o ritmo da fala materna, e pesquisas indicam que o recém-nascido não só reconhece a voz como o idioma materno, estando mais sensível emocionalmente a este. Ao nascer, a criança já é sujeito da atenção linguística de todos. A família lhe dirige uma fala carinhosa e estabelece com ela um rudimento de diálogo que se faz através do olhar, do toque, de expressões faciais, gestos, balbucios, o que desemboca na linguagem falada. Tão logo consiga enxergar bem, por volta dos 4 a 6 meses de vida, o bebê também passa a ter contato com o universo da linguagem escrita: rótulos, placas, estampas, letras e letras, palavras e mais palavras cercando-o em seus brinquedos, materiais de higiene, alimentos, nas roupas, enfim, em seu universo, tanto dentro como fora de casa. A partir daí, a relação que a criança vai estabelecer com esses símbolos vai depender muito da significação que lhe será atribuída pelos pais. Se disponibilizarem livros infantis, brinquedos e materiais pedagógicos e afins que enfatizem a existência e o significado das letras/palavras na comunicação, o bebê vai se interessando mais e mais por desvendar o segredo desses símbolos linguísticos. Nada forçado, nada imposto: simplesmente a Palavra está lá, à disposição, para ser manipulada como qualquer outro objeto do ambiente, fazendo parte deste. Ao lhe dar destaque, simplesmente, você já está estimulando seu filho a lhe atribuir importância.

A maioria das fotos que seguem abaixo não são recentes, mas ilustram bem o pensamento que exponho aqui. Nessas primeiras, estávamos começando o "método da abelhinha", um método fônico e silábico bem antiguinho de alfabetização. As letras ficaram à vista no cantinho de estudos deles, e em alguns momentos, enquanto eu contava a história da abelhinha e seus amigos, pedia que eles apontassem a qual letrinha eu estava me referindo. Depois que entenderam o jogo eu nem precisava mais pedir, ao ouvir o som da letra eles já apontavam. Para essa difícil missão receberam óculos e varinhas "mágicas", que os dotaram de super poderes para encontrar todas as letras :-)


Também fizemos plaquinhas para eles parearem com as letras dos cartazes. Essas letras ficaram na parede mesmo depois de encerrada a atividade. Eles passaram a conviver com elas como parte do nosso ambiente.


Algo que também chamou sempre muita atenção deles foi nosso alfabeto magnético, que fica na porta da geladeira. Esse alfabeto, além de ser um grande ajudante quando eu precisava distraí-los enquanto fazia alguma atividade na cozinha, é também um brinquedo onde eles costumam, voluntária e despretensiosamente, treinar suas conqusitas linguísticas. Rafael brincou muito com ele de reconhecer as letras, Vinícius forma palavras e deixa mensagens em pequenas frases. Gostei tanto que acabei comprando números magnéticos também (o que comprei foi este aqui)


No vídeo abaixo, Rafael está com 1 ano e 11 meses. Já reconhece vogais e cantarola a música do ABC, que ouviu muitas vezes em um de seus brinquedos. Claro que ele ainda não tem noção do que seja, de fato, um alfabeto, mas está em processo de encantamento com os sons e nomes das letras. Editei o vídeo, mas o orginal tem cerca de 20 minutos. VINTE MINUTOS de total concentração e atenção por parte de um bebê de menos de dois anos. Isso, ao meu ver, é a prova mais concreta que aprender é a brincadeira preferida das crianças. Não conheço nenhum brinquedo da Fisher Price capaz de manter uma criança da mesma idade por tanto tempo em uma mesma atividade. Perceba que ele tomou a iniciativa de brincar com as letras (eu só corri pra pegar a câmera), e minha interferência na atividade é quase nenhuma.


Com respeito à escrita, o grande desafio é treiná-la de forma prazerosa. Por mais que você trabalhe com divertidíssimos jogos e brincadeiras de coordenação motora, uma hora a criança vai ter que treinar o traçado da letra. Nesse ponto os adultos vão buscar memórias torutosas de cadernos de caligrafias e tarefas monótonas e cansativas que tiveram de fazer no colégio. Mas não tem que ser asism com seus filhos. Com um pouco de criatividade (ou, na ausência dessa, de horas buscando no google), você encontra atividades atrativas para eles. O segredo em trabalhar escrita com crianças pequenas, é variar a apresentação desse treino motor e encher de encanto cada nova "tarefa". Aqui costumo inventar músicas e histórias enquanto eles traçam as letrinhas. Nada muito elaborado, na verdade até improvisado, mas o suficiente para lhes dar alegria. Traçar uma letra com o personagem preferido sorrindo para a criança pode fazer uma grande diferença para ela. Variar os materiais ONDE e COM QUE escreve também ajuda muito. Nas fotos abaixo, Rafael, com dois anos e cinco meses, treina o traçado das letras na nossa caixa de areia. Essa é uma atividade montessoriana: Ela vê a letra num cartão, e reproduz na areia seu traçado. O adulto só irá intereferir para explicar qual a direção correta do traçado (esquerda para direita, de cima para baixo).




Procure também por um grande aliado na escrita: o alfabeto móvel, ou alfabeto recortado. São letras, de Madeira ou EVA, recortadas no formato em que são escritas, que a criança poder manipular, passar o dedo para sentir, colocar uma folha sobre ela e colorir com giz de cera para ver aparecer o formato da letra na folha em branco, ou simplesmente observar na hora em que vai escrever a letra. O alfabeto móvel abaixo é de EVA, uma cartelinha pequena e muito simples,que custa em torno de R$ 2,00 e pode ser achada em papelarias ou lojas de brinquedos. Vinícius, então com 5 anos recém completos, está treinando a letra cursiva com a ajuda do alfabeto móvel. Neste caso, ele ainda brinca de encaixar cada letra em seu lugar certo quando termina. Pode ser surpreendente observar a forma como eles se concentram nesta atividade simples.


Por fim, procure sempre fazer atividades que você sabe que agradam seu filho. Para isso terá de observá-lo, sondar suas preferências, conhecê-lo. Valorize o esforço e dedicação dele em fazer o melhor, ele quer aprender mas também quer lhe agradar. Então faça-o ficar feliz com a expectativa da atividade que vão realizar. Se ele gosta de pintar, dê algo para pintar. Se gosta de recortar e colar (aqui é o que mais gostam), procure atividades assim para ele. Se gosta de ligar, de labirintos, de se movimentar, adapte as atividades a forma que ele mais gosta de aprender. Não consegue parar quieto? Então vamos fazer as letras com o nosso corpo, vamos desenhar as letras no ar enquanto dançamos. Não engesse a experiência de aprendizado sob pena de tirar o prazer que seu filho tem em aprender.

Aqui, Rafael se apaixonou pelas formigas. Ao ver as letras escritas com linha tracejada, ele mesmo explicou: "São formigas!", e a partir de então começamos a brincar de passar o lápis em cima das formigas, que reclamavam (usando minha voz, claro), que o lápis estava ou fazendo cócegas ou as espetando. No final, ele aidna fazia um carinho nas "formigas". Acabou virnado sua atividade preferida. Por isso eu elaborei uma nova apostila com o tema, agora usando uma fonte em formato de formigas mesmo, muito bonitinha (bastão, ainda). Nesta as letras são menores e propoem o desafio de escrever à mão livre dentro de um espaço limitado. Continuamos fazendo a brincadeira de imitar a "voz" das formiguinhas. A apostila também traz atividades de "ditado recortado", pois como eu disse, ele adora colar.



Ourta atividade que meus meninos curtem mesmo são os labirintos então ESTE LIVRO DO KUMON caiu como luva em nossas atividades.


9 comentários:

  1. Aff, eu babo nesses seus posts Lu!!!! Sempre nos dando novas e maravilhosas ideias! Lindo como sempre!!

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  2. Amei as ideias, como sempre!!! Parabéns!!!
    Queria saber com quantos anos você começou a dar atividades em folha para o seu filho menor? O meu filho tem 2 anos e 2 meses e comecei a dar atividades. Primeiro, eu uso a caixa sensorial, uso músicas etc , mas vejo que a concentração dele para atividades no papel é mínima. Até mesmo quando é concreta é difícil. Não sei se é pq começamos agora. Me de umas dicas, se possível.
    Bjs

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  3. Muito obrigada, Paloma!!

    Patrícia, é muito normal par auma criança de dois naos se concentrar pouco com atividades no papel. Elas realmente devem ser a parte mínima das atividades de estimulação nesta idade. Procure sempre separar atividades curtinhas e objetivas, que ele possa fazer rapidamente. É melhor dar, por exemplo, três folhinhas, cada uam com algo simples para fazer, do que uma atividade só com vários tópicos. À medida que ele for descobrindo as possibilidades lúdicas das atividades no papel, vai se interessando mais. Quando novinhos, costumo usar historias e músicas enquanto eles fazem as atividades. Abuse de materiais de arte tb, tintas, glitter, cola colorida, canetinhas especiais, tudo que chame atenção por ser diferente ;-)

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  4. Voce esta de parabens! Estava procurando atividades ludicas, pois dou aulas de Portugues a alunos estrangeiros em Miami.
    Um grande abraco e sucesso!
    Angelica

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  5. Oi Luciana, tudo bem ? Meu filho tem 4 anos e quero ensiná-ensiná - lo a ler. Você temais material do Kumon ? Você pode enviar materiais que possa ajudar a ensinar meu filho, pois não tenho didática e não sei por onde começar. Meu email é biamonaco@yahoo.com
    Obrigada

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  6. Oi Luciana, tudo bem ? Meu filho tem 4 anos e quero ensiná-ensiná - lo a ler. Você temais material do Kumon ? Você pode enviar materiais que possa ajudar a ensinar meu filho, pois não tenho didática e não sei por onde começar. Meu email é biamonaco@yahoo.com
    Obrigada

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  7. Parabéns pelo blog!A minha filha tem 2 anos e 4 meses e comecei o processo de alfabetização. Tem horas que me pergunto se é realmente necessário começar a escolarização tão cedo.Mas quando vejo o quanto o mundo está competitivo,penso que é melhor começar mesmo.

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  8. Oi Fabiane! O melhor local para você encontrar um número enorme de materiais, como utilizá-los e ainda trocar ideias com outros pais e mães que ensinam seus filhos é entrando em um dos grupos de ensino domiciliar do facebook. Recomendo o homeschooling Brasil. Boa sorte!

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  9. Olá Nay! Alfabetização não tem que ser sinônimo de escolarização. Existem várias formas de alfabetizar, e sua casa não tem que ser uma mini escola para que isso ocorra. O processo de alfabetização pode ser visto por sua filha como uma brincadeira gostosa, não como algo sério é preocupante com hora marcada para acontecer. O letramento e a alfabetização são processos inseridos na vida. Muito antes de existir escola o ser humano já usava a linguagem falada e escrita para se comunicar. Encontre junto com sua filha um caminho que seja confortável e feliz para vocês duas, sem cobranças, sem estresse, o mundo está competitivo sim, mas, acredite, ele pode esperar. Beijo!

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