26 de maio de 2013

Matemática Montessori - Tábua de Pitágoras

No post anterior sobre o tema, mostrei como fiz um Crivo (CLIQUE AQUI PARA LER), utilizando uma material barato e fácil de manipular por quem não tem muita habilidade com a marcenaria. Hoje falaremos sobre a Tábua de Pitágoras.

O QUE É A TÁBUA DE PITÁGORAS?

É este conjunto de números aí em cima dispostos exatamente nesse padrão (gostou da minha definição matemática?? X-) 
Ela é mais conhecida no meio escolar como uma forma de apresentar a tabuada às crianças, pois nela estão contidos todos os fatos multiplicativos, em bom português, tá a tabuada todinha escrita nela, basta seguir o seguinte padrão:
 Dada uma multiplicação qualquer com números inteiros entre 1 e 10, procure o primeiro fator na vertical e o segundo fator na horizontal: o ponto de encontro das linhas será o produto dessa multiplicação, no caso acima temos que 8 x 7 = 56. A criança faz isso passando os dedos por cima da tábua de Pitágoras. CLIQUE na figura abaixo para acessar o site Montessori Album, onde há a sequência completa de movimentos que a criança faz para encontrar o produto:


Nas escolas Montessorianas esse material é apresentado de diversas maneiras: em forma de tabela, como na foto acima, quando ganha o nome de TABELA III (que como você pode perceber, não é a única tabela de multiplicação, e num post oportuno mostraremos as outras), ou em forma de uma placa de madeira natural envernizada com 100 furos que recebem pequeninas esferas de madeira verdes ou vermelhas, as quais  encaixam nos furinhos 2/3 de sua esfera. Por isso ela também recebe o nome de tábua ou placa de furinhos.


Clique na figura abaixo para ver como uma mãe criativa transformou um tapete de banheiro numa tábua de furinhos.
 

CORES

No método Montessori, o primeiro trabalho com a criança é sensorial, logo, as cores costumam ser utilizadas como forma de comunicar os aprendizados já adquiridos com os que ainda não foram. Elas formam códigos que facilitam a compreensão do conteúdo a partir de um critério que já foi amplamente trabalhado, por isso elas dominam bem. Isso inspira segurança para a criança explorar o novo material.

Em matemática há um código de cores para cada operação matemática e há também um código de cores para representar os numerais de 1 a 10. No primeiro caso, das operações matemáticas, não há ainda uma uniformidade: as cores podem variar dependendo do país (por exemplo, para a multiplicação, o Brasil adotou a cor verde como representativa do material, enquanto nos EUA o verde é a cor representativa da divisão). Isso não importa muito desde que em todo o material que a criança tenha acesso haja um único padrão bem definido. Mas no segundo caso, há um consenso para as cores representativas de cada numeral/quantidade, sendo elas:

1 - vermelho
2 - verde
3 - rosa
4 - amarelo
5 - azul turquesa
6 - lilás
7 - branco
8 - marrom
9 - azul escuro
10 - dourado ou verniz

Segundo Talita de Almeida: "A cor ajuda a reconhecer as quantidades, evitando a necessidade de contar uma conta depois da outra. Assim, cada barrinha indica à primeira vista - exatamente pela cor que a caracteriza - a sua cardinalidade." (Desenvolvimento da Mente Matemática 2 - página 95)

Como eu já disse antes, todo o material Montessori é extremamente integrado, tudo foi pensado para combinar-se perfeitamente. Então é possível encontrar esse código de cores em vários materiais. Um dos mais conhecidos talvez sejam essas continhas em forma de pequenos bastoes com um pequeno aro (oportunidamente falaremos sobre elas também):


  Vamos encontrar o mesmo código de cores NESTA OUTRA MANEIRA de apresentar a tábua de Pitágoras, a forma sensorial, agora chamada de QUADRADO DE PITÁGORAS. Um material lindo de viver.

 
Nas fotos acima você pode ver a caixa onde o material original é guardado, e como ele fica quando montado e pareado com as contas que mostramos lá em cima. Perceba que, dado o plano a seguir, o quadradinho vermelho, que representa o 1, vai ser a menor unidade do quadrado maior. E os outros quadrados e retângulos vão seguir exatamente as mesmas quantidades de unidades dadas pela tábua de Pitágoras numérica.


Essa é uma versão feita em casa, com EVA. Cabe à criatividade da criança integrar os materiais ou criar padrões de simetria ou raciocínio lógico conforme sua vontade e sob o olhar do adulto.



 MINHA VERSÃO DA TÁBUA DE PITÁGORAS

 A figura acima eu encontrei NESTE SITE francês, e seu padrão colorido me inspirou a fazer a minha tábua de Pitágoras. Como meu filho ainda tem cinco anos, achei que as cores seriam mais um apoio para se familiarizar com a multiplicação, e de fato eu recomendaria esta versão às crianças que já entenderam como a multiplicação funciona (por agrupamento), mas que ainda não decoraram a tabuada. Eu tenho sérios problemas com matemática paraq decorar, então não estou tendo nenhuma pressa em que ele o faça. Achei essa tábua uma forma perfeita para facilitar a memorização dos produtos de uma forma mais natural e lógica.

Repassando o material que usei:

- 4 jogos do Alfabeto imagens IOB como o da foto ao lado, cada um vem com 27 quadradinhos de madeira e adesivos para colar neles. Você guarda os adesivos para usar de outra maneira e aproveita os quadradinhos.
- 1 quadro verde de 40cm x 30 cm, cujo espaço interno (dentro da moldura) é de 36cm x 25,5cm
- 1 pedaço de EVA mais grossinho.
- 1 caneta marcador
- 1 estilete, 1 régua, cola de contato
E no caso do modelo desta tábua de Pitágoras, vamos precisar também de tinta guache. Podem ser aquelas que vendem de caixinha, com seis cores apenas, que você pode misturar até encontrar a tonalidade certa, mas recomendo fortemente que comprem o azul escuro por fora, que é a cor mais difícil de se obter misturando as outras.

Para fazer essa tabela, eu usei as mesmas peças do crivo, só que o outro lado. Isso não seria uma atitude muito recomendável numa escola, uma vez que virar as peças para anular números (em sequências de dois em dois, quatro em quatro, por exemplo) pode ser uma das opções da criança ao manipular o material. Mas por motivo de economia doméstica, eu fugi da regra (para anular os números, a criança teria então que retirar as peças da tábua), cada mãe que ler esse post fica livre para escolher a forma que mais lhe agradar.

Para pintar as peças, primeiro misturei as tintas guache e testei num papel em branco para checar a cor antes de colocá-la na madeira. Se vc tiver um papel perto do tom da madeira, melhor ainda. Fui retirando as peças conforme o padrão da tabelinha francesa e pintando, para ficar tudo organizado. Depois de secas, numerei com canetinha marcador, cuidando para que o verso coincidisse com a posição certa no crivo também.


Agora veja que coisa mais linda mais cheia de graça! Meu filho gostou muito, mas vocês não fazem ideia da sensação de orgulho que dá para uma mãe fazer seu próprio material. Ainda mais sendo uma pessoa que nunca foi muito dada a trabalhos manuais ou ... matemática!


ENCONTRANDO PADRÕES

Agora vem a diversão. Além da forma clássica de usar a tábua, como alternativa à tabuada clássica, você pode encontrar formas muito criativas e instigantes de explorá-la.

A primeira coisa a lembrar é que todo material Montessori possui controle de erro para que a criança tenha autonomia ao usá-lo. Sendo assim, imprima um modelo completo da tabela, passe contact ou plastifique, e deixe a disposição.

1 - O exercício mais simples é o de completar a tabela, em partes ou inteiramente. O vídeo abaixo é uma boa demonstração da tábua na prática da sala de aula montessoriana:



2 - Traçando uma linha diagonal na tabela você tem os quadrados dos números. Se observar bem, vai ver que o movimento dos dedos realmente forma um quadrado para cada um desses produtos! Faça a criança observar também o efeito "espelho" (simetria) entre os dois lados da linha diagonal: os produtos de um lado são o reflexo dos produtos do outro lado, mas são os mesmos!


3 - Propriedade comutativa: pedir para a criança colorir os produtos iguais com a mesma cor. Abaixo coloquei um vídeo bem explicativo sobre essa propriedade, que basicamente é 3 x 4 = 4 x 3 (não precisa me agradecer por refrescar a memória kkkkk)


4 - Quantos números diferentes há na tábua? Risque (ou retire as peças) aqueles que se repetem e descubra quantos há de verdade.


5 -Em algumas linhas e colunas de um fator, o produto é o dobro das linhas ou colunas de outro fator. Questione com a criança como a relação entre os fatores afeta a relação entre seus produtos. Por exemplo, o dobro de 4 é 8, os produtos na linha do fator 8 são o dobro dos produtos na linha do fator 4?

 6 - Os produtos nas linhas e colunas 1, 3, 5 e 7 alternam-se entre números pares e ímpares:
 7 - A soma dos dígitos de cada produto dos múltiplos de 9, é 9!


8 - Observar os padrões geométricos que os múltiplos dos números fazem para se familiarizar com eles.
  Múltiplos de 3 - a beleza do gráfico se explica assim: um produto a x b é divisível por 3 quando pelo menos a ou b é divisível por 3.
 Múltiplos de 4 - a explicação desse é bem mais complicada e você vai ter que procurar :-P

9 - Com o conceito de múltiplos você já pode usá-la para ensinar divisão, números primos, fatoração, princípios de matriz (composição tabular), e como tenho que ir dormir vou parando por aqui.

 Clique na figura abaixo para baixar um arquivo PDF com os dois módulos da tabela pitagórica (Tabelas III e V), uma em branco e outra preenchida, conforme os padrões de cor adotados oficialmente, só que com opções fofinhas também. Para os mais tradicionais há uma versão sem desenhos.



AQUI uma versão online que esconde e mostra os números conforme você vai clicando.

Clique na figura abaixo para conhecer mais sobre o app "Multiplication Charts HD", que tem, entre outras tableas, a pitagórica também.


Veja NESTE SITE uma curiosa versão da tábua feita com diagramas.


22 de maio de 2013

Alfabetizando através dos livros - parte III

Eu estava ansiosa para chegar no livrinho de hoje, que é dos meus preferidos: O macaco e a mola, de Sônia Junqueira e ilustrações de Alcy. A versão que tenho é a mais antiga, a atualizada é em letra bastão. Como comprei em um sebo, tive que me dar ao trabalho de transcrever todo o texto da edição antiga para bastão também... mas para quem usa o método Doman fica a dica de procurar pela edição antiga para letra de imprensa. Este livro também pertence à Coleção Estrelinha e é classificado com uma estrelinha - nível iniciante.

Como recurso pedagógico eu escolhi um macaco, uma mola e uma malinha. A ideia é, toda vez que a criança ler uma página, você usar os recursos para fazer o que ela leu, como num teatrinho que funciona à medida que ela lê o livro. Claro que nas primeiras vezes você irá ajudar lendo aquilo que a criança não conseguir, até que ela seja capaz de ler tudo. E também pode propor que ela mesma faça o teatrinho se desejar.

 Fiz um vídeo demonstrando algumas das tarefinhas dos nossos livros de atividade, porque às vezes as mães têm dúvidas sobre a diferença entre os métodos silábico, fônico e da palavra inteira. No vídeo coloquei uma tarefa de cada, mostrando como as apresento. Desculpem a má qualidade de iluminação :-P

 

PARA VISUALIZAR O TEXTO DO LIVRO CLIQUE AQUI.

Para baixar a apresentação de power point abaixo (necessário para visualizar as palavras em movimento), clique no botão "slideshare", e na nova página clique em "Save" no menu superior; 

 Com este power point tive o cuidado de colocar as imagens depois das palavras aparecerem, o que é bem interessante para que a criança faça uma leitura real.



CLIQUE AQUI PARA BAIXAR O LIVRO DE ATIVIDADES

 Achei o blog "Mistura de Alegria", que também tem várias atividades a partir do livro, voltadas para crainças em nível de alfabetização. Para acessar CLIQUE AQUI.

21 de maio de 2013

Quem foi Glenn Doman e o que fez por meus filhos

Biografia

Glenn Doman não foi um educador por formação, mas foi responsável por uma revolução na educação infantil, ou como ele gostava de chamar, uma "suave revolução". Formou-se como fisioterapeuta em 1940 e começou a trabalhar com desenvolvimento cerebral infantil junto com uma equipe de médicos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, pedagogos e enfermeiros. Na época em que os tratamentos "multidisciplinares" ainda nem estava em moda, cada membro dessa equipe cuidava de uma fase do tratamento de crianças com diferentes graus de lesão cerebral. Eles faziam um trabalho experimental em busca de novos caminhos para lidar com essas crianças, que então eram diagnosticadas de acordo com os seus sintomas e tratadas também sintomaticamente. A equipe de Doman defendia que elas precisavam de um tratamento dirigido ao cérebro, seja por meio cirúrgico ou não cirúrgico. Sua tese era a de que precisava-se reproduzir os padrões neurológicos de crescimento de uma criança normal naquela criança com cérebro lesionado. Para tanto desenvolveram programas de desenvolvimento físico e intelectual que mostraram uma realidade surpreendente: muitas crianças com cérebro lesado, algumas das quais vivendo com apenas metade do cérebro, apresentavam um desempenho escolar satisfatório e até mesmo acima da média. Antes que houvesse a quantidade de estudos que há atualmente sobre plasticidade cerebral, Glenn Doman percebeu que pouco importava a causa da lesão cerebral ou quantos milhões de células nervosas ele teria perdido nessa lesão: se fosse devidamente estimulado, aquele cérebro poderia recuperar suas funções.

Até hoje fisioterapeutas do mundo inteiro utilizam as técnicas de Glenn Doman no tratamento de crianças especiais. Mas chegou um tempo em que uma pergunta intrigante começou a ser feita: porque as crianças ditas "normais", com cérebros sadios e plenos, não estavam agindo de forma duas vezes melhor ou mais que as crianças de cérebro lesado? Para Glenn Doman foi particularmente intrigante ver que, à medida que desenvolvia seus programas, via mais e mais pacientes de cérebro lesado atuarem acima da média. E ele concluiu que os padrões de desenvolvimento neurológico - tanto na criança com cérebro lesado, como na sadia, ou na superdotada - percorrem um mesmo caminho que vai da total desorganização até um alto grau de organização, e que que esse processo pode ser tanto acelerado como retardado. Um dos seus programas mais conhecidos para aumentar o grau de organização neurológica nas crianças, é o programa de leitura, que promove a estimulação das funções visuais da criança a partir do nascimento, e ficou internacionalmente conhecido através do livro "Como Ensinar seu bebê a ler".

Bibliografia

Ao contrário do que o título do livro sugere num primeiro momento, o objetivo desse programa de leitura não é produzir bebês superdotados para serem exibidos na TV. Muitos críticos de Doman sequer dão-se ao trabalho de abrir seus livros para perceber que todo o foco dos seus programas está na metodologia materna (já escrevi sobre ela AQUI), ou seja, em aumentar o vínculo afetivo entre o bebê e os pais através do aprendizado. Uma das principais recomendações de Doman é que seus programas sejam feitos numa atmosfera de amor e respeito, quando os pais ou a criança não estiverem se sentindo bem, é hora de simplesmente parar. Porque o aprendizado deve ser um momento de alegria para todos.

O respeito de que falei é muito visível na forma como Doman trata a mãe (ou o pai) responsável pelo programa, dando-lhe total autonomia para administrar o método, considerando-lhes os melhores professores que seus filhos poderiam ter, ao invés de apontar para terceiros - os especialistas e pedagogos - como os detentores das respostas absolutas sobre educação. Nos programas de Doman há uma proposta de crescimento mútuo, e a mãe também passa a ter consciência do seu valor como ser humano pensante, e do seu poder na orientação educacional do filho. Não encontro essa proposta em nenhum outro método educacional, e acho que esse é um dos pontos fortes da metododologia Doman.

O respeito também se dirige à criança entre 0 e 6 anos, comumente tratada como incapaz, como um ser que precisa apenas de cuidados elementares de higiene, alimentação e alguns brinquedos para crescer enquanto faz basicamente... nada. Essa também é a visão da maioria das escolas, que mesmo quando oferece algum estímulo cognitivo organizado, limita demais a capacidade cognitiva infantil com objetivos pedagógicos generalizados, ou seja, que não levam em conta as habilidades individuais da criança, com a desculpa de que "nessa fase a criança tem apenas que brincar", dando ao "brincar" o pior sentido que poderia ter: ocupar-se de não fazer nada significativo. Muitas mães já passaram pela experiência de dar um brinquedo a uma criança pequena e simplesmente deixá-la sozinha com o brinquedo, esperando que ela se distraísse... só para vê-la testar o brinquedo de todas as formas, e depois de cinco  minutos colocá-lo de lado para ir mexer na embalagem onde o brinquedo veio - talvez com muito mais interesse que no brinquedo em si.

Hoje há vários estudos em Neuropsicolgia e Psciologia Cognitiva demonstrando a forma espetacular como se dá o crescimento cerebral da criança entre 0 e 6 anos. Nesse período ela aprende com grande rapidez e facilidade, desde que lhe seja dada essa oportunidade. Segundo Doman, no período do nascimento a 1 ano, "o caráter do futuro adulto, em termos de capacidade física e neurológica, será mais fortemente determinado neste período da sua vida do que em qualquer outro". De 1 a 5 anos, " é o período da vida no qual o cérebro é uma porta aberta a todos os ensinamentos, sem nenhum esforço consciente. Nunca mais teremos uma oportunidade igual a esta". De 5 a 8 anos "Como seria melhor para o aluno, para a professora e para o mundo se, por ocasião deste primeiro contato com a escola, o novo estudante já tivesse adquirido e conservado o gosto de aprender". Não se trata de fabricar gênios, não se trata de querer filhos superdotados, não se trata de querer filhos que passem no vestibular aos 15 anos, trata-se de dar aos filhos o direito de desenvolver todo o seu potencial de forma plena, para que eles possam ser o que quiserem ser. Trata-se de educar filhos que amem o conhecimento, e se ocupem dele como uma alternativa para cultivar o que há de melhor no ser humano: a inteligência usada para o bem. Glenn Doman acredita que as pessoas inteligentes são boas, se não são boas, é porque não são inteligentes. Crianças inteligentes também são boas. Há o mito de que poderiam se tornar problemáticas, mas basta observar o mundo real para ver que não é bem assim. Há muito mais problemas com crianças que possuem problemas de aprendizagem, aos quais comumente se atrelam problemas emocionais, do que com crianças que gostam de aprender e o fazem com alegria.  Uma vez um repórter insinuou que Glenn Doman estaria buscando formar um tipo de elite intelectual e perguntou a quem ele estava querendo fazer as crianças superiores, ao que ele respondeu: "a si mesmas".

Os pais que aplicam os programas de Glenn Doman sabem que eles não diminuem em nada a experiência de seus filhos com a infância e o brincar. Na verdade gastamos muito mais tempo produzindo o material do que as crianças vendo o material. Com meia hora por dia é possível fazer um programa completo de estimulação. E a criança terá todo o restante do tempo para ir ao parque, andar de bicicleta, jogar, brincar com bonecas e carrinhos, e fazer o que mais quiser. Ademais, para a criança, os programas de estimulação de Glenn Doman nada mais são que brincadeiras TAMBÉM. Justamente por terem sido cuidadosamente pensados para atender suas necessidades intelectuais conforme seu grau de desenvolvimento cerebral, eles não são cansativos. Justamente por serem aplicados numa atmosfera de respeito e carinho, muitas vezes eles são mais desejados que qualquer outra brincadeira. Tenho um vídeo gravado de meu filho mais novo chorando quando paro de lhe mostrar as "palavrinhas". Eu o convido para fazer outras atividades que qualquer criança da idade dele gostaria, mas ele permanece sentado, choramingando e pedindo para eu mostrar mais. Os pais que aplicam os programas de Doman percebem que a brincadeira que as crianças mais gostam é aprender. Não é preciso forçar nada (como se se pudesse forçar uma criança pequena a fazer qualquer coisa), não é preciso impor nada. O aprendizado vem de forma natural porque é inerente à  criança. Se você optar por não utilizar os programas de Doman, ainda assim seu filho irá aprender, da hora que acorda até o momento que dorme. Cabe a você apenas oferecer um "menu" variado de aprendizados para saciar-lhe o apetite intelectual.

Cada uma das "brincadeiras" propostas por Doman foi bem explicada em livros, alguns dos quais ainda não estão traduzidos par ao português, e mesmo os que estão traduzidos, infelizmente, estão em sua maioria esgotados.

- Como ensinar seu bebê a ler - editora Artes e Ofícios
- Como ensinar matemática ao seu bebê - editora Artes e Ofícios
- Como multiplicar a inteligência do seu bebê - editora Artes e Ofícios
- Como dar conhecimento enciclopédico ao seu bebê (apenas em inglês)
- Como tornar seu filho fisicamente superior (apenas em inglês)
- O que fazer pela criança de cérebro lesado - editora Auriverde
- Quão esperto é seu bebê (apenas em inglês)

Outras publicações:
Programas de ortografia, idiomas, natação, música e vários outros materiais de apoio aos programas (disponíveis através da Gentle Revolution Press - CLIQUE AQUI para acessar)


Meu testemunho com Doman




Já faz algum tempo que queria vir aqui escrever sobre isso. Hoje me senti motivada pela notícia de que Glenn Doman acaba de falecer. E ao procurar por sua biografia em português não achei quase nada na internet. Há alguns blogs falando principalmente sobre o programa de leitura, e relatos tanto defendendo quanto criticando seus métodos. As críticas raramente se fundamentam numa opinião formada após a leitura de seus livros. Porque é difícil ler os livros e não sentir ao menos empatia pela forma como Doman vê a criança.

Uma das poucas críticas fundamentadas a respeito dos programas de estimulação de Glenn Doman (artigos em inglês) diz respeito ao fato de Doman nunca ter aberto seus Institutos para o Desenvolvimento do Potencial Humano aos pesquisadores e especialistas. Questiona-se a falta de estudos científicos realizados pelo próprio Doman e sua equipe no sentido de provar suas teorias e demonstrar a eficácia de seus métodos. Eu mesma fiquei muito decepcionada quando, ano passado, redigi um artigo científico sobre o programa de música e tive grande dificuldade para fazer a pesquisa bibliográfica, uma vez que simplesmente não há artigos científicos produzidos pelo IAHP. Quando procurei saber a biografia da responsável pelo programa de música nos Institutos, outra surpresa: não era uma doutora, mestre ou pesquisadora internacional... era uma mãe! Uma mãe com um modesto currículo acadêmico que escreveu todo o programa de música e depois de testar com seus filhos, implantou-o também nos Institutos.Confesso que num primeiro momento fiquei desanimada, desmotivada, pois pretendia fazer desse artigo um passo para o mestrado em música, e sem fontes científicas não seria possível levar o plano adiante.

Hoje, no entanto, acho que consigo entender a teimosia do professor Doman. Seu Instituto foi criado para atender aos pais e mães de crianças com lesões cerebrais. Em todo tempo foram eles - os pais e mães - que tiveram prioridade em seus cursos. Conheço uma pessoa que quis fazer o curso para poder trazer o método para uma escola aqui no Brasil e simplesmente não foi aceito. Os cursos são dirigidos apenas a pais que irão empregar os programas com seus filhos. Alguns estudiosos então desacreditam o método Doman, pois que tipo de cientista não teria interesse em provar sua teoria? E especulam que todos os seus métodos tem apenas apelo comercial, não sendo recomendados como algo "sério". Mas eu olho para atitude de Doman hoje e vejo um cientista cansado daquele tipo de ciência acadêmica totalmente separada da vida real. Que não ouve pais e mães, mas se sustenta apenas em livros e discussões teóricas e vazias, que não trazem nada de prático para ajudar a vida das pessoas. Vejo um homem teimosamente interessado em demonstrar através das próprias crianças que é possível percorrer um caminho diferente para dar-lhes qualidade de vida. Sem precisar de estudos quantitativos, qualitativos, sem tratar crianças como cobaias de laboratório, sem usar a vida sofrida das famílias com crianças especias como tema de estudos frios e congressos médicos. Eu creio que a Ciência tem feito muito pela humanidade, e creio que Doman também não duvidava disso. Mas ele escolheu o caminho mais difícil, de dedicar-se ao seu objetivo como um sacerdócio, e deixar que os próprios pais e mães, que as próprias crianças, testemunhem com sua vida a respeito da eficácia do método.

E aqui estou eu, mais uma testemunha. Não para dizer que meus filhos são gênios e sérios candidatos ao prêmio Nobel, muito embora tenha visto crianças fantásticas estimuladas pelos métodos Doman sendo reconhecidas por seu desempenho acadêmico. Mas estou aqui para expressar minha gratidão pela obra de Glenn Doman de outra forma. Pois através dela eu me aproximei muito mais de meus filhos. Não sou mais aquela mãe aflita que senta ao lado dos filhos ansiosos sem saber o que eles querem. Pude entender muito mais sobre a forma deles aprenderem. Passei a tratá-los de forma mais respeitosa, não como mini-adultos incapazes, mas como seres humanos cheios de potencial. Através do programa de Doman meus filhos passaram a amar o conhecimento como uma dádiva, um presente da vida. Tiveram o privilégio que eu não tive, de associar aprendizado a algo maravilhoso, enquanto eu e muitas gerações associaram o aprendizado aos bancos tediosos da escola (daí a grande dificuldade de muitos entenderem que os bebês amam aprender). Através do método Doman eu mergulhei no mundo da Educação Infantil, de forma cada vez mais apaixonada. Foi o motivo pelo qual comecei este blog, que já tem servido de inspiração para outras pessoas ensinarem seus filhos também. Por causa de Doman continuo aprendendo todos os dias, aproveitando o privilégio de redescobrir o mundo junto aos meus filhos. Graças a Doman meus filhos tiveram uma estimulação visual alegre e afetiva (programa de leitura) que os preparou para serem leitores ávidos e amantes dos livros. Graças a Doman também fiz uma rede de amigos - pais e mães -que dividem a mesma paixão pela educação dos filhos. E alguns desses se tornaram meus melhores amigos atualmente. Amigos com histórias de superação incríveis quando os "especialistas" já não tinha nenhuma esperança a dar. Amigos que descobriram através de Doman o poder que tem o amor de pais  mães que acreditam nos filhos. Não poderia ser diferente com um método que prega o afeto como base do aprendizado.

Muito apropriadamente, acabamos de criar, em nosso grupo do facebook, um canal no youtube com uma galeria de vídeos das nossas crianças, nossa "geração Doman", em momentos diversos de estimulação não só através dos métodos dele, como de outros métodos análogos também. Vou deixar que o vídeo de apresentação fale por si mesmo, mas quero terminar dizendo algo que qualquer pessoa deve ter em mente quando quiser descobrir mais sobre a metodologia Doman: o grande segredo não é a transformação da criança. A criança apenas desenvolve-se conforme sua orientação neurológica natural, quando lhe é dada a oportunidade para tanto. E se isso surpreende é apenas porque nossa sociedade subestima as crianças. O grande segredo do método Doman, é a transformação dos pais. Eu jamais poderei dizer, quando meus filhos forem adultos, que o sucesso deles, em que acredito tanto, terá sido resultado exclusivo do método Doman. Porque Doman me mudou. Me deu uma visão da criança que abriu um universo infinito de possibilidades. . E a partir de então vivo uma busca constante para dar aos meus filhos a melhor educação familiar. Acredito e estou atenta para seu potencial. Assumi a responsabilidade integral de educá-los durante a primeira infância, não conforme o que eu ou a sociedade espera deles, mas conforme o que eles querem e podem ser. O grande segredo do método Doman, portanto, é transformar pais em promotores da felicidade dos filhos num sentido muito mais amplo... em tempos onde o TER impera, os pais formados por Glenn Doman ensinam seus filhos a SER, e ser com intensidade e alegria. Meus filhos não fazem ideia de que os conhecimentos e habilidades que carregam fazem deles crianças diferentes. Eles apenas se divertem ou dão utilidade prática ao que assimilaram. Para mim, mesmo que não soubessem ler ou fazer contas seriam fantásticos e especiais do mesmo jeito. Mas é aqui dentro de mim que sinto toda a força do método Doman. Esse poder não está nas palavras dos especialistas, nem no tamanho dos cartões de leitura, mas em observar a criança, a fonte de toda a magia da vida, que me foi dada para que eu apontasse o caminho onde ela pode brilhar mais forte. E seu eu pudesse resumir todo o método em uma palavra, essa palavra seria: ACREDITAR.



17 de maio de 2013

Matemática Montessori - Crivo

Sou absolutamente fascinada pelo material matemático utilizado nas escolas montessorianas. Embora matemática nunca tenha sido meu forte, estou sendo orbigada a estudar muito para suprir a curiosidade do meu filho mais velho, que ama matemática. E para que continue amando, estou sempre buscando materiais novos e interessantes para ele trabalhar. Estou construindo vários materiais e ansiosa por dividir com vocês, mas hoje falarei de um apenas, que é um universo.

CRIVO DE ERATÓSTENES
Conhecido popularmente nas escolas montessorianas apenas como "Crivo", foi criado por Eratóstenes para isolar números primos. Esse material foi introduzido pela linha Lubienska: não foi escolhido pela própria Maria Montessori, mas foi incorporado ao método por sua natureza. A primeira vez que tive contato com ele foi numa unidade do Kumon: passei cerca de meia hora conversando com a coordenadora do curso enquanto Vinícius, então com 4 anos, postava-se absolutamente encantado diante da caixa de madeira e suas pecinhas. A princípio você  pode se perguntar: "Mas afinal o que tem isso de tão interessante? São apenas pecinhas de 1 a 100". Mas a necessidade premente de ordem e a atração por sequências que as crianças naturalmente têm, fazem desse material um ímã: elas não resistem a manipular as pecinhas e encontrar padrões.

Seus objetivos pedagógicos, a princípio, são: trabalhar a contagem linear, sequência numérica, ordem ascendente e descendente, conceito de antecessor e sucessor, preparar para o conceito de múltiplos, e é uma atividade ótima para se trabalhar em grupo (inclusive de irmãos, para quem faz homeschooling).

Esse material recebe vários nomes, e nos EUA é mais conhecido como "Hundred board", ou tabuleiro da centena. É possível comprá-lo na Nienhuis (foto acima) por $ 85,50 ( a Nienhuis é a loja de padrão mundial para venda de material Montessori). No Brasil encontrei o modelo abaixo por um precinho até legal, R$ 49,90 (clique na figura abaixo para acessar a loja).

 Como minha atual situação financeira não permite que eu compre nem mesmo as coisas com precinhos legais que vejo por aí (mais ou menos umas 200 coisas do tipo que vejo por mês), resolvi fazer eu mesma meu crivo. Sou um horror com habilidades manuais, sempre sofro para fazer qualquer coisa artesanal, e mesmo assim sempre sai torto ou esquisito. Mas gostei do resultado final, e isso é um incentivo para quem também não se acha muito prendada. Se você também deseja arriscar, o material que usei foi o seguinte:

- 4 jogos do Alfabeto imagens IOB como o da foto ao lado, cada um vem com 27 quadradinhos de madeira e adesivos para colar neles. Você guarda os adesivos para usar de outra maneira e aproveita os quadradinhos.
- 1 quadro verde de 40cm x 30 cm, cujo espaço interno (dentro da moldura) é de 36cm x 25,5cm

- 1 pedaço de EVA mais grossinho.
- 1 caneta marcador
- 1 estilete, 1 régua, cola de contato
Considerando que algumas dessas coisas eu já tinha em casa, meu crivo saiu pelo preço de R$ 17,00. E eu adorei fazê-lo.

Modo de fazer:
- Com a régua, meça as pecinhas de cada lado do quadro e trace linhas horizontais e verticais com a canetinha marcador sobre a base verde. Faça de modo a desenhar 100 quadrados, dez por linha.

(claro que ficou tortinho, porque eu quem fiz, mas adorei. Errei o nome do matemático do crivo na plaquinha mas já corrigi o sacrilégio)

 - Numere os quadradinhos de madeira de 1 a 100 e vá encaixando um ao lado do outro até preencher tudo. Meça o espaço que sobrou e corte, com o estilete, um pedaço de EVA grosso que preencha o restante do quadro. Cole-o sobre o espaço restante na base verde com cola de contato.

- Imprima uma página do crivo completo para controle de erro (Uma sugestão é esse SITE AQUI), de preferência cobrindo-a com papel contact transparente, e guarde as pecinhas em um estojo.


 (Escolhi esse gaveteiro porque dá para colocar as pecinhas e também os cartões com as contas escritas que eles vão usar no material de matemática)

Modo de usar:

Essa é a parte divertida, encontrar as mais diversas formas de usar. Vamos dar algumas sugestões mas você pode ser surpreendido por novas formas que a própria criança inventará para explorar esse material.

1 -  Na apresentação (parte em que o adulto intervém para mostrar o material pela primeira vez), utilize as formas mais simples: retire as pecinhas da caixa, e comece a arrumá-las sobre o quadro na sequência numérica de 1 a 100. Você não precisa fazer tudo, a criança pode continuar sozinha, assim que tiver entendido.

1a - Faça a sequencia em linhas horizontais
1b - Depois em colunas verticais.

1c - Depois  faça a sequência da primeira coluna na vertical, para posteriormente completar as linhas horizontais, fileira por fileira.
(Clique na imagem para aumentar)

Veja que lindo vídeo de apresentação do material gravado lá no Paquistão:

2 - Deixe a criança preencher o crivo de acordo com sua própria ordem mental, à sua maneira.


3 - Contagem alternada: a criança preenche o quadro com as pecinhas de 2 em 2, de 3 em 3, de 4 em 4 e assim por diante. Isso a prepara para o conceito de múltiplos que será estudado mais tarde. Ela pode registrar essa contagem com lápis colorido em um crivo impresso, cancelando os numerais que não foram colocados no crivo.


4 - Preencher com o valor que falta. Nessa versao, a criança é apresentada a uma sequência incompleta e ela vai ter que escrever ou colocar as pecinhas que faltam. NESTE SITE é possível criar diversos tipos de tarefinhas com mais ou menos peças faltando (ele calcula por porcentagem).
 

5 - Jogos para trabalhar números primos, fatores e múltiplos, quebra cabeças, e achar as figuras escondidas no crivo: uma centena de possibilidades NESTE SITE AQUI.


6 - Para trabalhar antecessor e sucessor, essas casinhas fofas: BAIXE AQUI.

7 - Não ache que já é muita coisa até olhar ESTE SITE AQUI, com mais 28 sugestões de como explorar o crivo (em inglês, mas a maioria dos links sãp auto-explicativos).

Para quem usa iPad, um app com diversos padrões para explorar no crivo. Necessário saber os números em inglês (clique para abrir a página do desenvolvedor).

Este outro parece ser mais simples, só para manipular virtualmente as pecinhas (clique para abrir).
NOTA:
Para quem ficou intrigado com o fato da plaquinha mencionar também a "Tábua de Pitágoras" adianto que é o nosso próximo post sobre o assunto. Usando o mesmo material é possível contruir essa outra tábua, e abrir ainda mais possibiliades para o aprendizado eficaz e interessante da matemática.

Atualização em Abril/2014
Achei fantástica essa ideia que pesquei no grupo de Homeschooling. Especialmente para crianças que estão começando a ter noções de adição e subtração.


 Atualização em Julho/2014

 Um leitor do blog, o Saulo, informou que existe um brinquedo educativo com essa proposta. Da Hergg Educativos, o jogo se chama "Lógico", e a proposta é completar a sequência numérica, mas também pode ser utlizado de outras maneiras.

(clique para aumentar)