24 de abril de 2013

Alfabetizando através de livros - parte I

Os métodos de alfabetização às vezes parecem muito complicados e sectaristas. Cada um que reclame para si o título de melhor método de albetização. Mas eu cá desconfio que, para a criança, de nada interessa os professores sisudos, austeros e inflexíveis que discutem suas teses acadêmicas.

Quem quer chegar até a mente da criança tem que ser leve como ela. Para saber alfabetizar uma criança é preciso dançar com ela. Você, professor alfabetizador, já dançou com uma criança? Esse é um requisito muito importante e que nenhum acadêmico sério ainda levou para estudar no laboratório do professor doutor orientador. Ler e escrever é um processo único para cada criança. E por isso a dança: é preciso descobrir o ritmo, a melodia e compasso que lhe indicarão o movimento a seguir. E quem toca a música não é você, é a criança! Será que saberemos ouvir? Será que saberemos dançar ao som dela? Não adianta armar-se de cartilhas, teorias e materiais pedagógicos se você não se curvar, envergando toda o seu conhecimento à altura da criança, e, delicamente, oferecer-se para ser conduzido por ela. Quantas mães e professores estão dispostos a serem conduzidos enquanto ensinam? Dancem, adultos, dancem. E se permitam redescobrir o prazer de descobrir. De re-conhecer letras, palavras e significados.

Hoje estou começando uma série que propõe a alfabetização através de livros (já fiz algo parecido há um tempo atrás, veja neste POST AQUI). Estou fazendo para meu filho mais novo, mas gostaria de compartilhar pois pode ajudar outras crianças também. O bom de se permitir estudar, sem preconceito, vários métodos de alfabetização, é se deter no que eles tem em comum, e não suas divergências. E o livro é o que todos os métodos tem em comum. É para o livro que desemboca todo o sentido de ler e escrever. É dele, portanto, que partiremos em busca desse sentido. Para cada livro escolhido utilizaremos diversas estratégias. Palavra inteira, silábico, fônico, manipulação concreta da letra, escrita espontânea, cópia no pontilhado, etc. A leitura e a escrita serão trabalhadas em conjunto ofertando à criança diversos caminhos para apreendê-las. É preciso saber observar qual estratégia fala com mais eficácia a cada criança, e reforçá-la. Respeitar seu tempo de processar e compreender, que é sempre diferente para cada um dos pequenos. E sobretudo demonstrar total confiança na capacidade da criança, não importa qual seja o seu nível de expectativa - ou o dela.

Serão 10 livros, para cada um criei um power point apresentando o vocabulário através de sílabas, palavras e frases, que também podem ser impressos em forma de cartões para trabalhar sua formação com a criança. Compartilharei também um livro de atividades para trabalhar a escrita a partir do texto. Mas nada impede que você escolha seus próprios livros e adapte as atividades para sua criança. Na verdade seria ótimo se fizesse isso! Quanto mais próximo o livro estiver do contexto de vida da criança, melhor.

Para que idade é indicado esse material? Para qualquer criança que já seja capaz de identificar e escrever as letras do alfabeto em bastão, e também de reconhecer sílabas simples.

O primeiro livro faz parte do programa Alfa e Beto de alfabetização, que adota o método fônico. É uma história bem simples, com poucas páginas. Um bom modo de começar para dar à criança a segurança de que é capaz de ler um livro.
PARA VISUALIZAR O LIVRO CLIQUE AQUI

Para baixar a apresentação de power point abaixo (necessário para visualizar as palavras em movimento), clique no botão "slideshare", e na nova página clique em "Save" no menu superior;

01 fafa from luxlunae




CLIQUE AQUI PARA BAIXAR O LIVRO DE ATIVIDADES
 

11 de abril de 2013

Mais atividades para estimular a escrita e reconhecimento das letras

Há algum tempo atrás fiz um post com algumas atividades para trabalhar o reconhecimento e escrita de letras (CLIQUE AQUI para visualizar o post). Aqui em casa estamos a pleno vapor com atividades de incentivo à escrita, em letra cursiva para meu mais velho, e em letra bastão para meu pequeno. Concluí com o caçulinha, faz algum tempo, nossa apostila de alfabetos divertidos (CLIQUE AQUI para visualizar), e como ele mostrou estar dominando o reconhecimento e o traçado das letras, começamos um trabalho de coordenação motora fina mais intenso e focado para aperfeiçoar esse traçado. A questão no momento está em transformar os movimentos amplos, típicos das primeiras experiências com a escrita, em movimentos mais restritos e organizados. Para nós adultos pode parecer muito fácil, mas para uma criança de 3 anos pode ser realmente um desafio conseguir escrever uma letra dentro de um espaço pequeno e limitado como um quadrado, uma linha ou uma pauta. Dá para perceber o esforço com que eles se empenham em  conseguir, um esforço físico mesmo, e digno de elogios e beijos acalorados..

Vamos falar mais um pouquinho sobre a linguagem e o universo infantil.

A melhor forma de estimular o desenvolvimento da linguagem na criança é permití-la explorar essa linguagem em seu ambiente natural. Perceba que não é uma questão de INTRODUZIR a linguagem: a criança está imersa na linguagem desde antes de nascer. Ainda no ventre da mãe é capaz de reconhecer o ritmo da fala materna, e pesquisas indicam que o recém-nascido não só reconhece a voz como o idioma materno, estando mais sensível emocionalmente a este. Ao nascer, a criança já é sujeito da atenção linguística de todos. A família lhe dirige uma fala carinhosa e estabelece com ela um rudimento de diálogo que se faz através do olhar, do toque, de expressões faciais, gestos, balbucios, o que desemboca na linguagem falada. Tão logo consiga enxergar bem, por volta dos 4 a 6 meses de vida, o bebê também passa a ter contato com o universo da linguagem escrita: rótulos, placas, estampas, letras e letras, palavras e mais palavras cercando-o em seus brinquedos, materiais de higiene, alimentos, nas roupas, enfim, em seu universo, tanto dentro como fora de casa. A partir daí, a relação que a criança vai estabelecer com esses símbolos vai depender muito da significação que lhe será atribuída pelos pais. Se disponibilizarem livros infantis, brinquedos e materiais pedagógicos e afins que enfatizem a existência e o significado das letras/palavras na comunicação, o bebê vai se interessando mais e mais por desvendar o segredo desses símbolos linguísticos. Nada forçado, nada imposto: simplesmente a Palavra está lá, à disposição, para ser manipulada como qualquer outro objeto do ambiente, fazendo parte deste. Ao lhe dar destaque, simplesmente, você já está estimulando seu filho a lhe atribuir importância.

A maioria das fotos que seguem abaixo não são recentes, mas ilustram bem o pensamento que exponho aqui. Nessas primeiras, estávamos começando o "método da abelhinha", um método fônico e silábico bem antiguinho de alfabetização. As letras ficaram à vista no cantinho de estudos deles, e em alguns momentos, enquanto eu contava a história da abelhinha e seus amigos, pedia que eles apontassem a qual letrinha eu estava me referindo. Depois que entenderam o jogo eu nem precisava mais pedir, ao ouvir o som da letra eles já apontavam. Para essa difícil missão receberam óculos e varinhas "mágicas", que os dotaram de super poderes para encontrar todas as letras :-)


Também fizemos plaquinhas para eles parearem com as letras dos cartazes. Essas letras ficaram na parede mesmo depois de encerrada a atividade. Eles passaram a conviver com elas como parte do nosso ambiente.


Algo que também chamou sempre muita atenção deles foi nosso alfabeto magnético, que fica na porta da geladeira. Esse alfabeto, além de ser um grande ajudante quando eu precisava distraí-los enquanto fazia alguma atividade na cozinha, é também um brinquedo onde eles costumam, voluntária e despretensiosamente, treinar suas conqusitas linguísticas. Rafael brincou muito com ele de reconhecer as letras, Vinícius forma palavras e deixa mensagens em pequenas frases. Gostei tanto que acabei comprando números magnéticos também (o que comprei foi este aqui)


No vídeo abaixo, Rafael está com 1 ano e 11 meses. Já reconhece vogais e cantarola a música do ABC, que ouviu muitas vezes em um de seus brinquedos. Claro que ele ainda não tem noção do que seja, de fato, um alfabeto, mas está em processo de encantamento com os sons e nomes das letras. Editei o vídeo, mas o orginal tem cerca de 20 minutos. VINTE MINUTOS de total concentração e atenção por parte de um bebê de menos de dois anos. Isso, ao meu ver, é a prova mais concreta que aprender é a brincadeira preferida das crianças. Não conheço nenhum brinquedo da Fisher Price capaz de manter uma criança da mesma idade por tanto tempo em uma mesma atividade. Perceba que ele tomou a iniciativa de brincar com as letras (eu só corri pra pegar a câmera), e minha interferência na atividade é quase nenhuma.


Com respeito à escrita, o grande desafio é treiná-la de forma prazerosa. Por mais que você trabalhe com divertidíssimos jogos e brincadeiras de coordenação motora, uma hora a criança vai ter que treinar o traçado da letra. Nesse ponto os adultos vão buscar memórias torutosas de cadernos de caligrafias e tarefas monótonas e cansativas que tiveram de fazer no colégio. Mas não tem que ser asism com seus filhos. Com um pouco de criatividade (ou, na ausência dessa, de horas buscando no google), você encontra atividades atrativas para eles. O segredo em trabalhar escrita com crianças pequenas, é variar a apresentação desse treino motor e encher de encanto cada nova "tarefa". Aqui costumo inventar músicas e histórias enquanto eles traçam as letrinhas. Nada muito elaborado, na verdade até improvisado, mas o suficiente para lhes dar alegria. Traçar uma letra com o personagem preferido sorrindo para a criança pode fazer uma grande diferença para ela. Variar os materiais ONDE e COM QUE escreve também ajuda muito. Nas fotos abaixo, Rafael, com dois anos e cinco meses, treina o traçado das letras na nossa caixa de areia. Essa é uma atividade montessoriana: Ela vê a letra num cartão, e reproduz na areia seu traçado. O adulto só irá intereferir para explicar qual a direção correta do traçado (esquerda para direita, de cima para baixo).




Procure também por um grande aliado na escrita: o alfabeto móvel, ou alfabeto recortado. São letras, de Madeira ou EVA, recortadas no formato em que são escritas, que a criança poder manipular, passar o dedo para sentir, colocar uma folha sobre ela e colorir com giz de cera para ver aparecer o formato da letra na folha em branco, ou simplesmente observar na hora em que vai escrever a letra. O alfabeto móvel abaixo é de EVA, uma cartelinha pequena e muito simples,que custa em torno de R$ 2,00 e pode ser achada em papelarias ou lojas de brinquedos. Vinícius, então com 5 anos recém completos, está treinando a letra cursiva com a ajuda do alfabeto móvel. Neste caso, ele ainda brinca de encaixar cada letra em seu lugar certo quando termina. Pode ser surpreendente observar a forma como eles se concentram nesta atividade simples.


Por fim, procure sempre fazer atividades que você sabe que agradam seu filho. Para isso terá de observá-lo, sondar suas preferências, conhecê-lo. Valorize o esforço e dedicação dele em fazer o melhor, ele quer aprender mas também quer lhe agradar. Então faça-o ficar feliz com a expectativa da atividade que vão realizar. Se ele gosta de pintar, dê algo para pintar. Se gosta de recortar e colar (aqui é o que mais gostam), procure atividades assim para ele. Se gosta de ligar, de labirintos, de se movimentar, adapte as atividades a forma que ele mais gosta de aprender. Não consegue parar quieto? Então vamos fazer as letras com o nosso corpo, vamos desenhar as letras no ar enquanto dançamos. Não engesse a experiência de aprendizado sob pena de tirar o prazer que seu filho tem em aprender.

Aqui, Rafael se apaixonou pelas formigas. Ao ver as letras escritas com linha tracejada, ele mesmo explicou: "São formigas!", e a partir de então começamos a brincar de passar o lápis em cima das formigas, que reclamavam (usando minha voz, claro), que o lápis estava ou fazendo cócegas ou as espetando. No final, ele aidna fazia um carinho nas "formigas". Acabou virnado sua atividade preferida. Por isso eu elaborei uma nova apostila com o tema, agora usando uma fonte em formato de formigas mesmo, muito bonitinha (bastão, ainda). Nesta as letras são menores e propoem o desafio de escrever à mão livre dentro de um espaço limitado. Continuamos fazendo a brincadeira de imitar a "voz" das formiguinhas. A apostila também traz atividades de "ditado recortado", pois como eu disse, ele adora colar.



Ourta atividade que meus meninos curtem mesmo são os labirintos então ESTE LIVRO DO KUMON caiu como luva em nossas atividades.


2 de abril de 2013

Caixas sensoriais com gelatina

Aqui em casa amamos gelatina. Tem essa sobremesa AQUI, que eu gosto de fazer de vez em quando (e que, por sinal, é perfeita para se fazer com as crianças), que leva diversos tipos de gelatina, por isso sempre tenho um pequeno estoque no armário da cozinha. Acontece que às vezes escapa de uma ou outra perderem a validade, e aí, o que fazemos? Caixa sensorial! kkkkkk


1 - CAIXA SENSORIAL FUNDO DO MAR

 Fiz essa caixa em duas camadas para dar um efeito tridimensional ao nosso "mar". A primeira camada fiz com gelatina azul. Depois que endureceu, cobri com gelatina verde. Os bichinhos marinhos mais bacanas são da marca "Buba", comprei nesse site AQUI, mas parece que estão esgotados. Também usei aquelas tartarugas simples de aniversário e uns pingentes plásticos. Obviamente tudo foi previamente higienizado.

  É curioso observar como em toda caixa sensorial a dinâmica é a mesma: primeiro a surpresa, depois um certo receio de mexer com aquilo tudo, e por fim eles se entregam e exploram de todas as formas possíveis. Aqui, dei ferramentas para eles descobrirem como "pescar" os animais. Eles se empenharam em misturar as gelatinas também.


 2 - CAIXA SENSORIAL FORMAS (ideia retirada do blog Inventando com a Mamãe)

 Com a receita da bala de gelatina eu fiz duas formas e depois disponibilizei alguns cortadores de biscoito para eles explorarem. Também fiz balinhas (essas antes do vencimento!) usando formas de acetato, do tipo que se faz chocolate, mas é preciso untar com uma msitura de óleo e água, para a hora de desenformar. Essas até eu provei! Ficam durinhas e ótimas!

Atividades sensoriais agradam crianças de todas as idades. E mesmo os adultos que estejam por perto não resistem...

3 - CAIXA SENSORIAL QUANTIDADES

 Para esta caixa eu usei forminhas de gelo de silicone. Também foram previamente untadas com água e óleo para facilitar na hora de desenformar (ainda assim quebrei um pouquinho). Não sei se dá pra perceber pelas fotos, mas são numerais e cubos que imitam dados. O jogo foi relacionar os números e as quantidades dos "dadinhos", trabalhando ainda a coordenação motora com o pegador de gelo/macarrão.

 Quando ficou difícil de levar à boca  ele apelou pra mão mesmo :-)

1 de abril de 2013

Dinossauros - uma abordagem criacionista para crianças

(Se você não é muito dado(a) a discussões filosóficas, pule logo para o próximo tópico em negrito)

Já falei aqui e pelos grupos que frequento que minha atitude em relação à ciência, com os meus filhos, é de honestidade, mesmo quando ela prega algo que vai de encontro a nossas crenças. Embora me preocupe em ensiná-los nossos valores, também me preocupo que eles tenham consciência crítica, e isso vale tanto para a ciência quanto para a religião. Acredito que é saudável e bom que as crianças aprendam a questionar, a  indagar, a investigar, a comparar e formar, elas mesmas, suas opiniões. É uma atitude um tanto "arriscada" de minha parte se considerarmos apenas o aspecto religioso: parte da religião se baseia em simplesmente aceitar, e é a isso que chamamos de fé. Mas tenho a convicção de que a verdade não anula a fé. E que nenhuma fé é válida se não passar pelo crivo da verdade. Creio não só pelo "sentimento" de fé, mas pela segurança de que essa fé tem uma base sólida para mim, seja essa base formada por argumentos racionais ou pela minha experiência com o transcendente, mas em ambos os casos, uma fé que se firma no que sinceramente creio ser a verdade.

Quero dar a chance dos meus filhos experimentarem isso também. Quero que eles estejam preparados para lidar com um mundo que vai por em prova não somente a fé mas todos os valores que eles aprenderam em família. E quero que eles confiem em mim para partilhar suas dúvidas, seus conflitos. Não gostaria que se sentidessem "traídos" ao se depararem com formas diferentes de ver o mundo e  pensarem: "Mas a mamãe nos garantiu que o mundo era aquele lugarzinho onde vivíamos!". Com respeito à Ciência, quero que eles percebam a importância dela para a nossas vidas, que compreendam o grande valor dos cientistas, mas não acho que seja necessário plantar neles um outro tipo de fé cega: a de que a ciência é infalível, e tudo que os cientistas dizem, mesmo suas suposições, são verdades inquestionáveis. Porque a própria história da humanidade - mesmo a história recente - prova que nem sempre os cientistas - tal qual alguns religiosos - foram honestos ou verdadeiros. Há muito mais que a verdade em jogo, há interesses políticos, econômicos, e muito mais. Resta-nos acreditar através de fatos e opiniões próprias, que às vezes são formadas por simpatia com aquelas hipóteses com as quais nos identificamos mais.

Todo esse intróito é porque acho delicadíssimo tratar de qualquer tema que diga respeito à ciência das origens. Esse é um território que está cheio de hipóteses e suposições, e poucos fatos comprovados: mesmo o que existe de concreto nem sempre esclarece os fatos. Mesmo as tentativas de se chegar a esses fatos: datação com carbono,  achados arqueológicos, estudos e análises, são passíveis de, desde um simples erro de precisão, até as mais grotescas fraudes. Então falar sobre origens será sempre estudar sobre uma interpretação humana dessas origens.

Vejamos os dinossauros. Crianças são facilmente atraídas por esse tema, tão fascinante e misteriosa é essa manifestação, já extinta, do nosso mundo natural. Aqui em casa comprei livros que explicam a versão científica para a realidade da existência dos dinossauros, e para as suposições em torno de sua vida e desaparecimento. E construímos linhas de tempo em cima das eras geológicas, lemos sobre as hipóteses aceitas para o desaparecimento dos dinossautos, investigamos o que nos diz a ciência sobre como era a vida na Terra nesse período, chegamos a reconstruir isso em maquetes. São nossas aulas de ciências.

Mas espera aí, não somos cristãos e criacionistas? Sim. E não é confuso para uma criança estudar as duas coisas ao mesmo tempo? Não. Porque não fazemos ao mesmo tempo. Estudamos criacionismo em nossas aulas de Bíblia. Mas bem, criacionismo é muito mais que a versão bíblica para os fatos naturais. Na realidade existe hoje o que se chama de ciência criacionista, com vários estudiosos - biólogos, arqueólogos, paleontólogos, químicos, astrônomos, físicos, etc - realizando estudos sérios a respeito das origens do universo, da Terra, dos dinossauros, do Homem e do funcionamento do mundo natural. Não preciso dizer que esses cientistas não são lá muito bem vistos no meio acadêmico. Um criacionista com bons argumentos e pesquisas maravilhosas será sempre um "réles" criacionista, olhado como alguém pronto a fraudar a "verdade científica" para puxar a sardinha pra o lado da Bíblia. Mas se você se der ao trabalho de ao menos conhecer o que esses pesquisadores tem a dizer pode ficar realmente impressionado. Especialmente com aquilo que não é divulgado com muito estardalhaço no meio científico, uma vez que vai de encontro às opiniões vigentes tidas como "verdades científicas", mas que por vezes são aceitas - posto que tem provas irrefutáveis - até pelos cientistas céticos (nesses casos eles geralmente preferem o silêncio). Particularmente eu não consigo acreditar em tudo que leio sobre os trabalhos dos cientistas criacionistas. Algumas vezes sinto que alguém está querendo mesmo "forçar a barra". Às vezes chegam a ser vergonhosas as fraudes discaradas que encontramos pelos meios cristãos... mas isso não é privilégio de criacionistas: numa pesquisa bem rasteira no google é possível descobrir fraudes horríveis vindas dos evolucionistas, motivadas não por ideologia, mas por desejo de fama e dinheiro. Então que fazer? Ser sensato, eu acho. Saber que homens e suas ideias são falíveis. Avaliar com o máximo de imparciliadade aquilo que se mostra como fato, e não aceitar sem questionar as suposições. Mas também não deixar de considerar uma suposição só porque ela não parece com aquilo que aprendemos nos livros de biologia da escola. Esse exercício mental pode ser muito, muito interessante e gostoso. Se no final você não chegar a uma conclusão, sua fé não vai estar abalada por isso, muito menos sua crença na ciência. Haverá espaço para as duas crescerem e mais: para que você trabalhe por isso. Porque é nessa busca pela Verdade que acontecem os encontros mais significativos com o Divino e com a Ciência.

Então é assim que agimos por aqui: ciência na aulas de ciências, criacionismo na aula de Bíblia. E em ambas as aulas, os melhores argumentos a favor de cada uma.

"Um pouco de ciência nos afasta de Deus. Muito, nos aproxima."
(Louis Pasteur)



Oficina de Criacionismo para Crianças


Essa oficina foi realizada durante um Encontro de Criacionismo realizado em minha igreja. Pensei que as crianças poderiam se sentir deslocadas com a complexidade dos temas tratados pelos adultos, e resolvi levar a elas um pouco de criacionismo de forma lúdica, divertida, mas ainda assim, com conteúdo de "gente grande". É engraçado que, quando se fala de oficina para crianças, a maioria dos adultos sempre imagina alguns papéis, tintas e lápis de cor para passar o tempo. Mas amigos, eu respeito muito, muito mesmo, a inteligência das crianças.


Depois de uma pesquisa sobre o tema - que infelizmente não pôde ser muito profunda, mas foi bastante intensa - elaborei um arquivo de power point com os principais tópicos a serem mencionados em nossa oficina. Eles compreendem o que a Bíblia fala a respeito desses animais. O ponto-chave da versão criacionista, é que Deus criou os dinossauros e eles conviveram com o homem por um longo tempo: algo impensável para qualquer cientista cético. Há supostas provas históricas, antropológicas e arqueológicas dessa hipótese, mas preferi não citá-las neste material por serem muito controvertidas. Se você tiver interesse em pesquisar sobre o assunto, basta digitar "dinossauros criacionismo" no google e vai achar muito material, em inglês e português, contra e a favor. Mas procure filtrar bem o que vai ler. Primeiramente avalie o currículo e a respeitabilidade das pessoas que estão dando sua opinião. Desconfie daqueles que não citam fontes, apenas fotos, argumentam com opinião ao invés de dados. É bom dar-se o trabalho de ver também a explicação evolucionista para algumas suposições criacionistas, isso permite que você faça um julgamento imparcial, não apenas motivado por algo que parece ser "fantástico". Mesmo com esse filtro você vai encontrar muitas coisas interessantes, especialmente quanto a maneira como  os dinossauros podem ter sido extintos. Ao final deste post deixei uma boa bibliografia para iniciar uma pesquisa nesse campo.


Seguem abaixo as atividades que realizamos durante a oficina, por ordem cronológica. Foram apenas dois dias, portanto não deu para fazer tudo que eu queria. Por isso segue abaixo também outra lista de atividades sugestivas, para quem quiser explorar mais o tema.

1 - OVOS DE DINOSSAUROS

A receita leva 2 xícaras de areia (usei essas coloridas de saquinho, que se vende em lojas de arranjos de plantas artificiais), 1 xícara de farinha de trigo, 1/2 xícara de água, 1/4 xícara de sal, anilina (opcional), dinossauros de plástico. Dobrei essa receita para fazer 13 ovos (depois fiz outra).


Misture tudo até formar uma massa homogênea. Ela não vai ficar tão ligada quanto massinha de modelar, por exemplo, mas é facilmente modelável e não gruda nas mãos.

Molde os ovos com as mãos

 Leve ao forno alto pré-aquecido numa assadeira coberta com papel manteiga até ficarem duros (cerca de 15 minutos). A parte externa vai ficar bem durinha, e por dentro ele fica um pouco mole. Por causa da cor da areia os meus ficaram parecendo croquetes kkkk da próxima vez farei com areia verde.

Depois de frios, coloque numa cesta com palha
 

Esta é uma atividade que agrada crianças de qualquer idade. Fiz com crianças de 2 a 15 anos, e todas ficaram absolutamente fascinadas e felizes em abrir os ovinhos.

2 - CLASSIFICAR DINOSSAUROS

Eu queria ter tido tempo de fazer cartões com as imagens dos dinossauros e seus nomes, tudo bonitinho. Não deu. Mas as crianças observaram nas imagens do power point as características físicas dos dinossauros, seus nomes, e depois associamos as miniaturas que eles encontraram dentro dos ovos a cartões escritos à mão mesmo. Para quem tem tempo e tinta de impressora sobrando, recomendo ESTES CARTÕES AQUI para as crianças compararem com as miniaturas e fazerem a classificação.


3 - CONSTRUINDO FÓSSEIS

Aqui, na verdade, foram duas atividades. Na primeira utilizamos o livro "Superciência - Dino", da editora Ciranda Cultural. Este livro é muito bom: tem textos curtos e objetivos, figuras com recriações realísticas dos dinossauros, vem com um jogo de tabuleiro e um quebra-cabeças em formato de ossos de dinossauros para montar. Coloquei os "ossos" dentro de uma caixa com areia, e depois de explicar sobre o trabalho dos arqueólogos e paleontógos, eles receberam ferramentas para explorar a caixa, recolher os ossos e montá-los de acordo com o modelo. Não é uma atividade fácil para os pequenos com menos de 5 anos, mas mesmo assim eles aprendem pela observação.

 

Em seguida as crianças receberam uma folha com um esqueleto de dinossauro para colar macarrão sobre ele (tipo penne, mas  você pode usar outros formatos também). O molde que usamos é este abaixo (clique para ampliar):


Depois usamos a areia da caixa de fósseis para colar ao redor dos ossos, dando um efeito bem legal ao nosso "achado arqueológico".

Os nossos fósseis prontos, junto a um jardim do Édem bem, digamos, incomum :-)
 

 4 - FÓSSEIS COM TINTA MÁGICA

Para recapitularmos o que aprendemos sobre os fósseis no dia anterior, fizemos essa atividade. Você vai precisar de conta-gotas com água e tinta misturadas. Usei tinta guache diluída, mas vc pode usar outro tipo de tinta solúvel em água. Certifique-se de que a cor fique "viva" no papel, mas ao mesmo tempo que seja uma tinta rala. Desenhe sobre os ossos do dinossauro, previamente, com giz-de-cera branco ou tinta pastel branca. Peça que as crianças pinguem as gotas da tinta sobre o desenho e espalhem com o dedo para que o desenho dos ossos seja revelado. Minhas crianças ficaram tão empolgadas que pediram o giz-de-cera para fazer suas próprias palavras e desenhos e revelar com tinta também :-)


 O molde que usamos foi esse (clique para ampliar):


5 - LIVRO DE ATIVIDADES - PASSATEMPOS SOBRE DINOSSAUROS

Separei um tempo livre para eles explorarem esse livrinho. As atividades são simples e interessantes: labirintos, montar dedoches e quebra-cabeças e modelos de dinos, colorir, ligar pontos, etc. 10 atividades no total. Não há uma ordem a ser cummprida, as crianças escolhem o que querem fazer e fazem, simples assim. Como não daria tempo de fazer tudo, elas levaram o livro para casa de lembrança.



6 - TRABALHANDO COM ARGILA

 Disponibilizei argila e palitos de fósforo com duas propostas para as crianças: fazer miniaturas de dinossauros que vimos no power point, ou fazer fósseis usando dinossauros plásticos. Todos se empenharam e se divertiram com essa atividade sensorial. Tenha em mente que a argila suja MUITO, então tome precauções quanto a isso ;-)


Nossos dinossauros bíblicos - o Beemote e o Levitã - esperando secar ao sol.

  7 - DECORAÇÃO

Além do painel com um Éden cheio de dinossauros também usei mais dois recursos visuais:

Este dinossauro articulável. Basta colar sobre cartolina ou papelão, furar nos pontos indicados e prender com bailarinas (ou colchetes), que é esse trocinho aqui, que vc encontra em qualquer papelaria. Usei papelão. Ampliei a imagem usando o programa POSTERIZA, e imprimi em quatro folhas de A4. Clique na imagem para ampliar.


 Este móbile eu fiz com os modelos que seguem na pasta abaixo. Alguns são 3D. Pintei morrendo de pressa e ficou no mínimo esquisito, mas fica mais bonito se você tiver tempo de caprichar e pedir para as crianças ajudarem a pintar. O pterodáctilo que fica em cima, sustentando os demais (fio de náilon), eu também ampliei usando o mesmo programa (posteriza), e imprimi em duas folhas de A4.


Sugestões de atividades-extra

 Fantoches com meia ou caixas de papelão.
 Modelos em 3D feitos com papelão.

 Para calçar e andar como os dinossauros ao som de uma música.


 Máscaras (um bom complemento para usar com os pés de dinossauros)

Quebra-cabeças recortados de pratos de papel.

 Tamancos com EVA grosso colado em baixo, em forma de pegadas de dinossauros: para pisar na tinta e imprimir as pegadas num papel. Ou para fazer pegadas na areia também.

 Biscoitos com chocolate branco

 Dedoches.


Sugestão de leitura

Sorteei com as crianças essa pasta da editora Brasil Leitura (que custou apenas R$ 7,00). Ela vem com dez livrinhos e um CD-ROM com jogos, vídeos e músicas. Usa a versão científica.


 O livro que usei como fonte de pesquisa, fora os materiais que vi na internet. Fala sobre o trabalho de uma paleontóloga cristã e sua visão equilibrada dos fatos. Gosto muito da forma como a autora procura não dar respostas prontas, mas levar a criança a indagar os fatos e formar sua própria opinião. Também li trechos deste livro para as crianças da oficina. As ilutrações e fotos são bem bacanas. "Dinossauros - como surgiram e por que eles desapareceram", de Elaine Grahan-Keneddy, editora CASA.

Este livro sugere uma versão diferente da usual para o desaparecimento dos dinossauros. "Os dinossauros", de Wheeler e Coffin, da editora CASA.

 Para saber mais sobre Criacionismo - "A história da vida", de Michelson Borges, editora CASA
 
 Este livro trata sobre um dos principais argumentos em que os criacionistas se apóiam: o Designer Inteligente. "A ciência descobre Deus", de Ariel Roth, editora CASA.

 Este livro pretende harmonizar ciência e Bíblia quanto ao tema da origem da vida. "Origens", de Ariel Roth, editora CASA.